quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

ARTISTAS DE RUA



Fico encantada com a riqueza e a diversidade cultural do Brasil.

Sentada em uma praça de uma cidade qualquer, observo um artista popular fazendo da calçada o palco imaginário, encantando pessoas que a despeito de todo o corre-corre da vida moderna, por instante, param o relógio do tempo para deleitarem-se com a dadivosa oferta.



Nesse instante a violência e os problemas não existem e a poesia da arte escrita em tais acordes, como bálsamo confortam a alma e devolvem a alegria de sentir-se vivo. A cidade com seus arranha-céus, o som nervoso dos automóveis e suas mal-educadas buzinas, se tornam menos importante.

A estrela com seu jeito peculiar, nem sei se do improviso ou da extenuante busca, vai ofuscando estas coisas tão cotidianas e nocivas que não pedem licença e invadem nossas vidas causando desconforto e sofrimento.

O tempo e a velocidade deixam de existir, enquanto a mágica arte, produto da cultura popular, sem qualquer requinte dessas produções espetaculosas e, mesmo incentivo público ou privado, vai passando o chapéu para colher os frutos que as árvores da bondade representadas por esses mecenas anônimos que sem buscar dedução fiscal, contribuem para que a arte popular não pereça.

De novo o ritmo da vida moderna interrompe esses instantes de ludicidade pura e todos rumam para seus mais diversos objetivos do dia-a-dia, mas levam na alma uma estranha alegria, um sentido de viver e ainda que inconscientemente mais desse sabor inusitado, que uma despertado sempre nos deixa com um desejo de quero mais.

Hilda Suzana Veiga Settineri

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