quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A homenagem de Rafael


No afresco Escola de Atenas, considerada uma das maiores obras de Rafael, Abu-l-Walid Muhammad Ibn Rushd, aparece ao lado de Sócrates e Platão na Academia. Foi a maneira que o genial pintor e arquiteto italiano encontrou para homenagear um dos luminares da humanidade.

Mas quem foi esse muçulmano que os árabes chamavam simplesmente de Ibn Rushd e o Ocidente de Averroes?

O orientalista francês Ernest Renan, que não era simpatizante dos árabes ou dos muçulmanos, escreveu que na Europa Renascentista “Averroes e os árabes eram para os Livre Pensadores do Norte da Itália um santo e uma senha”. E que ninguém podia “aspirar ao título de filósofo a menos que jurasse por Averroes”.

Erasmo de Rotterdam, Descartes, John Locke, Kant e Spinoza, só para citarmos alguns, beneficiaram-se também de sua sabedoria. Eram tão profundas as questões filosóficas de Ibn Rushd que um dos Doutores da Igreja, Santo Tomas de Aquino, passou a vida tentando explicar uma delas que versava sobre  Essência e Existência, questão essa que perdura até hoje.

 Averroes foi apenas um entre tantos sábios muçulmanos. Esses mesmos muçulmanos que hoje são vítimas de uma campanha difamatória liderada pela mídia ocidental. Depois de desumanizarem os palestinos, para que a humanidade assista passivamente aos massacres diários, querem, porque querem, vender a imagem de que todo muçulmano é terrorista. Como se os muçulmanos tivessem sido responsáveis pela Inquisição, pelas duas guerras mundiais e pelas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Mas ouçamos o que o grande humanista Francesco Petrarca tem a dizer: “Cícero pôde ser orador depois de Demóstenes; Virgílio pôde ser poeta depois de Homero e agora, depois dos árabes, não deveríamos nos atrever a escrever”.

Que o diga Dante Alighieri.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...