O salão do Chevrolet Hall ainda não estava lotado. O público presente acompanhava a escolha dos reis do carnaval.
Anfitriões da festa, o prefeito do Recife, João da Costa (PT), e a primeira-dama Marília Bezerra decidiram, então, cruzar a passarela de desfiles para cumprimentar os foliões.
Aí, veio a reação que qualquer político teme e abomina: ser alvo de vaias. Mas, decidido a cumprir o papel que lhe cabia na ocasião, o prefeito manteve-se firme.
O constrangimento foi arrefecido com algum aplauso e ele discursou. Falou, inicialmente, do empenho da prefeitura na realização daquele que era o 47º Baile Municipal do Recife.
Em seguida, fez questão de sublinhar que a sua gestão entrou em nova fase. Sem rodeios, associou a renovação ao fato de ter superado problemas de saúde (um transplante renal que o deixou por 101 dias fora do cargo) e garantiu estar reenergizado.
A atitude para quem é classificado de tímido, arredio, fechado e arrogante, exigiu coragem e equilíbrio. Afinal, manter a fleuma diante de uma plateia pouco amistosa é tarefa complicada.
Mas, João da Costa segurou a onda. Começa a dar indícios de que está criando a casca necessária a quem enfrentará situações adversas no caminho da reeleição.
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Deve ter pensado que o folião-eleitor que lhe vaiou no início da festa, deixaria a casa de shows satisfeito horas mais tarde.
Pode ter concluído ainda que paciência e savoir faire [perícia] serão aliados imprescindíveis de agora em diante.
O baile, cartão de visitas da folia de momo que virá por aí, acabou, quem diria, se convertendo num símbolo da política que a gestão do petista quer e precisa adotar: executar ações exitosas e populares capazes de conquistar a confiança do eleitor e, principalmente, de reverter os altos índices de rejeição.
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