sábado, 23 de julho de 2011

Organização do Sistema Acadêmico Brasileiro [Parte III]

Como você pôde perceber [nas postagens anteriores - acesse links abaxo], cada nível do ensino superior tem sua especificidade, e quanto mais avançada a formação do aluno, maiores as exigências em relação ao trabalho final que ele deve apresentar. 

O sistema brasileiro de ensino superior segue os moldes do sistema europeu e difere em alguns pontos do que é adotado nos Estados Unidos. Para não haver dúvidas, comecemos com um quadro comparativo que mostra a diferença entre a formação pautada pelo sistema norte-americano e a pautada pelo sistema europeu:


Vejamos, agora, respostas objetivas para algumas das perguntas que normalmente são feitas pelos universitários.

O que é uma área afim e quem define isso?

Áreas afins são áreas de conhecimento consideradas próximas, diretamente relacionadas entre si. Essa relação de proximidade é importante nos estudos acadêmicos, pois define, por exemplo, a possibilidade legal de transferência de um curso de graduação para outro sem a necessidade de novo vestibular, ou a possibilidade de cursar uma pós-graduação stricto sensu. No Brasil, a Capes (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), instituição ligada ao Ministério da Educação, publica a Tabela de Áreas de Conhecimento em que podem ser consultadas as grandes áreas e as áreas afins (ela pode ser acessada diretamente no site da Capes: www.capes.gov.br).


O PhD é um grau mais avançado que o doutorado?

Não. O PhD é o equivalente do doutorado, só que oferecido no sistema norte-americano. Aliás, com o atual relaxamento doscritérios de aprovação de PhDs por algumas instituições dos Estados Unidos, certas universidades europeias têm se recusado a convalidar determinados títulos de PhD como doutorado, optando por fazer a convalidação desses títulos como se fossem de mestrado.

O que é pós-doutorado?

Pós-doutorado não é um curso, mas um estágio de atualização para doutores que se caracteriza pela execução de um projeto de pesquisa em um período que varia normalmente de três meses a um ano, podendo chegar a dois anos em casos excepcionais. Não há disciplinas, provas ou qualquer outra exigência formal além da aceitação, por uma instituição hospedeira, de um projeto de pesquisa relevante, que é apresentado à instância dessa instituição à qual se deseja ficar vinculado durante o período de pós-doutorado e da qual se pretende utilizar a estrutura instalada e os recursos existentes. Normalmente, os projetos de pós-doutorado são apresentados a departamentos acadêmicos ou coordenações de centros de pesquisa e tramitam dentro da instituição hospedeira de acordo com as normas internas. É necessário que o projeto seja supervisionado por um profissional qualificado da própria instituição, que atue, nesse caso, como anfitrião do pós-doutorando ou seu supervisor. Muitas instituições exigem que o pós-doutorando ajude o departamento oucentro que o recebe com publicações, orientações ou com trabalho de docência. O pós-doutoramento não confere um novo grau ou diploma. O último grau acadêmico que se pode alcançar, como dito anteriormente, é o de doutor.

O que são livre-docente e professor titular?

São níveis funcionais das carreiras profissionais dos docentes de ensino superior das universidades públicas brasileiras. Nas universidades estaduais de São Paulo, por exemplo, há livre-docência e titularidade. Nas universidades federais, há somente a titularidade. Para alcançar esses níveis de carreira existem concursos públicos de provas e títulos específicos. Nas universidades privadas, a carreira difere bastante, caso a caso.

O que é defesa direta de tese?

É um dispositivo instituído no Brasil a partir de 2001 (art. 5o da Resolução n. 01/2001/cne/ces) que permite a um candidato tornar-se doutor diretamente pela defesa de uma tese que ele escreveu sem auxílio da instituição. Faz-se um pedido à instituição com a apresentação da tese já escrita. Se o pedido for aceito, o aluno vai para defesa pública da tese. Se for aprovado, recebe o grau e o diploma de doutor sem ter que cursar os créditos e cumprir os demais requisitos do programa. O dispositivo só vale para as universidades que já o adotaram e regulamentaram.

Quais são as melhores universidades para cursar mestrado e doutorado no Brasil?

As avaliações da Capes procuram deixar claro aos interessados quais são as melhores universidades para cursar mestrado e doutorado no Brasil. Dependendo do curso desejado, é possível que alguma universidade considerada pequena ou pouco conhecida apresente boa qualidade. Além disso, as avaliações são periódicas, com resultados trienais, e, por isso, os padrões de qualidade de um curso podem mudar de tempos em tempos, melhorando ou piorando. Assim, a melhor forma de conhecer os cursos de pós-graduação é conferir como foram suas últimas avaliações – informação disponível no site da Capes (www.capes.gov.br).

Como saber se o diploma da universidade que escolhi é válido?

Os cursos de mestrado e doutorado precisam ser autorizados pela Capes. Essa autorização não é permanente e pode ser cancelada, caso o curso seja considerado ruim durante a avaliação dos programas existentes. A única forma segura de saber se o curso está valendo é consultando o site da Capes (www.capes.gov.br).

O que é dependência em língua estrangeira no mestrado ou no doutorado?

É a condição em que fica um aluno que foi aceito no programa de mestrado ou doutorado quando não consegue uma boa nota na prova de língua estrangeira. O programa dá um novo prazo (geralmente, seis meses) para que o aluno tente novamente e comprove suficiência na língua exigida. Caso seja reprovado, não poderá concluir o curso, mas seus créditos cursados com êxito não são invalidados.

Quanto custa cursar especialização, mestrado e doutorado no Brasil?

Em uma universidade pública, não custa nada, embora algumas cobrem taxas mínimas de matrícula e expedição de diploma. Algumas delas oferecem cursos de pós-graduação por meio de suas fundações de apoio. Nesse caso, há custos semelhantes aos cursos de instituições privadas. Nas faculdades e universidades privadas, as mensalidades variam dependendo do curso e da instituição e não costumam ser baixas. É bom informar-se também a respeito dos custos e das disponibilidades de uso de materiais da instituição escolhida e de seus locais de pesquisa. Investigue com antecedência como é o acesso a livros, instrumentos, computadores, laboratórios, arquivos etc.

Os mestrados e doutorados do exterior, por exemplo, dos Estados Unidos ou da Europa, são melhores que os do Brasil?

Não necessariamente. Muitas vezes, é o contrário e encontram-se muitos alunos estrangeiros, inclusive de países desenvolvidos, cursando mestrado e doutorado em nossas universidades. O que fundamenta ideia errônea sobre a qualidade inferior de nossos cursos em comparação aos de fora é que, em um país de tradição colonial como o Brasil, o que é “estrangeiro” é comumente mais valorizado, embora nem sempre seja melhor. Há casos, porém, em que uma universidade de outro país detém tecnologias exclusivas, arquivos específicos ou professores altamente especializados em determinado assunto que interessa ao aluno ou pesquisador – aí, sim, tal universidade será a mais apropriada para a realização do mestrado ou doutorado. Não podemos esquecer, ainda, a possibilidade de intercâmbios acadêmicos de acordo com as disponibilidades e interesses dos candidatos e das instituições envolvidas. Em muitos casos, vale a pena pesquisar esse assunto.

Fonte: FERRAREZI JÚNIOR, Celso. Guia do trabalho científico: do projeto à redação final: monografia, dissertação e tese. São Paulo: Contexto, 2011.

Leia mais: Parte I e Parte II.

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