sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O absurdo dos nomes errados - por Moacir Japiassu

Nenhum coração resiste 
enquanto houver silêncio.   
(Nei Duclós in Faça o que quiser)


 Uma das mais graves falhas do repórter despreparado é escrever errado o nome de seus personagens -  e nem me refiro ao entrevistado, porque neste caso já não se trata mais de simples incompetência, porém de completo desrespeito.

Em meio século de jornalismo, na função de atento copidesque, testemunhei absurdos episódios como aquele protagonizado  por uma repórter do Jornal do Brasil, que foi entrevistar o então editor do Caderno B, Paulo Afonso Grisolli, profissional culto, diretor de teatro, e voltou intrigadíssima:

"Ele falou de um tal de Fedor... nome mais esquisito!", disse-me, ao entregar o sofrível texto. 

"Você pediu ao Paulo para soletrar o nome do dramaturgo? Porque ele é francês e se chama Feydeau; Georges Feydeau". A menina ficou desolada.

Em O Globo li certa vez que jogou na ponta-esquerda da Seleção Brasileira de 1950 um certo "Chico Caramuru". A repórter, que não era uma sumidade na história do futebol, escutou o nome da boca do entrevistado e entendeu como Caramuru aquele que nasceu e se criou Aramburu...

No mesmo jornal foi publicada referência a um ponta-direita do Bangu, "o famoso Sorriso"; na verdade, chamava-se Paulo Borges, brilhou também no Corinthians e nunca foi chamado de Sorriso pela crônica esportiva, embora fosse mesmo um sorridente rapaz.

Tal absurdo se repete quase diariamente na mídia.

Jovens colegas, abram o olho, porque errar os nomes compromete qualquer texto e quem assina a matéria perde o respeito de todos.

Para ilustrar a asserção, transcrevo abaixo um breve fragmento do livro Sorte e Arte, de um dos melhores repórteres brasileiros de todos os tempos, o saudoso amigo José Roberto de Alencar:

"(...) É preciso obter o máximo de informações (uma só, perdida na pressa ou na vadiagem, pode alterar toda a história) e checar uma por uma (o erro corrói não só a reputação de suas vítimas, mas também a do autor, do jornal e de toda a Imprensa). Aí vem o texto. Se não for claro, não presta. Engabela o leitor(...)"

Nei Duclós

Espera-se que o poeta/guerreiro lance novo livro em 2012, e, pela amostragem, repetirá êxitos anteriores. Leia no Blogstraquis a íntegra de Faça o que quiser, cujo fragmento encima a coluna. É um poema pleno de paixões.

Convencido

Depois de convencido pelo doutor Dráuzio Varela, amigo nosso informa:

"Deixei o tabaco; agora, só maconha!"


Sacanearam Lampião!!!

Estão a espalhar por aí que o cangaceiro Lampião era baitola. Deu até na coluna do considerado Ancelmo Gois:


"A família de Lampião conseguiu na Justiça sergipana impedir o lançamento do livro 'Lampião, o mata-sete', de Pedro de Morais, que sustenta que o cangaceiro era gay. Em Aracaju, vivem uma filha de Lampião, Expedita, e netos."

Janistraquis não acredita, acha que estão a sacanear a memória do cabra mais macho e perverso do sertão, porém resolveu publicar uma história contada há anos pelo saudoso Paulo Pontes, segundo a qual um primo dele, lá na Paraíba...

Bom, é melhor dar uma olhada no Blogstraquis, porque aqui neste espaço não dá; a tal história pode ferir suscetibilidades.

Impressionante!

Deu também na coluna do Ancelmo Gois:

Após vender mais de 7 milhões de exemplares de Ágape, do padre Marcelo Rossi, a Globo Livros prepara uma edição luxuosa da obra para o Natal.

A nova fornada do livro inclui uma carta inédita do sacerdote popstar.

Janistraquis ficou mais perplexo do que a torcida do Fluminense com o gol de Bernardo, o da vitória vascaína no domingo passado:

"Com todos os demônios!!! Há 7 milhões de brasileiros que sabem o que significa a palavra ágape!!!"


Léa Maria 

A considerada Léa Maria Aarão Reis, jornalista e escritora, lançou ontem na Livraria Argumento, Leblon, Rio, seu livro Novos Velhos - Viver e envelhecer bem. Janistraquis, fã da Léa desde os tempos do Jornal do Brasil dos anos 1960, ficou interessadíssimo:

"Considerado, para mim, que envelheço pessimamente, a leitura de Novos Velhos é a derradeira esperança..."

Tudo doido

A tal "reforma ortográfica" enlouqueceu de tal modo o pessoal que o UOL publicou esta chamada de capa:

Pãezinhos de maça e canela
caem bem no fim de semana


Janistraquis achou que maça fosse massa, porém conferiu a receita; tratava-se de maçã, cujo sinal gráfico o redator achou que também foi pro espaço agarrado ao trema...

Saco cheio

De meu assistente, que anda um pouco de saco cheio:

"Depois que passou a andar na companhia de Fernando Collor, Nossa Senhora de Fátima caiu muito no meu conceito."
Globo Rural

Desde sua criação em 1987, nas páginas da revista Imprensa, esta coluna elege o Globo Rural como o melhor programa da TV; hoje, já não merece o nosso voto, por causa de tanto por conta. É deverasmente insuportável começar o domingo com repórteres a pisotear o idioma como as vaquinhas que destroem nascentes e olhos d'água.

Tudo agora é "por conta", expressão usada em lugar de "por causa". Janistraquis roga ao diretor/fundador do programa, o considerado Humberto Pereira, que proíba a besteira, assim como a agricultura orgânica repele os agrotóxicos.

Para auxiliar nessa tarefa, a coluna sugere visita a esta página da revista Língua Portuguesa, na qual o considerado Josué Machado, Mestre do idioma, velho amigo e colaborador de Jornal dos Jornais, ensina a diferença entre "por causa" e "por conta".

Mais "por conta"

O considerado Leônidas Guaracy, comerciante paulista aposentado, envia de seu refúgio na Vila Gustavo um trecho de matéria da Folha intitulada Motorista passa mal, bate e é linchado:

"(...) Por conta da morte de Alves, seus colegas de trabalho fizeram uma paralisação na região de Sapopemba e o sistema emergencial da prefeitura teve de ser acionado para atender aos usuários."

Guaracy pede nossa opinião a respeito e Janistraquis, que ainda não participou de nenhum linchamento, apressou-se em responder:

"Bom, meu amigo, diante dessa cretinice que virou pandemia, só posso dizer o seguinte: por conta é o cacete!"

...E ainda outra!

Janistraquis encontrou mais esta coisa feia no UOL Esporte:

"(...) Mesmo na reserva, a participação de Bernardo nas partidas vascaínas é quase que constante, tanto que ele assume o papel de 12ª jogador. Nesta reta final, o meia será importantíssimo, principalmente por conta dos desfalques."

E, para completar a cota da semana, o mesmo UOL caprichou na chamada de capa, a propósito do Jabuti:

Prêmio não muda por conta de polêmica.

Ufa! Janistraquis e o colunista vão entrar com ação na Justiça contra esses que emporcalham o idioma; trata-se, evidentemente, de crime hediondo.

De homossexuais


Com pureza d'alma, acredito que ninguém pode entender como insulto, desrespeito, injúria e outros crimes menos arreganhados o chamar-se alguém de homossexual. Caracoles!, se existe o tal "orgulho gay" e se a veadagem está rigorosamente na moda, por que seria um absurdo o deputado Jair Bolsonaro sugerir à presidenta  que abra o jogo e mostre até onde vai a sua "preferência sexual"?

A senadora Marta Suplicy, como tantos de seus pares, está indignada com o deputado, e a atitude dela complica ainda mais o quadro da intolerância. Pois Janistraquis pede licença para se declarar mais indignado ainda:

"A criatura faz qualquer coisa para aparecer; é a maior defensora dos gays e, quando enfrentou e perdeu a prefeitura na eleição passada, deu a entender que o Kassab, homem solteiro e desimpedido, é veado; agora, 'toma as dores' de Dona Dilma, embora esta tenha todo o direito de ser o que bem quiser."

Ignorância braba


O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de cujo varandão desbeiçado sobre a sebentice oficial enxerga-se tanto as margaritas quanto os porcos, pois o Mestre nos ilustra com mais esta:

O saudoso e erudito Paulo Rónai publicou um livro sobre expressões latinas com o feliz título de Não perca o seu latim. O fato é que o estamos perdendo diariamente. Um exemplo é a legenda da foto da página 29 do Correio Braziliense de 19/11/11:

"Conhecidos de Marina deixaram no local do acidente flores e um cartão com as letras R.I.P - Rest in peace (Descanse em paz, em inglês)."


Ora, R.I.P. é a abreviatura em latim, muito usada nos cemitérios: Requiescat in pace. Por acaso igual à versão em inglês...   

Grande perdaDo considerado Humberto Werneck, jornalista e escritor do primeiríssimo time, amigo e companheiro no Jornal da Tarde dos anos 1970:

"Japi, há poema – dois longos versos apenas, sem título – do Abgar no qual venho pensando nestes dias a propósito de uma grande perda:

Tombo, Senhor, submisso mas inconformado na desesperança,
E não Te reconheço na cruel desnecessidade da Tua lança.

Está no pórtico de A lápide sob a lua, escrito após a morte de um filho."


Nota dez

O considerado Luiz Paulo Horta, velho amigo e companheiro no Jornal do Brasil dos anos 1960, hoje acadêmico, escreveu no blog Prosa online:

Em caprichada edição coordenada por Moacyr Andrade, e que inclui uma bela iconografia, temos agora a história de Wilson Figueiredo — todo um capítulo do moderno jornalismo brasileiro, que será lançado dia 1 de dezembro, a partir das 18h, na Livraria Argumento do Leblon.

(...) Para os amigos e colegas, Wilson sempre foi sinônimo de vida. E disso se apercebeu Mário de Andrade, quando conheceu, em Minas, o grupo de jovens a que Wilson pertencia, e escreveu: “Entre vocês, quando o Figueiró chegava, era uma brisa, um prazer desfatigante que chegava...”

Wilson tinha 17 anos quando desembarcou em Belo Horizonte. Fazia versos. Ainda Mário de Andrade: “Como eu sorria feliz lendo os versos dele! Cheguei a imaginar um poema em que ele esclarecesse que era moço, que era deslumbrado com o gozo da vida ...”

Leia aqui a íntegra do texto que nos transporta à antiga sede do JB na Av. Rio Branco, endereço onde era possível ser feliz.

Errei, sim!

“SALVEM O ESTADÃO - Espião desta coluna infiltrado no Estadão penetra na intimidade dos computadores e revela o que alguns redatores espertos evitam que saia no jornal. Há nos PCs uma retranca intitulada Besteiras, em que são armazenadas excepcionais labrostas as quais, mercê dessa vigília, está nosso Estadão aliviado de certeiros vexames.

A partir de agora, divulgaremos, na medida do possível, os exemplos mais hilariantes. Eis o primeiro:

(...) Por isso o juiz foi obrigado a mandar uma carta precatória para o Forum do Distrito Federal. Com medo de outra manobra protelatória, o procurador municipal embarcou junto com a carta.” (Junho de 1995)

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