sábado, 3 de novembro de 2012

Por que Roberto Freire tem tanto ódio a Lula?

Para quem já foi considerado um dos mais combativos nomes da esquerda nacional, o deputado federal Roberto Freire (PPS) tem se mostrado cada vez mais alinhado à linha dura da direita nacional; além das críticas constantes ao PT e ao governo federal, o parlamentar clama, agora, por uma investigação por parte da Procuradoria Geral da República para apurar os aspectos ainda desconhecidos do esquema de Marcos Valério - especialmente a suposta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão; a base para isto? A última matéria de capa da revista Veja

A mais nova capa da revista Veja, em que tentam ligar o ex-presidente Lula ao assassinato de Celso Daniel, mexeu com os brios de muita gente, em especial os da oposição. Nada mais natural que dirigentes de partidos que não veem com bons olhos os resultados obtidos pelo PT, seja em nível social, econômico ou político, esbravejasse aos quatro ventos que é necessário brecar os planos de permanência no poder por parte do PT. Críticas de dirigentes como Sérgio Guerra (PSDB), Agripino Maia (DEM), entre outros são mais que naturais no jogo democrático. O que causa estranheza é que um dos primeiros a pedir uma investigação de forma urgente – tendo como base uma reportagem onde se pressupõe que o operador do Mensalão, Marcos Valério, tenha segredos de alcova contra Lula – parta de quem já foi considerado um dos mais representativos nomes da esquerda nacional, o atual presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire. 

"Nós temos que nos posicionar, não podemos esperar. A cada dia surgem novos fatos. Nós precisamos que o Ministério Público abra um novo inquérito para investigar tudo isso", diz o parlamentar. Mas o que motiva este ódio por parte de alguém que até 2004 integrava a base do governo Lula e que hoje o pinta quase como um demônio que deve ser expulso do convívio com os demais mortais?

O antigo comunista, sempre teve até 2002 um amplo apoio da população pernambucana, em especial os dos que fazem o chamado voto de opinião. Naquela eleição, contudo, Freire foi o menos votado, angariando apenas 54.003 votos, elegendo-se com certa dificuldade.  Naquela ocasião, ele atribuiu o seu fraco desempenho por estar ao lado do candidato Ciro Gomes, que estava em queda livre nas pesquisas. Poucos anos depois, ele aparecia como suplente do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e em 2008 acabou transferindo seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde garantiu uma sobrevida política.

Esta decadência vem justamente da fatia do eleitorado do qual ele optou por se afastar. Em 1998, quando Jarbas Vasconcelos foi eleito governador de Pernambuco com mais de um milhão de votos em cima de Miguel Arraes (PSB), Freire apoiou o peemedebista. Desta forma, acabou associado a um certo ranço e conservadorismo político que resultou num distanciamento paulatino daquele eleitor que até então lhe era fiel.

A sua chegada em São Paulo foi marcada por um discurso no qual o parlamentar afirmava querer construir uma alternativa de esquerda para o Brasil, nem que para isso fosse necessário associar-se ao PSDB. Na ocasião, em entrevista, o deputado declarou que "São Paulo é um Estado onde o PT não tem hegemonia, é derrotado pela esquerda da social democracia brasileira, concentrada no Estado".  Sob esta ótica, ele condenou – e condena – a aproximação com governos "bolivarianos" como o de Hugo Chavéz, e com o Movimento dos Trablahadores Rurais Sem Terra (MST), a que já taxou como sendo uma "gente de visão atrasada, presa a dogmas passados".

Até mesmo programas sociais que se mostraram de uma eficácia inegável e que são uma referência mundial no quesito de distribuição de renda, como o Bolsa-Família, foram desqualificados por ele. “Política compensatória é um coronelismo moderno, com cartão eletrônico", disse.

O rompimento com o Partido dos Trabalhadores veio ainda no primeiro mandato de Lula, em 2004, e antes que estourasse o escândalo do Mensalão. Foi ali que o antigo comunista começou a esbravejar contra tudo e contra todos. E não faltaram críticas. Desde taxar o governo Lula de “neoliberal”, de “não promover alterações na política econômica”, até ao fato do PT “não possuir um projeto de governo”, tudo foi alvo para a metralhadora giratória de Freire.  

A partir daí, o adesismo ao PSDB foi quase uma marca do PPS, o que acabou por enfraquecer a representatividade da legenda. Basta lembrar que quando Ciro Gomes foi candidato à Presidência o partido chegou a ter quase 20 parlamentares no Congresso, hoje tem apenas a metade.

Na ocasião do seu afastamento do PT, Freire brigou até mesmo com Ciro Gomes, que não quis entregar o cargo que ocupava no Ministério da Integração Nacional. Nestas eleições, contudo, ele apoiou o socialista Roberto Cláudio – indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes – contra o candidato ungido pelo PT. Acabou saindo-se vencedor, o que pode representar uma tentativa de reaproximação com o antigo correligionário que hoje integra o quadro socialista. O rancor também é apontado por alguns integrantes do PPS como uma das molas que move o deputado. Segundo estes, os desafetos e a discordância acabam gerando uma mágoa profunda do dirigente do PPS que costuma ser levada às últimas consequências.

No jogo político nada mais natural que partidos associem-se e se separem conforme determinadas circunstâncias apareçam. O que não é natural é negar avanços legítimos e cobrar “justiça” com base em denúncias não comprovadas. Partidos como o PSDB, por exemplo, sempre foram rivais históricos do PT e mantêm uma coerência nesta linha ideológica. Já Roberto Freire parece ter perdido o rumo da bússola que o norteava quando era um integrante admirado, invejado e respeitado, tanto por partidos de esquerda como pelos de centro-direita, à frente do PCB.

2 comentários:

Carlos Cwb disse...

Inveja é uma merda, já dizia o filósofo...

Diógenes Afonso disse...

Bote fezes nisso, cumpadi!

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