Mostrando postagens com marcador Roberto Gurgel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roberto Gurgel. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de março de 2013

O homem que assombra Gurgel

Reportagem da revista Istoé traça um perfil do professor de Direito Luiz Moreira, que é, hoje, um dos principais opositores do procurador-geral da República

Professor de Direito, crítico do julgamento da Ação Penal 470 e autor de um livro sobre a judicialização da política, o cearense Luiz Moreira é hoje um dos grandes opositores do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Leia, abaixo, seu perfil escrito pela jornalista Josie Jeronimo, da revista Istoé:

O homem que assombra Gurgel

Reconduzido ao Conselho do MP, o professor de Direito Luiz Moreira virou a principal voz dissonante ao procurador-geral. Crítico do excesso e do poder conferido aos procuradores, ele pode atrapalhar os planos de Gurgel de emplacar seu sucessor

Josie Jeronimo

Um dos protagonistas do julgamento do mensalão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enfrenta um ambiente diverso dentro da própria instituição comandada por ele. A voz dissonante é personificada pelo professor de direito Luiz Moreira. No dia 6 de março, Moreira confirmou sua condição de representante da Câmara dos Deputados no Conselho Nacional do Ministério Público, órgão encarregado de controlar e fiscalizar a atividade do MP. Desde então, Gurgel, cujo mandato termina em agosto, anda inquieto. Embora Moreira pretenda ficar longe da disputa entre os candidatos, dependendo do barulho que ele fizer, Gurgel pode ter seus planos de emplacar o sucessor no comando do MP Federal dificultados. A principal crítica de Moreira refere-se ao excesso de gastos promovidos pela atual gestão. A mais recente acusação é de que o procurador-geral estaria preparando um aumento de 30% em subsídios, com a criação de auxílios-moradia e alimentação de R$ 900 por mês. “Esses benefícios irão aumentar em R$ 5 mil os vencimentos dos membros do Ministério Público, que assim passarão do teto constitucional de R$ 28.059”, critica o conselheiro.


Moreira atua na contracorrente do movimento de políticos, juristas e cidadãos que, a partir das denúncias de corrupção contra o governo Fernando Collor, levou à transformação do Ministério Público num organismo cada vez mais autônomo e poderoso. Para o professor especialista em teoria do estado e filosofia do direito, o crescimento do Ministério Público, acompanhado pela ampliação de poderes acumulados pelo Supremo Tribunal Federal, coloca em questão os fundamentos da Constituição-cidadã de 1988. “A base da nossa Constituição é o voto popular e por isso ela privilegia os representantes eleitos pelo povo. A judicialização leva a uma República aristocrática, que privilegia decisões e concentra poderes entre os integrantes de um poder não eleito, o Judiciário”, afirma Moreira. Como exemplo, ele recorda as intervenções recentes do Supremo no debate sobre royalties do petróleo, questionando decisão do Congresso. “A Constituição define que a deliberação se faça pelo Congresso”, diz. Em outro exemplo, aponta a votação sobre a perda de mandatos dos parlamentares condenados no mensalão, decisão que, na opinião de vários juristas importantes, contraria o que dispõe o artigo 55 da Constituição.


Concorde-se ou não com a tese defendida por Moreira, o portentoso crescimento da instituição dirigida por Roberto Gurgel está amparado em fatos. Como conselheiro do MP, ele questiona com veemência esses números. Por exemplo, o orçamento do Ministério Público da União, que incluiu as representações nos Estados, custa R$ 4,1 bilhões, e já é maior do que o do Senado Federal, de R$ 3,5 bilhões. Em dez anos, as despesas com pessoal cresceram 193%. Avançando no sempre delicado terreno das garantias individuais, os procuradores federais, sob Gurgel, também adquiriram o Guardião, sistema de escuta telefônica privativo da Polícia Federal, que só pode utilizá-lo com autorização judicial. Foi preciso uma decisão do Supremo para que abrissem mão do equipamento. Em alguns Estados, no entanto, o Ministério Público local ainda mantém a posse do Guardião.

A desavença de Moreira com Gurgel tornou-se irremediável em 2010, quando ele denunciou que, em campanha pela recondução, o procurador-geral liberou uma espécie de presente aos seus subordinados entre R$ 60 mil e R$ 90 mil a título de benefícios atrasados. Gurgel argumenta que a liberação tinha base legal. O detalhe é que os pagamentos saíram em duas parcelas, quando poderiam ter obedecido a prazos mais longos. Em 2011, uma nova parcela de atrasados custou R$ 150 milhões.

Amigo pessoal do deputado petista José Genoino, um dos condenados pela Ação Penal 470, Moreira é dono de uma visão política que lhe garante a simpatia compulsória da maioria dos políticos sob investigação do Ministério Público e ajuda a explicar a facilidade com que seu nome foi aprovado nas duas Casas do Congresso. Mas o debate promovido por Moreira não gira em torno de interesses menores. A questão é doutrinária e envolve um entendimento político real.

Em posição contrária, o procurador Claudionor Mendonça dos Santos, de São Paulo, acredita que o Ministério Público e o Judiciário cumprem uma função política necessária, que consiste na punição de políticos numa sociedade que, conforme suas palavras, “está aquém do conceito amplo de cidadão.” Tocando em pontos delicados empregados por cada eleitor para escolher seus candidatos, Mendonça dos Santos critica as escolhas de determinados eleitores: “Muitos ainda votam pela cesta básica, pela camisa do time.” Para o procurador de São Paulo, “a sociedade tem todo o direito de saber se errou ao escolher aquele cidadão. É possível apontar o erro do voto.” Questionado se essa visão não encobre uma interferência externa na luta democrática entre partidos políticos, Mendonça dos Santos afirma que não vê “paternalismo” em sua postura.


Toda essa discussão sobre gastos, poderes e limites dos procuradores será inevitavelmente travada no Ministério Público quando a disputa pela sucessão de Gurgel começar para valer. Hoje, existiriam quatro candidatos. Quem baterá o martelo sobre o próximo comandante do Ministério Público Federal é a presidenta Dilma Rousseff. Interessado em emplacar um nome ligado a ele, o procurador-geral já esteve em situação mais confortável. Hoje, além dos questionamentos internos, a Mesa do Senado examina dois pedidos de impeachment para afastá-lo do cargo antes do fim do mandato. Num deles, o procurador é acusado de dirigir uma licitação para a compra de computadores com valor acima do mercado. Em outro, é acusado de, em parceria com o ex-presidente José Sarney, oferecer favores em troca de apoio político diante da denúncia de que deixara de investigar as ligações de Demóstenes Torres (DEM-GO) com Carlinhos Cachoeira.  

Durante a campanha para escolha do sucessor do procurador-geral haverá outra questão relevante a ser debatida. É a PEC 37, emenda constitucional que retira do Ministério Público qualquer poder de investigação policial, devolvendo essas atribuições à polícia, como acontecia antes de 1988. Apoiada pelos eficientes lobistas das diversas polícias em atividade no Congresso, a PEC 37 ganha força toda vez que os parlamentares se sentem desprestigiados pelos procuradores. Eles têm apoio de grande parte dos prefeitos dos maiores municípios do País, que acusam o Ministério Público de criar entraves a sua gestão a partir de medidas judiciais que apenas escondem divergências políticas. Embora seja um crítico duro dos procuradores, Luiz Moreira acha que é preciso encontrar uma solução intermediária. “Não é recomendável que uma só instituição tenha todo poder de investigar um crime. O mais saudável é que haja uma colaboração entre procuradores e policiais, com cada área preservando sua competência específica. Se não é certo dar todo poder ao Ministério Público, também não se pode deixar tudo nas mãos da polícia. A experiência mostra que isso não funciona”, avalia.

Ao menos um tema parece ser consenso entre candidatos que disputam o posto de Gurgel. Nenhum deles propõe diminuir os atuais benefícios dos procuradores, nem mesmo as férias de 60 dias, herança do Judiciário. Quando a Lei de Transparência obrigou o Executivo e o Legislativo a abrir os vencimentos de todos os seus integrantes, o MP entrou na Justiça para deixar os procuradores fora da obrigação. Foi atendido. “O Ministério Público não oferece à sociedade a transparência que cobra de outros setores,” critica Moreira.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Collor enquadra no MP compra de iPads de Gurgel


Depois de discursar por diversas vezes contra suposta irregularidade no processo de compra de 1.200 tablets pela Procuradoria Geral da República, o senador Fernando Collor (PTB-AL) formalizou nesta segunda-feira 18 um pedido de providências ao Conselho Nacional do Ministério Público. O parlamentar solicita especificamente a suspensão da licitação do órgão, comandado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

De acordo com Collor, a licitação cita a marca "Apple", o que seria proibido por lei. "A Lei de Licitações determina que marcas não podem ser citadas em editais de compras públicas sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa. O texto do edital da licitação cita a Apple diretamente uma vez e indiretamente mais três vezes", declara o senador.

No documento enviado ao CNMP (acesse a íntegra aqui), Collor diz que "é inaceitável que a instituição constitucionalmente estabelecida para fiscalizar o fiel cumprimento da lei realize um processo licitatório desconsiderando completamente o disposto na norma brasileira de licitações". Em seu discurso no plenário nesta segunda, o senador voltou a pedir processo e julgamento contra Gurgel, contra quem já vem fazendo denúncias há nove meses, conforme lembrou.

Leia abaixo nota da assessoria de imprensa de Collor sobre o pedido ao CNMP:

O Senador Fernando Collor apresentou ao Conselho Nacional do Ministério Público pedido de providências com requerimento de medida liminar no qual para que sejam suspensos todos os efeitos da licitação eletrônica feita na tarde de 31de dezembro do ano passado, para a compra de 1.200 tablets para a Procuradoria Geral da República e 26 para o Conselho Nacional do Ministério Público totalizando a quantia de R$ 2.940.990,10.

Segundo o senador, a PGR teria promovido, ao apagar das luzes de 2012, licitação com direcionamento de marca, no caso a Apple Inc. No pedido apresentado junto a CNMP o parlamentar diz que "a Lei de Licitações determina que marcas não podem ser citadas em editais de compras públicas sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa. O texto do edital da licitação cita a Apple diretamente uma vez e indiretamente mais três vezes".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Procurador Roberto Gurgel é denunciado ao TCU por Fernando Collor

Denúncia contra Gurgel chega ao TCU

O senador Fernando Collor (PTB-AL) prometeu e cumpriu a promessa de denunciar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pela licitação para comprar tablets para a Procuradoria Geral da República; para o parlamentar, houve "direcionamento" na concorrência pública de R$ 3 milhões para comprar 1.200 equipamentos; PGR nega e diz que compra da iPads está amparada na lei

Depois de subir à tribuna algumas vezes para proferir críticas duras ao procurador-geral da República, o senador Fernando Collor (PTB-AL) cumpriu a promessa e protocolou nesta quarta-feira 6, uma representação junto ao Tribunal de Contas da União.

No documento, o senador alagoano destaca que possui legitimidade para fazer a denúncia, segundo dispositivos da Constituição Federal, e que o fato tem “indícios suficientes” para ter prosseguimento dentro do TCU. Para o parlamentar, houve “direcionamento” da licitação pública realizada pela Procuradoria Geral da República para comprar tablets, e por isso, deve haver uma investigação e punição dos responsáveis.

Collor destaca que a PGR determinou que os 1.200 equipamentos fossem exclusivamente da marca Apple, impedindo assim que outras empresas participassem da concorrência pública, orçada em R$ 3 milhões. "Imaginem o que faria o Ministério Público da União, se essa licitação tivesse ocorrido em outra esfera de poder; nesta casa ou numa prefeitura?, questionou no plenário do Senado Federal.

Além da representação junto ao TCU, o senador pelo PTB também encaminhou a representação à Mesa Diretora do Senado Federal.

Embates

Não é de hoje que o senador Fernando Collor expõe publicamente sua antipatia pelo procurador geral da República. No primeiro discurso do ano, o parlamentar atacou diretamente Roberto Gurgel, chamando-o de “prevaricador” e “chantagista”, além de acusar o PGR de “querer interferir indevidamente em outros poderes”.

O ataque foi a forma encontrada por Collor para defender o aliado, Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado ao Supremo Tribunal Federal por três crimes uma semana antes da eleição para a presidência do Senado Federal, vencida pelo peemedebista.

Em nota, a Procuradoria Geral da República explicou que a “opção” pela marca Apple é amparada pelo artigo 7º da lei de licitações, que diz que a preferência por determinadas marcas devem ser “tecnicamente justificáveis”.  Ainda de acordo com o órgão, a escolha pelo ipad foi feita com base em estudos da área de Tecnologia de Informação, que apontaram a “segurança“,  a “compatibilidade de serviços”  e os “custos” dos tablets da Apple.

Confira a íntegra da representação protocolada ao TCU no link ao lado:

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Gurgel para iniciantes


Por Leandro Fortes

As motivações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao denunciar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) duas semanas antes das eleições para a presidência do Senado Federal e, em seguida, vazar o relatório da mesma denúncia pelo site da revista Época, no dia da eleição, nada tem a ver com preocupações morais ou funcionais.

A máscara de servidor exemplar com a qual tem se apresentado ao país desde a micareta do mensalão não resiste a uma chuva de carnaval, basta lembrar da atuação do chefe do Ministério Público Federal no caso do arquivamento da Operação Vegas da Polícia Federal, de 2009, a primeira a pegar as ligações do ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O sempre tão diligente e cioso dos bons costumes procurador-geral escondeu as informações da Justiça e obrigou a PF a realizar outra operação, a Monte Carlo, no ano passado – esta, afinal, que se tornou impossível de ser novamente engavetada por Gurgel.

O que Roberto Gurgel pretendeu ao denunciar Renan Calheiros às vésperas das eleições do Senado foi viabilizar a eleição do também procurador da República, o senador Pedro Taques (PDT-MT), praticamente um representante do procurador-geral dentro do Parlamento. Mas não se trata apenas de um movimento corporativista. Uma vez presidente do Senado, Taques teria nas mãos o poder de definir o que deve ou não ser colocado em votação no plenário.

Dadas as ligações viscerais estabelecidas, desde o julgamento do mensalão, entre a PGR e a oposição, sem falar no apoio irrestrito dos oligopólios de mídia, não seria pouca coisa ter um preposto num cargo tão importante.

Mas como Gurgel não entende nada de política e Taques é apenas um neófito no Senado, as campanhas de um e de outro foram só tiros n’água.

Mas é bom que se diga, não há nada a comemorar.

Sai José Sarney, o Kim Il-sung do Maranhão, entra Renan Calheiros, o adesista das Alagoas.

Nem ética, nem interesse público. As eleições das mesas diretoras do Congresso Nacional continuam sendo o resultado da baixa política de alianças entre o Executivo e o Legislativo, onde grassam como moedas de troca as indicações de cargos, os favorecimentos regionais, as mesquinharias paroquiais e a blindagem mútua.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Nota do Instituto Lula sobre erro na manchete do jornal “O Estado de S. Paulo”

“Em relação à manchete de primeira página do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, segundo a qual o ‘MPF vai investigar Lula’, lamento profundamente que o jornal tenha induzido ao erro seus leitores e outros órgãos da imprensa, já que não há hoje nenhuma decisão oficial sobre o assunto por parte da Procuradoria-Geral da República, de acordo com manifestação oficial do órgão desmentindo a matéria. Estranho tal equívoco na primeira página de um jornal tão tradicional como O Estado de S. Paulo, e prefiro acreditar que não existiu nenhum viés mal-intencionado no ocorrido.”

Paulo Okamotto

Presidente do Instituto Lula

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Joaquim Barbosa e Roberto Gurgel manobram e Dirceu poderá ser preso na sexta-feira

Gurgel, Barbosa e a prisão de Dirceu


Por Altamiro Borges

O sítio do jornal O Globo acaba de noticiar que a prisão dos réus do chamado "mensalão" poderá ocorrer ainda antes do Natal. "O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu nesta quarta-feira ao STF a  prisão imediata dos condenados no processo do mensalão. A petição foi registrada no início da noite desta quarta-feira. Como as atividades do tribunal foram encerradas hoje para o recesso, a decisão deverá ser tomada pelo presidente da Corte e relator do processo, Joaquim Barbosa, sem consultar os demais ministros". 

A manobra de Gurgel e Barbosa, as duas principais estrelas midiáticas do momento, é evidente. Eles sabem que teriam dificuldade para aprovar esta medida extrema no pleno do Supremo Tribunal Federal. Uma parte dos ministros já explicitou que a prisão dos 25 condenados só pode ocorrer após a análise dos recursos da defesa. Em toda sua turbulenta história, o STF jamais prendeu os réus antes do "trânsito em julgado" de uma ação. Gurgel aguardou o início do recesso no tribunal e entregou o presente para Barbosa, que agora poderá  decidir de forma monocrática. Ambos serão endeusados pela direita midiática e partidária.

Segundo a assessoria do STF, a decisão sobre as prisões - entre elas, a do ex-ministro José Dirceu - deve ser tomada nesta sexta-feira. "A expectativa dos advogados dos réus é de que Joaquim mandará prender os condenados", informa o sítio de O Globo. Antes de receber a petição do procurador-geral, o presidente do STF já havia adiantado que poderia analisar o pedido de prisão nesta semana. "Se ele for curtinho, talvez", disse o vaidoso Joaquim Barbosa. Caso as prisões ocorram, está consumado o golpe na democracia!

Em representação, Collor acusa Gurgel por vazamentos

Collor anuncia representação contra Gurgel

O presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), senador Fernando Collor (PTB-AL), acusou o procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, de “desdenhar” o Senado, ao recusar-se a comparecer à reunião desta terça-feira (18) da comissão, convocada especialmente para ouvi-lo. Disse ainda que o procurador chantageia parlamentares e comete crime de prevaricação, motivo pelo qual anunciou o envio ao presidente do Senado, José Sarney, de representação contra Gurgel.

O procurador alegou “compromissos inadiáveis assumidos anteriormente” para não comparecer à reunião da comissão, quando deveria prestar esclarecimentos sobre a “confluência das atividades de inteligência com o papel do Ministério Público e da Polícia Federal”, conforme requerimento aprovado pela comissão na semana passada.

Segundo Collor, o “descaso” da autoridade máxima do Ministério Público da União para com o Poder Legislativo levou-o a questionar se o “excesso de poderes” atribuído ao Ministério Público não teria provocado “um excesso de prepotência por parte de alguns de seus integrantes”. Ainda segundo o presidente da comissão, “não têm sido raros” os casos que promotores e procuradores “abusam de suas atribuições constitucionais motivados por condutas egocêntricas e arbitrárias”.

– No caso do procurador-geral da República, ele demonstra a sua fragilidade moral e funcional, algo como um covarde, mostra que deve, porque teme enfrentar uma comissão mista de controle de atividades de inteligência. Sua manobra para aqui não comparecer é uma confissão de culpa, culpa de quem chantageia, de quem faz pressão e prevarica – afirmou Collor.

Representação

Na representação anunciada por Collor durante a reunião, o senador afirma que Gurgel prevaricou ao “sobrestar” a Operação Vegas, da Polícia Federal, destinada a apurar o vazamento de informações sigilosas sobre uma operação contra a exploração ilegal de jogos de azar em Goiás. Para o senador, essa atitude já poderia implicar crime de responsabilidade.

Collor observa ainda, na representação, que “fica evidente o vazamento de informações sigilosas por parte do Chefe do Ministério Público da União”, como teria sido constatado nos depoimentos de procuradores e delegados federais perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investigou as atividades de Carlos Cachoeira, acusado de conduzir rede de jogos ilegais em Goiás.

O senador acusa, em seguida, o procurador-geral de utilizar-se de seu cargo para “atender a interesses pessoais e beneficiar amigos, colaborar com os meios na divulgação de informações sob segredo de justiça e, pior, usar das informações em seu poder para fazer pressão e chantagem até contra autoridades com prerrogativa de foro”.

Ao final da representação, o presidente da comissão acusa o procurador de “crime de responsabilidade e delito de prevaricação, associados à violação de segredo”. Por meio do documento, ele solicita ao presidente do Senado “adotar providências para a aplicação das sanções e reprimendas legais cabíveis no caso concreto”.
 
Fonte: Agência Senado

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Comissão aprova convites para ouvir FHC e Gurgel

Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congreso Nacional aprovou requerimento do líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, para ouvir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sobre a 'Lista de Furnas'. Já o senador Fernando Collor (PTB-AL) conseguiu enfim aprovar um convite ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Convites para a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, e Rosemary Noronha foram rejeitados

Agência Senado - A Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), aprovou, nesta quarta-feira (12), requerimento do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), líder da Maioria na Câmara dos Deputados, para que o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, seja convidado a prestar esclarecimentos sobre o suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para abastecer campanhas políticas do PSDB, no início dos anos 2000, conhecido como "Lista de Furnas".

No requerimento, incluído como pauta extra da reunião, Tatto alega a "importância estratégica para o país da Eletrobrás-Furnas como geradora e transmissora de energia elétrica". Como gestor do país no período em que teriam ocorrido os fatos divulgados pela imprensa, o deputado questiona que tipo de influência FHC exerceria sobre a empresa.

O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) votou contra o requerimento, por considerar o pedido "inverossímil".

Gurgel

Foi aprovado também como pauta extra requerimento do presidente da CCAI, senador Fernando Collor (PTB-AL), de convite ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que ele preste esclarecimentos acerca da "confluência das atividades de inteligência com o papel do Ministério Público e da Polícia Federal".

De acordo com Collor, recentes operações da Polícia Federal, como a Vegas e a Monte Carlo, têm demonstrado "o quanto de informações devem ter sido adquiridas por meio de atividades de inteligência, em que pese o fato de esses órgãos, a princípio, não serem dotados de setores específicos e típicos de inteligência".

Porto Seguro

Foram rejeitados os três requerimentos que constavam da pauta original, destinados à convocação de autoridades do governo e de funcionários afastados para prestar esclarecimentos a respeito dos fatos apurados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal. Os pedidos haviam sido apresentados pelo deputado Mendes Thame, e propunham a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e da ex-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha.

Abin

A CCAI aprovou, ainda, requerimento para ouvir o general José Elito Carvalho Siqueira, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza, a respeito de denúncias de prática de espionagem dentro da agência.

De acordo com reportagem publicada pela imprensa em setembro, um funcionário teria hackeado senhas de colegas que atuavam em investigações estratégicas.

- Até que ponto a segurança nacional foi afetada? O que estaria por trás de uma ação como essa? – questionou a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, autora do requerimento.

Vazamento de Valério vira arma contra Gurgel

Bancada do PT na Câmara pede ao Conselho Nacional do Ministério Público que investigue o vazamento do depoimento prestado por Marcos Valério à procuradoria-geral da República; audiência foi comandada por Claudia Sampaio, esposa de Roberto Gurgel; se Valério corria risco de ser assassinado, quem vazou o documento potencializou essa ameaça; advogado Marcelo Leonardo insinua que vazamento partiu da PGR

O Partido dos Trabalhadores e a Procuradoria-Geral da República travam uma guerra de vida ou morte. Na terça-feira, o PT sofreu o primeiro disparo, quando o jornal Estado de S. Paulo divulgou um depoimento secreto de Marcos Valério à PGR, numa audiência conduzida por Claudia Sampaio, esposa de Roberto Gurgel, e pela procuradora Raquel Branquinho. Nessa audiência, Valério relatou ter sido ameaçado de morte por Paulo Okamotto, braço direito do ex-presidente Lula. "Tem gente no PT que acha que a gente deveria matar você", teria dito Okamotto – o que foi negado por ele.

Nesta quarta, é o PT quem dá o troco. A bancada do partido na Câmara anunciou pedido para que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue vazamento do depoimento prestado por Marcos Valério em setembro. Existem apenas duas possibilidades: ou foi a PGR quem vazou ou foi o próprio Valério, tentando tumultuar o processo da Ação Penal 470, no qual foi condenado a 40 anos de prisão.

Caso a primeira hipótese seja verdadeira, a falha da PGR terá sido gravíssima. Valério dizia estar sendo ameaçado de morte. Ao tornar pública a revelação, o Ministério Público, em vez de protegê-lo, estaria potencializando a ameaça. Segundo insinuou o advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, o vazamento partiu do MP. "Eu não tenho nada a declarar sobre o conteúdo dessa matéria, porque cumpro meu dever profissional de sigilo. Tem pessoas que não cumprem. Elas arquem com as suas responsabilidades", afirmou Leonardo.

Esta seria a segunda tentativa do PT de enquadrar Roberto Gurgel. No relatório da CPI do caso Cachoeira, o relator Odair Cunha (PT-MG) sugeriu que o Conselho Nacional do Ministério Público investigasse a prevaricação de Gurgel no caso do ex-senador Demóstenes Torres, cuja investigação foi engavetada por dois anos. O relatório ainda não foi votado.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bomba na CPI: Policarpo, de Veja, será indiciado

Diretor da sucursal da revista em Brasília, o jornalista Policarpo Júnior é apontado pelo relator Odair Cunha (PT-MG) como integrante da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira; senadores da oposição tentam adiar apresentação do relatório; procurador Gurgel, também citado no relatório, é acusado de prevaricar no caso Demóstenes e de vazar depoimento secreto de Marcos Valério à revista Veja; clima vai esquentar

Brasília vai ferver nesta quarta-feira 21. Além de pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público que investigue o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do caso Cachoeira, guardou uma informação bombástica para a reta final da comissão: ele também vai propor o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal da revista Veja, em Brasília.

A informação foi confirmada ao 247 por integrante da comissão e fará o clima esquentar no Congresso. Parlamentares da oposição, como o senador Álvaro Dias, tentam impedir que a leitura do relatório seja feita nesta quarta-feira.

Chamado de “caneta” por integrantes da quadrilha, Policarpo comandou diversas reportagens de Veja feitas a partir de grampos clandestinos produzidos pela quadrilha do bicheiro. Para se defender da ligação íntima e comprovada entre a revista e um contraventor, o diretor Eurípedes Alcântara, publicou um manual de ética em que defendia a parceria com criminosos, desde que essa ligação atendesse ao interesse público – e não da fonte criminosa. No entanto, diversas reportagens publicadas em Veja atendiam aos interesses diretos de Cachoeira, como as que trataram da derrubada de integrantes do Ministério dos Transportes – onde a empreiteira Delta, de Fernando Cavendish, enfrentava dificuldades.

Segundo o relator da CPI, o esquema de Cachoeira não teria o mesmo êxito se não contasse com um braço midiático tão poderoso. De Veja, pode-se aguardar a resposta padrão: o pedido de indiciamento de Policarpo será uma retaliação do PT à revista, diante do papel exercido pela publicação – e pela imprensa livre – no combate à corrupção.

Os próximos capítulos tendem a ser ainda mais quentes. Até porque Roberto Gurgel é suspeito de vazar para a própria Veja um depoimento secreto de Marcos Valério contra o ex-presidente Lula.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Collor põe Roberto Gurgel na lona [vídeo do discurso do Senador Fernando Collor]


Collor acusa Roberto Gurgel de vazar à 'Veja' depoimento de Marcos Valério

Em discurso nesta segunda-feira (12), o senador Fernando Collor (PTB-AL) voltou a criticar a atuação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a quem chamou de “prevaricador”. Segundo Collor, o próprio Gurgel teria vazado à revista Veja as informações sigilosas do depoimento que o publicitário Marcos Valério teria prestado ao Ministério Público em setembro, e cujo conteúdo teria rendido a matéria que estampou a capa da publicação no mesmo mês.

Segundo Collor, a entrevista de Marcos Valério à Veja nunca existiu, porque as informações colhidas foram vazadas “por ninguém menos do que Roberto Gurgel Santos, procurador-geral da República e chefe maior do Ministério Público Federal” por ocasião do novo depoimento prestado.

- Sua conduta [de Gurgel] cada vez mais o revela como mais um membro pernicioso de uma quadrilha arraigada com a imprensa marrom, especialmente pela preferência e acertos escusos dele com 'chumbetas' de Veja, sempre ela – disse.

Para ele, não é à toa que até agora a revista não divulgou e nem mostrou as gravações da entrevista, mesmo sabendo da quebra do acordo por parte de Marcos Valério, quando seu advogado Marcelo Leonardo, no dia seguinte à edição da matéria, negou as declarações de seu cliente.

Collor afirmou que "agora se sabe o real motivo do silêncio e da inércia" da revista Veja, a que chamou de "folhetim", perante a repercussão do que publicou e do “crime cometido contra os leitores” ao vender uma entrevista bombástica que, simplesmente, nunca existiu: foi baseada no vazamento de informações prestadas por Marcos Valério ao procurador-geral da República.

- Seu acordo, na verdade, é com o prevaricador-geral da República: Roberto Gurgel Santos. Prevaricador-geral. O vazamento de informações sigilosas, isso a revista não pode assumir, muito menos de quem partiu. Por isso, prefere continuar mentindo, blefando e chantageando, como é de seu costume – acusou.

Confirmado o vazamento à imprensa do conteúdo de um depoimento sigiloso por parte do chefe maior do Ministério Público, é preciso tomar providências, julgou o senador, lembrando o art. 325 do Código Penal segundo o qual constitui crime contra a Administração Pública, tipificado como violação de sigilo funcional, “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”. A pena prevista é de detenção de 6 meses a 2 anos. E mais, o §2° deste artigo diz ainda que, se da ação ou omissão resultar dano à Administração Pública ou a outrem, a pena passa para de 2 a 6 anos de reclusão.

Collor citou o caso de um procurador da República do Ministério Público de São Paulo, suspenso por 90 dias pelo cometimento de infração funcional quando divulgou informações protegidas por sigilo em entrevista coletiva. O senador disse esperar que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) tome alguma atitude ou, caso contrário, apresentará nova representação contra Gurgel.

Recondução

Fernando Collor também acusou Roberto Gurgel de perseguição ao conselheiro do CNMP Luiz Moreira ao tentar impedir a sua recondução ao cargo, “inclusive com o uso de dossiês falsos e documentos apócrifos destratando o conselheiro”.

- O Senado não pode e não deve se submeter aos interesses de nenhum outro órgão, menos ainda aos caprichos e ações políticas desse chefete daquela cafua, cujo principal objetivo é, tão somente, não ser investigado pelo controle interno do próprio Ministério Público. Trata-se de uma afronta à independência do Poder Legislativo.

Collor também questionou a "ousadia" do Ministério Público, que segundo ele quer pautar o Parlamento ao tentar impedir a votação da recondução do conselheiro. Segundo afirmou, atitudes como essa abalam a relação entre os poderes da República.

- Até quando suportaremos tamanho desrespeito à lei por parte do chefe maior da instituição que deveria defender os interesses da população? Ao contrário, comete crime de responsabilidade, crime de prevaricação, crime de improbidade administrativa, crime de vazamento de documentos, crime de perseguição política, crime de falsidade ideológica, chantagem – questionou.

Collor disse ser preciso impedir que “Gurgel e seus asseclas” continuem vazando informações em segredo de justiça por meio de um “conluio criminoso com jornalistas e veículos da imprensa marrom”, e o principal, descobrir quais interesses estão por trás desse modus operandi do procurador-geral da República. - Informações da Agência Senado

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Caso Valério: a mídia enreda-se nas próprias palavras

Eliane Cantanhêde, a colunista que não caiu no "ardil"
O falatório midiático conservador parece enredar-se nas próprias palavras, e as ameaças implícitas nas recentes “reportagens” que garantiam revelações mirabolantes por parte do publicitário Marcos Valério parecem minguar.  

Por José Carlos Ruy

De um lado, cresce a suspeita de que o depoimento secreto de Marcos Valério à procuradoria-geral da República teria sido vazado ao panfleto de direita paulistano, a revista Veja, pelo próprio procurador geral Roberto Gurgel, o mesmo a quem caberá o destino a ser dado à representação do PPS e do senador tucano Álvaro Dias contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apurações jornalísticas do portal 247 apontam nessa direção – a de que o "entrevistado" de Veja seria não Valério, mas o próprio Gurgel. E o senador Fernando Collor fortaleceu esta suspeita quando encaminhou ofício, na terça-feira (6), ao procurador Gurgel para que ele esclareça a data e o local em que a Procuradoria-Geral da República tomou o “depoimento secreto” de Marcos Valério. Collor deixou clara sua suspeita de uma ação circular: o procurador teria tomado o depoimento de Valério e vazado trechos à revista Veja, cujas reportagens ancoraram uma representação contra Lula que será avaliada pelo próprio Gurgel.

Nessa linha, mesmo uma colunista insuspeita de simpatias pelo ex-presidente Lula como Eliane Cantanhêde acredita que "denúncias giratórias" não parecem nada verdadeiras e podem não convencer o Supremo Tribunal Federal a favorecer Marcos Valério com o beneficio pretendido de abrandamento da pena, escreveu ela em sua coluna publicada na Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (8), intitulada apropriada e significativamente “Ardil”. São alegações que “carecem de provas e de oportunidade”, escreveu, “e, quando vão de Santo André a Marte e Saturno, perdem credibilidade a cada quilômetro percorrido rumo ao nada”. Segundo ela, “os ministros suspeitam que possa haver uma "estratégia ardilosa" por trás do que Valério tem dito, ora à Procuradoria, ora à revista Veja”, estratégia através da qual Valério estaria operando “um processo - ou uma tentativa - de procrastinação indefinida das condenações e prisões”, estratégia da qual outros condenados poderiam se beneficiar devido ao fato de que “novas revelações” podem gerar pedidos de vista e novos procedimentos judiciais capazes de empurrar para as calendas o cumprimento das penas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...