sábado, 6 de março de 2010

José Serra, Globo e o Programa "Praia Acessível" - Parte II

Cadeirantes mergulham com a ajuda da cadeira anfíbia
(Foto: Carolina Lauriano / G1)

Por DiAfonso*

Na postagem anterior, perguntou-se sobre as semelhanças e as diferenças entre as imagens nas quais se viam personagens envolvidos em dois louváveis projetos: o "Praia para todos" e o "Praia Acessível". O primeiro é uma iniciativa da ONG carioca ESPAÇO NOVO SER; o segundo tem o patrocínio do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

O que os faz semelhantes:

Embora o "Praia para todos" apresente uma proposta mais abrangente, como atividades de recreação, lazer e iniciação ao esporte adaptado, ambos os projetos pretendem, de um modo geral, proporcionar a acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência física às praias para um banho de mar assistido, eliminando as barreiras antes existentes. Além disso, há um caráter visível de integração e inclusão social nos dois programas, tornando-os dignos de menção e aplausos.

O que os diferenciam:

PROJETO "PRAIA PARA TODOS":
  1. é pioneiro no Brasil, conforme notícia publicada no Portal G1 [1];
  2. busca ampliar, como foi dito, a participação dos deficientes, oferecendo-lhes não apenas o banho de mar assistido, mas outras ações na área do desporto e lazer;
  3. não se limita às cadeiras de rodas denominadas "anfíbias", mas disponibiliza outros itens na infra-estutura, como rampas de acesso à areia, esteira para passagem das cadeiras de rodas, sinalização sonora e piso tátil para os deficientes visuais, banheiros adaptados e tendas [2];
  4. o projeto é patrocinado por uma empresa privada, a Michelan, e tem o apoio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e de outras entidades não públicas.
  5. é nítida a preocupação com a qualidade de vida dos portadores de deficiência física, integrando-os a esse ambiente de lazer e prática de esportes;
  6. não apresenta caráter eleitoreiro, uma vez que está sob a tutela da ONG ESPAÇO NOVO SER.


O projeto 'Praia para todos' inclui esteira de acesso à areia
(Foto: Carolina Lauriano / G1)

Deficiente usa cadeira adaptada para chegar ao mar
(Foto: Carolina Lauriano / G1) Programa


PROGRAMA "PRAIA ACESSÍVEL":
  1. não é pioneiro como quer fazer crer a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (do Governo do Estado de São Paulo) que anunciou ter o tal programa se iniciado em dezembro, "quando tivemos a ideia." [3];
  2. não se propõe a uma maior oferta de itens aos portadores de deficiência física, porquanto revela a disponibilização, apenas, de cadeiras de rodas ;
  3. não apresenta infra-estrutura que permita a inclusão de outros atrativos para os portadores de deficiência física no ambiente da orla;
  4. o programa é anunciado como se fosse uma "boa vontade" do Governo do Estado de São Paulo, quando, na verdade, é uma obrigação do poder público prover meios para a inclusão social dos cidadãos, propiciando-lhes qualidade de vida;
  5. o caráter demagógico se desnuda ao se verificar que se deixou para lançar o Programa "Praia Acessível" em pleno feriadão de carnaval, tendo o chefe do executivo, inclusive, se lançado ao mar de tênis, camisa e bermuda com uma cadeirante.
Cabe aqui reafirmar que, do ponto de vista da iniciativa, os dois projetos estão de parabéns. Entretanto, a forma como a execução deles é apresentada gera reflexões interessantes.

Na próxima postagem, tratarei de minhas ilações quanto à presença da Globo na repercussão desse evento.

*Editor-geral do Terra Brasilis

[1] Sobre a matéria publica no Portal G1, clique AQUI.
[2] Para se inteirar da abrangência do Projeto "Praia para Todos", clique AQUI.
[3] Para ler as informações da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, clique AQUI.

Para ler a Parte I, que compõe este tema, clique AQUI.

5 comentários:

zcarlos disse...

Cumpadi, excelente artigo. Parabéns!
Grande abraço.

ruth iara disse...

Muito boa a inclusão social. Essa inclusão não deve incluir animais que depositem fezes na areia e nas águas provocando doenças nos banhistas. Com toda a consideração que tenho pelos animais acredito que as praias devam ser locais onde cuidamos muito da limpeza, não jogando lixo na praia e cuidando para que não haja praias que são puro esgoto.
Ps. Os idosos precisam também de ajuda para tomarem banho de mar em muitos casos.

Orlando & Crônicas disse...

Olá, Di!

O Zé Alagão não precisaria da Praia Grande.
O Jardim Romano fica bem mais próximo.
Além de cadeiras, demonstraria toda "imaginação" e "competência" se lançasse tembém, carros anfíbios desobrigados do pagamento de pedágios...
Abraços,
Orlando.

DiAfonso disse...

Cumpadi ZCarlos, obrigado pelo comentário. Estou tentanto terminar a postagem, mas o meu contratado (worldnet) não está respeitando o contratado. Alegam que a instabilidade na rede "vai estar sendo resolvida" (precisa dessa locução verbal toda?!?! rsrs), mas nunca "está sendo resolvida" (aproveito a embalagem... ) "Modos que" estou postando a conta-gotas...

Grande Abraço, Cumpadi!

ps. Tenho algo a lhe perguntar e todas as vezes esqueço. Mas agora, lembrei. Você conhece Brusque?

Cumadi Ruth, bom dia!

Certamente, afastar os animais das praias é um princípio elementar. Os bichinhos que gostam de banho de mar, devem tomar, mas com os devidos cuidados de seus donos para que não haja possibilidade de transmissão de doenças.

Abração extensivo à sua família!

DiAfonso disse...

Olá, Cumpadi Orlando... rsrsrs Sem dúvida, o Zé Alagão precisa muito mais do que cadeiras de rodas "anfíbias"... automóvel, ônibus, "bicicreta" e "indicetra e tá"...

Grande Abraço, Cumpadi!

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