domingo, 21 de outubro de 2012

Editorial ISTOÉ: Serra é "Um candidato destemperado"

Carlos José Marques, diretor editorial

Até mesmo os correligionários repudiam a tática. O estilo chute na canela e soco no estômago que o candidato José Serra reedita como fórmula de confronto para vencer adversários a cada eleição da qual participa – não importando se para a presidência ou prefeitura – tem causado incômodo de toda espécie. O destempero verbal do tucano mais parece uma tentativa de esconder a ausência de propostas. E só aumenta o grau de rejeição cultivado por ele junto ao eleitorado. Em São Paulo, o nome de Serra já enfrenta a resistência de um a cada dois eleitores. Cerca de 50% do colegiado. Pessoas que dizem abertamente que não votam de jeito nenhum nele, segundo as pesquisas. Nas postulações por cargos, Serra costuma eleger uma bandeira de ataque. Contra a então oponente Dilma, em 2010, lançou a polêmica do aborto. Agora volta à ofensiva para desconstruir o opositor Fernando Haddad na disputa municipal falando do que ficou conhecido como “kit gay”. Serra alega que, enquanto ministro da Educação, Haddad foi responsável pela ideia dentro do governo. O kit não chegou a ser distribuído, por determinação da presidenta Dilma, mas mesmo assim gerou muita polêmica. Ocorre que também Serra escorregou no tema quando, em sua gestão no governo de São Paulo, em 2009, lançou uma cartilha anti-homofobia. A questão foi levantada nos programas do horário eleitoral e o bate-boca virou a tônica, afastando de vez as chances de uma campanha programática. Em ritmo de queda de popularidade, Serra partiu para a guerra na base da baixaria acusando o adversário de estimular o bissexualismo. Haddad respondeu falando em intolerância. No ninho dos tucanos não foram poucos os que levantaram a voz contra a linguagem de Serra. O ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo. Para ele, a campanha de Serra “flerta com o conservadorismo”. FHC queixa-se ainda da postura do aliado em não aceitar conselhos. O ex-ministro da Justiça e também parceiro partidário, José Gregori é taxativo: “O velho Serra, nessa altura da vida, não mudou.” Mesmo um amigo próximo como o ex-governador Alberto Goldman disse que não alimentaria o debate sobre “kit gay”. Serra não foi abandonado no próprio barco, mas a nau parece à deriva, sem boas ideias para enfrentar a tempestade das urnas. 

2 comentários:

Anônimo disse...

A Isto É é da Globo... então já, já, o Serra pede a cabeça do jornalista. Alguém duvida?

Diógenes Afonso disse...

Eu NÃO duvido... rsrs

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