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domingo, 27 de março de 2016

Mino: será Moro da CIA?


Os russos sabem...

A perspicácia do Mino Carta é certeira.

Nesse vídeo postado no site da Carta Capital, ele resume brilhante artigo que publica na edição impressa da revista, onde se destaca, também, a entrevista do Ministro Aragão, que não deve deixar dúvida nesses delegados aecistas.

Mino lembra que estudaram nos Estados Unidos técnicas jurisdicionais para combater os petistas o Juiz Moro, os promotores Santos Lima – que foi horizontal no Banestado e é vertical na Lava Jato -, e aquele outro que opera no wi-fi de Deus, o Dallagnol, que quer baixar um AI-5 próprio, seu, exclusivo, para acabar com a corrupção do PT.

Claro, que para os hipócritas só interessa a do PT, porque na hora em que o Marcelo Odebrecht pegou o Aecím e o Padim Pade Cerra, aí, o Dallagnol reagiu, na hora: esse não pode delatar! Não vem ao caso!

O Conversa Afiada, modestamente, já tinha tratado desse “intercâmbio” do Juiz Moro com o Departamento de Estado americano.

O Conversa Afiada já tinha contado também fato de extrema gravidade.

Em conversa com um ministro russo da mesma pasta, um ministro brasileiro ouviu:

O serviço de Inteligência russo, como se sabe, é muito competente.

Onde a CIA vai, a Rússia vai atrás.

Os americanos foram para a tríplice fronteira Brasil, Paraguai, Argentina, atrás dos terroristas.

A Rússia foi atrás.

E já que estava em Foz do Iguaçu, começou a investigar as entranhas do Banestado.

E agora acompanha vivamente as entranhas da Lava Jato.

Caro amigo ministro brasileiro, isso não passa de uma operação da CIA para boicotar e arruinar o pré-sal brasileiro, antes de entrega-lo aos americanos.

O ministro brasileiro contou essa historia à Presidenta Dilma e não sabe o que se sucedeu depois disso.

Sobre a matéria, não deixar de ler o impressionante relato do grande brasileiro Guilherme Estrella, o homem que descobriu o futuro do Brasil

Esse Mino…

Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A sujeira da CIA passada a limpo


A jornalista francesa Marie-Monique Robin fez um documentário interessante: Esquadrões da morte: a escola francesa. De acordo com seu trabalho de garimpagem científica, aprendemos que a França formou a verdadeira escola de tortura tipo exportação. O terreno de aprendizagem francesa – ou seja, de cobaias – foram os argelinos que lutavam pela libertação. Oficiais das três forças armadas testemunham neste documentário, tecendo uma realidade há tempos ocultada aos meios de comunicação.

Sabia-se que o filósofo militante Albert Camus havia assumido a causa da libertação na Argélia e que o pensamento político e filosófico francês levou muitos decênios para defender a causa argelina. Jean-Paul Sartre, por exemplo, que não gostava de Camus, preferia reafirmar seu comunismo ideológico entre quatro paredes, jamais na militância de uma causa política. Ainda porque a França não queria entregar a Argélia, era preciso continuar o ciclo da colonização. Mas Camus morreu antes da libertação argelina. Ha tempos, soubemos da influência americana nos golpes de Estado de todos os países da América do Sul. Entretanto, Robin descreve que a experiência e a prática francesas de jogar pessoas de pés e mãos atados no mar não é invenção dos oficiais argentinos e as piores crueldades cometidas contra a resistência são um aprendizado made in France. No país dos direitos humanos, onde Helder Câmara discursou em maio de 1970 denunciando os abusos militares no Brasil, tudo era repassado aos donos do poder e do medo no Brasil.

Guerra Suja da CIA

Sabe-se, no entanto, que os EUA tinham bases no Panamá com o intuito de “ideologizar e doutrinar” os militares brasileiros e sul-americanos contra o perigo comunista. Os experts franceses eram convidados especiais para ensinar táticas de interrogatório e estiveram no Brasil, no Chile e na Argentina. O desaparecimento de líderes da oposição foi inaugurado pelos franceses na batalha da Argélia. A França criou os esquadrões da morte. Desta forma, os sociólogos franceses Yves Dezalay e Bryant Garth, no livro La mondialisation des guerres de palais, confirmam que os EUA tiveram papel importante a partir de 1950 no Brasil, Chile e Argentina, no interesse de investir na educação superior. De fato, alguns chilenos foram premiados com vagas nas melhores universidades americanas e depois ocuparam cargos importantes na ditadura de Pinochet. O objetivo americano, de acordo com Dezalay e Garth, era mergulhar nas ajudas filantrópicas, como as fundações Rockefeller e Ford, geradas no início pela CIA. A Fundação Ford rompe com a CIA e se torna uma força de oposição.

A inteligência americana derrubava governos em nome do interesse financeiro e político. O chefe da CIA era sempre o presidente americano. Por trás desta cortina de aparência cortês estava a guerra-fria. Um exemplo macabro nos lembra a eleição de Jacobo Arbenz na Guatemala de 1953. O pano de fundo da eleição de Arbenz era a reforma agrária porque 2,2% dos proprietários rurais detinham 70% das terras cultiváveis. A Guatemala era a maior produtora de banana e frutos tropicais, pertencentes aos irmãos John Foster Dulles e Allen Dulles. Eles eram sócios majoritários das ações da United Fruit Company. Mas os brothers Dulles ocupavam cargos importantes no governo Eisenhower e as terras monopolizadas por americanos não seriam nacionalizadas. No lugar de Arbenz, Allen Dulles, então diretor da CIA, colocou uma junta militar na responsabilidade de um amigo fantoche. A ditadura militar matou na Guatemala centenas de milhares de camponeses. Alguns anos mais tarde, Cuba sofreria as mesmas investidas da CIA e Fidel Castro teria escapado de mais de vinte tentativas de assassinato.

Imprensa engessada

Não é de hoje a história do controle dos meios de comunicação. A revista Time não deu nenhum crédito sobre a responsabilidade americana no complô da Guatemala. Já o New York Times foi menos cínico, de acordo com William Blum, e deixou correr os rumores de golpe indicando que aquilo não fora uma reunião sindical de líderes comunistas. Hoje, a imprensa pena para encontrar as razões da existência dos talibãs no Afeganistão. O mundo pira com a ideologia do bem e do mal, mas segundo os ex-diretores da CIA tudo aquilo é obra da inteligência americana. A contraespionagem da CIA criou os grupos de resistência afegã contra a invasão russa de 1979, armou os rebeldes da mesma forma como fez a CIA de Ronald Reagan com os contras da Nicarágua.

O resultado pró-americano é que Osama bin Laden foi cooptado para ser espião ao lado do bem nos EUA, desertou e dizem que destruiu as duas torres gêmeas. O que aqui escrevi é apenas uma pincelada da história em que a tão potente imprensa ficou engessada dos pés à cabeça. Os oficiais franceses da batalha da Argélia não permitiram que se guardassem arquivos e um dos únicos resquícios desse período é o filme ítalo-argelino boicotado pelos meios de difusão cinematográfica.

Mario Doraci Pinheiro é jornalista, radicado na França, mestre em Sociologia da Comunicação 

Fonte: Observatório da Imprensa

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Imprensa brasileira recebeu recursos para fomentar Golpe de 64, revela historiador a serviço da CIA

Imprensa brasileira recebeu recursos da CIA para fomentar o golpe de 64, revela historiador a serviço da própria Central de Inteligência. Ontem, vínculos com a CIA; hoje, com Carlinhos Cachoeira….

Historiador a serviço da CIA revela como ideias e recursos dos Estados Unidos seduziram a imprensa brasileira nos anos 1950 e semearam o golpe 

MAURO SANTAYANA

Há 48 anos, quando o Brasil vislumbrava reformas constitucionais necessárias a seu desenvolvimento, os Estados Unidos financiaram e orientaram o golpe militar. E interromperam uma vez mais um projeto nacional proposto em 1930 por Vargas. Os acadêmicos podem construir teses sofisticadas sobre a superioridade dos países nórdicos para explicar o desenvolvimento da Europa e dos norte-americanos e as dificuldades dos demais povos em acompanhá-los, mas a razão é outra. Com superioridade bélica, desde sempre, impuseram-se como conquistadores do espaço e saqueadores dos bens alheios, os quais lhes permitiram o grande desenvolvimento científico e militar nos séculos 19 e 20 e sua supremacia sobre o resto do mundo.

Podemos ver a origem do golpe de 1964 mais próxima uma década antes. Em 1953, diante da resistência de Getúlio, que quis limitar as remessas de lucros e criou a Petrobras e a Eletrobrás para nos dar autonomia energética, a ação “diplomática” dos Estados Unidos cercou o governo. Com o aliciamento de alguns jornalistas e dinheiro vivo distribuído aos grandes barões da imprensa da época, construiu a crise política interna. Entre a lei que criou a Petrobras e a morte de Getúlio, em 24 de agosto de 1954, o Brasil viveu período conturbado igual aos três anos entre a renúncia de Jânio e 1964.

A propósito do projeto de Getúlio, seria importante a tradução no Brasil de um livro no qual essa operação é narrada em detalhes: The Americanization of Brazil – A Study of US Cold War Diplomacy in The Third World, 1945-1954. Um estudo sobre a diplomacia americana para o Terceiro Mundo em tempos de Guerra Fria. O autor, Gerald K. Haines, é identificado pela editora SR Books como historiador sênior a serviço da CIA, o que lhe confere toda a credibilidade.

Haines mostra como os donos dos grandes jornais da época foram “convencidos” a combater o monopólio estatal, até mesmo com textos produzidos na própria embaixada, no Rio. E lembra a visita ao Brasil do secretário de Estado Edward Miller, com a missão de pressionar o governo a abrir a exploração do petróleo às empresas norte-americanas. O presidente da Standard Oil nos Estados Unidos, Eugene Holman, orientou Miller a nos vender a ideia de que só assim o Brasil se desenvolveria. Mas o povo foi às ruas e obrigou o Congresso a impor o monopólio.

A domesticação dos meios de informação do Brasil começara ainda no governo Dutra. Os americanos usaram as excelentes relações entre os intelectuais e jornalistas e o embaixador Jefferson Caffery, nos meses em que o Brasil decidira por aliar-se aos Estados Unidos na luta contra o nazifascismo, em benefício de sua expansão neocolonialista.

A criação da Petrobras levou os ianques ao paroxismo contra Vargas, e os meios de comunicação acompanhavam a histeria americana. A estatal era vista como empresa feita com o amadorismo irresponsável dos ignorantes.

A morte de Vargas não esmoreceu os grupos que tentaram, em 11 de novembro do ano seguinte, impedir a posse de Juscelino. O golpe de Estado foi frustrado pela ação rápida do general Teixeira Lott. Em 1964, a desorganização das forças populares favoreceu a vitória dos norte-americanos, que voltaram a domesticar a imprensa e o Parlamento e manipularam os chefes militares brasileiros.

Os êxitos do governo atual e a nova arregimentação antinacional contra a Petrobras – agora com o pré-sal – devem mobilizar os trabalhadores que não estão dispostos a viver o que já conhecemos. Sabem que a situação internacional tende para a direita, e não podemos repetir apenas que o povo esmagará os golpistas. É necessário não só exercer a vigilância, mas agir, de forma organizada e já, para promover a unidade nacional em defesa do desenvolvimento de nosso país.

LEITURA COMPLEMENTAR:

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Site da CIA volta ao ar após suposto ataque do grupo Anonymous


Anonymous não explicou até agora por que atacou o site da agência de inteligência norte-americana

O site da CIA, agência de inteligência norte-americana, já voltou ao ar após ter sofrido um possível ataque do grupo de hackers Anonymous na sexta-feira (10).

Apesar de ainda não estar confirmada oficialmente a autoria do ataque, o grupo de hackers anunciou, através do Twitter, que iria bloquear a página da CIA.

"CIA Tango down (eliminada)", disse um membro do Anonymous em @YourAnonNews, uma conta do Twitter utilizada pelo grupo. "Tango Down" é uma expressão utilizada pelas Forças Especiais dos Estados Unidos quando eliminam um inimigo.

Um porta-voz da CIA afirmou que "estão estudando as informações" a esse respeito. Os membros do Anonymous também afirmaram ter atacado o site camimex.org.mex, que pertence à Câmara Mineira do México. O site permanecia inacessível na sexta-feira.

Esses ataques ocorreram em represália pelo fechamento por parte dos Estados Unidos do site de troca de arquivos Megaupload.

O Anonymous não explicou até agora por que atacou o site da CIA e da Câmara Mineira mexicana.

A maior parte dos ataques cibernéticos desse grupo de hackers são de negação de serviço, nos quais um grande número de computadores recebe a ordem a visitar um site ao mesmo tempo, sobrecarregando seus servidores.

Último Segundo com informações da AFP e EFE

domingo, 6 de novembro de 2011

CIA Admite que Monitora Redes Sociais e Chats no Mundo Todo


Aproveitando a oportunidade... CIA, isso é para você!!!!

Agência de Inteligência dos EUA emprega centenas de analistas atrás de pistas sobre o 'humor' da população local e reações ao país.

A CIA – a agência de inteligência dos EUA – monitora as redes sociais no mundo todo em busca de ameaças à segurança do país ou mesmo sobre o 'humor' da opinião local, revela reportagem da agência AP nesta sexta (4).
Instalada em um galpão industrial em local secreto, a equipe da agência, apelidada de "bibliotecários vingativos", acompanha 5 milhões de tuítes por dia, além de Facebook, jornais, canais de notícias de TV, estações de rádio no mundo todo, salas de chat na internet etc.
De acordo com a reportagem, do árabe ao mandarim, a partir de um tweet irado a um blog reflexivo, os analistas colhem informações e as cruzam com jornais locais ou até conversas telefônicas interceptadas clandestinamente. A partir daí, desenham um cenário sobre a quantas anda a percepção sobre os EUA naquele país ou mesmo o grau de satisfação da população.
A equipe previu, por exemplo, a chamada "Primavera Árabe" no Egito. "Vimos que as redes sociais em lugares como o Egito poderiam tornar-se uma ameaça ao regime", disse Doug Naqim, diretor do chamado Centro Open Source da CIA.
O trabalho começou por recomendação do Congresso americano, após os ataques de 11/09. Hoje, reúne centenas de analistas (o número exato é segredo), que estudam do acesso à web na China ao humor nas ruas do Paquistão.
De acordo com a reportagem, embora a maioria dos analistas esteja na Virgínia, há "fuçadores virtuais" em embaixadas americanas no mundo todo.
O centro começou a focar-se em mídias sociais, depois de ver a reação dos usuários do Twitter contra o regime iraniano após o contestado resultado das eleições de 2009 naquele país, com a reeleição Mahmoud Ahmadinejad.
Depois que Bin Laden foi morto no Paquistão em maio, a CIA seguiu o Twitter para dar à Casa Branca um instantâneo da opinião pública mundial. O presidente Barack Obama recebe relatórios do grupo quase que diariamente, diz o texto.
A maioria dos tweets em urdu, a língua do Paquistão, e em chinês, foram  negativos aos EUA à época. Autoridades paquistanesas protestaram contra o ataque como uma afronta à soberania do país, um ponto que continua a complicar as relações entre os países.
O centro também está comparando os resultados de suas observações em mídia social com as pesquisas de opinião, para gerar resultados mais precisos, disse Naquin à AP.
Sites como Facebook e Twitter também se tornaram um recurso fundamental para seguir uma crise, como os motins que se alastraram em Bangkok (Tailândia) em abril e maio do ano passado.

Por Redação do IDG Now!

NO Cachete

sábado, 8 de outubro de 2011

Aviões-robô da Força Aérea Americana São Infectados por Vírus

De acordo com reportagem da revista Wired, drones Predator e Reaper foram contaminados com um malware que registrou os comandos enviados pelos militares.

Um vírus de computador infectou o cockpits dos aviões não-tripulados (drones) Predator e Reaper, registrando todos os comandos enviados para essas naves, usadas em missões de combate no Afeganistão, Iraque e outros lugares.
Segundo reportagem da Wired, o vírus, detectado há quase duas semanas pelos militares, não impediu as operações no exterior. Também parece não ter havido vazamento de dados. No entanto, o malware tem resistido ao esforço para limpá-lo do computadores da base da Força Aérea Creech, em Nevada (EUA).

Predator
Avião-robô Predator, controlado remotamente

"A gente o remove, mas ele continua voltando", disse uma fonte familiarizada com a infecção à revista. "Achamos que é benigno, mas simplesmente não sabemos."
Especialistas em segurança de redes militares não têm certeza se o vírus foi introduzido intencionalmente ou por acidente – pode tratar-se de um malware comum que se infiltrou pela rede. Eles também não sabem o quão longe a praga se espalhou. Mas é certo que a infecção atingiu máquinas que guardam dados comuns e outras com informações secretas. Logo, em tese, pode ser que segredos militares tenham sido enviados para o exterior.
Os chamados drones são controlados à distância, e permitem atacar e espionar inimigos sem arriscar soldados. Desde que Obama assumiu a presidência dos EUA, uma frota com cerca de 30 aviões destes, dirigida pela CIA,  atacou alvos no Paquistão mais de 230 vezes; ao todo, mataram mais de 2.000 supostos militantes e civis, de acordo com o jornal Washington Post.
Mais de 150 Predator e Reaper, sob controle da Força Aérea, voam no Afeganistão e no Iraque. Drones foram usados em 92 ataques na Líbia, entre meados de abril e final de agosto.
Mas, apesar dessa importância estratégica, os sistemas dos drones são conhecidos por falhas de segurança. Muitos não codificam o vídeo enviado para as tropas em terra. Em 2009, os EUA descobriram "dias e dias e horas e horas" de filmagens em laptops de insurgentes iraquianos. Um software de 26 dólares permitiu a eles gravar as transmissões.

Drives externos


A maioria das missões dos drones são comandadas na base de Creech, no deserto de Nevada, a partir de salas chamadas GCS - Estação de Controle em Terra.
Teoricamente, nenhuma das naves está conectada à Internet pública, portanto, imune às ameaças da rede.
No entanto, o uso de drives removíveis acabou resultando na infecção de redes militares por vírus. Em 2008, por exemplo, milhares de máquinas do Departamento de Defesa foram contaminadas com o worm agent.btz, introduzido por um pendrive contaminado. Três anos depois, o Pentágono ainda está limpando o malware.
As equipes dos drones usam HDs externos para fazer updates nas naves e transportar os vídeos. Ao que tudo indica, foi por aí que o vírus entrou. Agora, estão todos proibidos de usar esses drives removíveis.
Técnicos estão tentando se livrar do vírus, mas não tem sido fácil, diz a reportagem. No início, seguiram instruções de remoção publicadas no site da Kaspersky. "Mas sempre volta", disse uma fonte à revista. O jeito foi usar uma ferramenta para formatar os HDs dos controladores e recomeçar tudo do zero.
A Força Aérea dos EUA não quis comentar o assunto. "Está dando muita atenção a ele", disse a fonte. "Mas ninguém está em pânico. Ainda. "


Fonte: IDG Now!


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Opinião dO Cachete:

Já pensou na merda que isso pode dar??? Um Drone infectado distribuindo tiros para todos os lados???

sábado, 3 de setembro de 2011

Documentos revelam ligação entre CIA e Kadafi

Norte-americanos enviaram prisioneiros para serem interrogados e britânicos fizeram discurso para ex-líder ler sobre armas


Os serviços de inteligência americanos e britânicos cooperaram estreitamente com os do coronel Muamar Kadafi, e a CIA chegou inclusive a entregar prisioneiros para que fossem interrogados, afirmaram diversos jornais neste sábado.

Os jornais britânico The Independent e norte-americanos Wall Street Journal e New York Times tiveram acesso a arquivos encontrados em um edifício dos serviços secretos líbios em Trípoli pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

Durante o governo do ex-presidente George W. Bush, a CIA entregou supostos terroristas ao regime de Kadafi, aconselhando as perguntas que os líbios deveriam fazer a eles, escreve o Wall Street Journal, citando documentos encontrados na sede da agência de segurança exterior líbia.

Em 2004, a CIA tinha inclusive uma "presença permanente" na Líbia, segundo uma nota de um funcionário de alto escalão da agência de inteligência americana, Stephen Kappes, enviada ao chefe dos serviços secretos líbios na época, Mussa Kussa. A nota começa com um "Querido Mussa" e está assinada com o nome "Steve", o que permite deduzir as estreitas relações mantidas pelos dois serviços, afirma o Wall Street Journal.

Outros documentos revelam que EUA e Reino Unido atuaram em nome da Líbia nas negociações deste país com a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA). Há detalhes da visita a Trípoli do então primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, cujo escritório solicitou que a entrevista com Kadafi acontecesse em uma tenda de campanha.

De acordo com o New York Times, em pelo menos oito ocasiões a CIA enviou prisioneiros suspeitos de terrorismo à Líbia. A mesma fonte indica que, em troca, os líbios solicitaram à CIA que localizasse Abu Abdullah Al Sadiq, um líder opositor.

Em março de 2004, a CIA respondeu que estava tentando localizá-lo, segundo documentos que figuram no arquivo sobre a agência americana encontrado em Trípoli. Um funcionário americano citado pelo jornal lembra que nesta época a Líbia tentava romper seu isolamento diplomático com o Ocidente. De acordo com as notas encontradas em Trípoli, os serviços secretos britânicos também ajudaram a redigir o discurso em que Kadafi anunciava renunciar às armas de destruição em massa.

O ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, não quis comentar neste sábado informações "que remontam à época de um governo anterior" (o de Tony Blair). Não posso fazer nenhum comentário sobre o assunto dos serviços secretos", indicou à Sky News. Por sua vez, o departamento de Estado americano, contactado pela AFP em Washington, negou-se a comentar estas informações.

Mussa Kussa, chefe dos serviços secretos líbios de 1994 a 2009 e depois ministro das Relações Exteriores, fugiu para Londres no dia 30 de março, onde permaneceu por alguns dias antes de viajar para o Qatar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PAQUISTÃO: 168 crianças assassinadas pela CIA

Controlados à distância, os ataques aéreos com aviões não tripulados da CIA são a opção dos governos Bush e Obama para driblar a lei que não permite os seus soldados em território paquistanês. O dano colateral: 168 crianças assassinadas


Por Chris Woods, do Bureau of Investigative Journalism

O Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, identificou relatos sobre 168 crianças assassinadas – 44% dos 385 civis mortos – em sete anos de ataques de aviões não tripulados, pilotados remotamente pela CIA, em áreas tribais do Paquistão.

O paquistanês Din Mohammad, por exemplo, teve a má sorte de ser vizinho, na região de Danda Darpakhel, no Waziristão do norte, de supostos militantes da rede Haqqani, um grupo insurgente que luta contra as forças americanas no vizinho Afeganistão.

No dia 8 de setembro de 2010, mísseis destruíram a casa dos supostos militantes, matando seis deles. Um dos mísseis atingiu também a casa de Din Mohammad matando o filho, estudante em um colégio militar no Waziristão, duas filhas e o sobrinho, todos em idade escolar.

Embora os repórteres de campo do Bureau tenham identificado detalhes deste ataque, os EUA negam que civis tenham sido mortos na campanha militar naquele país.

Bush: 112 crianças mortas

O maior número de mortes de crianças pertence ao governo de George Bush. São 112 menores de 17 anos assassinados. Durante os ataques, morriam muitas crianças. Em apenas um deles, foi registrada a morte de uma única criança.

No dia 28 de julho de 2008, por exemplo, os aviões sem tripulantes da CIA atingiram um seminário no Waziristão do sul, matando o expert em armas químicas da Al Qaeda, Abu Khabab al Masri e a sua equipe.

O ataque, considerado um sucesso, também vitimou três jovens rapazes e uma mulher. Apesar do segredo em torno dessa guerra por controle remoto, detalhes já haviam surgido em maio deste ano, revelando que não apenas os EUA sabiam deste tipo de “dano colateral”, mas que o chefe da CIA, Michael Hayden, pediu desculpas pelo erro pessoalmente ao primeiro ministro paquistanês Yusuf Raza Gilani.


Num colégio religoso, um dos piores ataques

Em 20 de outubro de 2006, num dos piores incidentes de toda a campanha militar norte-americana e um dos menos noticiados pela imprensa, 80 civis – sendo 69 crianças – foram mortos num ataque da CIA a uma escola religiosa, em Chenegai, na localidade de Bajaur Agency.

O suposto alvo era o diretor da escola, um militante conhecido. Relatos dão conta de que helicópteros militares paquistaneses ajudaram, tardiamente, no ataque a escola.A mais jovem das crianças mortas tinha apenas sete anos. O veterano jornalista da BBC, Rahimullah Yousufzai, relembrou a cena. “As pessoas estavam devastadas. Conheci um pai que havia perdido dois dos seus filhos.

Ele era muito paciente, e falava que fora esta a vontade de deus, mas estava claramente traumatizado”.O exército paquistanês assumiu o ataque para si, mas com as notícias que se espalhavam e com protestos que paralisaram o comércio em toda região a história mudou.

O jornal britânico Sunday Times publicou um depoimento de um assessor do então presidente do Paquistão, Pervez Musharraf: “Nós pensamos que seria menos prejudicial se disséssemos que fizemos o ataque em vez dos EUA. Mas houve um grande dano colateral, e tivemos que pedir aos americanos para não fazerem mais isso”.

Na semana seguinte aos ataques, o jornal The News publicou os nomes e os vilarejos de cada uma das 80 vítimas. 69 delas tinham 17 anos ou menos.

De acordo com uma fonte ouvida, uma das vítimas tinha apenas 7 anos; três tinham 9; uma tinha 10; quatro tinham 11; outras quatro tinham 12; oito tinham 13; seis tinham 14; nove tinham 15; dezenove tinham 16; doze tinham 17; três tinham 18; três tinham 19; e somente dois tinham 21 anos.

O jornalista Yousufzai não tem dúvidas de que o ataque foi obra da CIA: “tenho certeza absoluta de que esse ataque foi feito por aviões não tripulados dos EUA, baseado no que ouvi de testemunhas e nos comentários subsequentes de oficiais do governo do Paquistão”.

Obama: 56 crianças mortas

O Bureau identificou 56 crianças assassinadas durante o seu mandato – embora, nos últimos meses, tenha se constatado a redução do número de vítimas.

O filho de 8 anos de Maezol Khan perdeu a vida em 14 de fevereiro de 2009, após sua casa ser atingida por engano num ataque que visava seus 25 supostos vizinhos militantes.

Os estilhaços dos mísseis mataram o menino enquanto dormia. “Como os EUA podem invadir nossas casas quando estamos dormindo, e alvejar as nossas crianças?”, desabafou Maezol.

Segundo relatos, em 11 de agosto de 2009 outro incidente vitimou crianças e mulheres, num ataque a um suposto complexo do Talibã que matou até 25 pessoas.

Dois anos mais tarde, Arshad Khan, um jovem sobrevivente desse ataque, preso sob custódia da polícia paquistanesa, disse à imprensa que o complexo era um campo de treinamento para homens-bombas adolescentes. Ele identificou quatro vítimas jovens.Contou ainda que foi recrutado sem saber que seria um homem-bomba.

Ao falar sobre as vítimas menores de 17 anos, a porta-voz da Unicef para a região sul da Ásia, Sarah Crowe, afirmou que “até mesmo uma morte de criança por aviões não tripulados é demais. Crianças não deveriam estar no meio de uma guerra e os dois lados deveriam fazer o máximo parta protegê-las de ataques violentos a qualquer hora”.

Queda nas mortes

Há indícios de que o governo Obama se esforça para reduzir o número de crianças atingidas. Após os incidentes de setembro de 2010 que mataram os filhos de Din Mohammad e semanas antes outras três crianças, houve uma queda no número de vítimas fatais menores de idade.

Em parte, isso corrobora a afirmação de oficiais de inteligência dos EUA de que houve uma mudança na estratégia usada pela CIA para reduzir as mortes de civis atingidos pelos aviões não tripulados.

Embora o Bureau tenha provado que a posição oficial da CIA – de que há “zero vítimas civis” – é falsa, a realidade é que o número de mortes diminuiu desde agosto de 2010.

Além de duas menções vagas a “crianças mortas”, um estudante de 17 anos morreu em novembro do ano passado. De acordo com pesquisadores do Bureau, no dia 22 de abril deste ano, dois aviões destruíram uma hospedaria em Spinwan, no Waziristão do norte, resultando na morte do menino Atif, de 12 anos.

“Todas essas crianças são agentes de recrutamento para militantes na área. Quando você mostra às pessoas que crianças foram mortas nos ataques aéreos, todos aqueles que não estão aliados às forças militantes vão para o outro lado. Isso é o que mais me preocupa como paquistanês”, diz Mirza Shahzad Akbar, advogado representante de famílias atingidas, em Islamabad.

Um oficial de contraterrorismo ouvido pelo Bureau negou que tantos civis tenham sido mortos e afirmou. “Ninguém está dizendo que o programa é perfeito, mas ainda é o mais preciso que já tivemos”.

Clique aqui para ler a reportagem original, em inglês. Versão em português editada por Thiago Domenici.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pentágono e CIA em íntima colaboração

A estratégia das guerras imperiais dos EUA implica uma colaboração cada vez mais profunda entre a CIA e o Pentágono. Com a total aprovação do Presidente Barack Obama, Premio Nobel da Paz.

Por Miguel Urbano Rodrigues*

O general David Petraeus despediu- se em Kabul das tropas de ocupação dos EUA com um discurso cauteloso. Vai assumir a direcção da CIA.


A cerimónia quase coincidiu com a despedida, nos EUA, do director CIA, Leo Panetta, transferido para secretário da Defesa.

Os media estadounidenses derramaram elogios sobre ambos.

Petraeus é apresentado como um estratego muito dotado, um soldado-intelectual, quase um pensador. Estudou em Princeton, é mestre em Relações Internacionais, leccionou em academias militares e escreveu ensaios e livros de que muitos falam e poucos leram. Em artigos apologéticos chamam-lhe «o pacificador do Iraque», não obstante a resistência à ocupação americana aumentar a cada mês naquele país.

Leo Panetta foi nomeado para dirigir o Pentágono como prémio pelo papel que desempenhou como cérebro e coordenador da operação concebida pela CIA para assassinar Bin Laden numa cidade do Paquistão.

Quando Petraeus assumiu o comando no Afeganistão após o afastamento do general Stanley Mc Chrystal- demitido por criticar Obama - fixou dois objectivos principais: ganhar a guerra e criar um exército afegão capaz de «garantir a segurança» no país. Nem um nem outro foram atingidos.

Transcorridos dois anos, as áreas sob controlo da Resistência aumentaram e os atentados terroristas são mais frequentes.

Respondendo a Petraeus, o seu substituto, general John Allen, pronunciou um discurso que caiu mal em Washington. Aconselhou civis e militares a não alimentarem ilusões. Esclareceu que «o terrorismo no país é uma realidade» e o horizonte se apresenta carregado de ameaças e desafios.

Quanto ao exército afegão, a esperança de Petraeus também não se confirmou. A realidade desmentiu as previsões. Até The New York Times reconhece que os soldados fogem ao combate, as deserções aumentam e a infiltração dos talibãs alastra, atingindo os comandos. O assassínio recente em Kandahar do irmão de Hamid Karzai por um homem da sua confiança comprovou essa evidência.

Nos comentários à ida de Petraeus para a CIA e de Panetta para secretario da Defesa, os media de referência estado-unidenses chamam a atenção para o facto de a decisão do Presidente Obama tornar transparente a intima colaboração hoje existente entre a CIA e o Pentágono.

No Afeganistão e no Paquistão a maioria dos bombardeios são agora realizados pelos drones, os aviões sem piloto. A guerra está a assumir um carácter cada vez mais electrónico. É a CIA a partir dos EUA quem define quase sempre os alvos a atingir. As operações são montadas em computadores, a milhares de quilómetros de distância das aldeias atacadas. O balanço dos «erros» é pesado: centenas de camponeses, mulheres e crianças têm sido abatidos nesses bombardeios criminosos.

Os governos afegãos e paquistanês, reflectindo a pressão popular, sentem a necessidade de denunciar essas chacinas. Porta-vozes do Exercito e da Força Aérea, rotineiramente, lamentam e anunciam a abertura de inquéritos rigorosos. Mas não há notícia de qualquer punição.

O general David Petraeus declarou que pretende aperfeiçoar o sistema. Como? Numa entrevista à Newsweek informou que vai reforçar a contratação de agentes e informadores da CIA em países da Ásia Central.

Entretanto, Obama aproveita todas as oportunidades para afirmar que os EUA vão honrar o compromisso de retirar as suas tropas do Afeganistão até final do próximo ano, transferindo as «suas responsabilidades» para as forças armadas daquele país. Não diz, porem, que os soldados norte-americanos estão a ser substituídos em ritmo acelerado por mercenários recrutados entre a escória social estadounidense e latinoamericana.

A nomeação do general Petraeus para director da CIA e a de Leo Panetta para secretário da Defesa confirmam o óbvio.

A estratégia das guerras imperiais dos EUA implica uma colaboração cada vez mais profunda entre a CIA e o Pentágono. Com a total aprovação do Presidente Barack Obama, Premio Nobel da Paz.

*Escritor português

Fonte: ODiário.info

terça-feira, 19 de julho de 2011

Entrevista Francis Boyle: "Obama mantém a mesma política de desaparecimento e tortura do governo Bush"

Por Thiago Barrozo, de Nova Iorque

A decisão do Tribunal Penal Internacional em emitir mandados de prisão contra o presidente líbio Moammar Gadhafi, seu filho Saif Al Islam e o chefe de Inteligência do país, Abdullah Al Sanussi, elevou os ânimos da Casa Branca e recebeu apoio imediato do governo norte-americano. Driblando a forte rejeição da opinião pública aos danos e custos de uma nova frente de batalha, os Estados Unidos têm apostado em entidades internacionais para lutar a guerra que, de acordo com o presidente Barack Obama, não existe.

A estratégia, no entanto, pode se transformar em um bomerangue. A afirmação é do professor de Direito Internacional da Universidade de Illinois, Francis Boyle. Em janeiro de 2010, Boyle entrou com um pedido de investigação no TPI contra o ex-presidente George W. Bush, o ex-presidente Dick Cheney, o ex-secretário de Defesa Donal Rumsfeld, o ex-diretor da CIA George Tenet, as ex-secretária de Estado Condoleezza Rice e o ex-procurador-geral Alberto Gonzales, acusados de defenderem uma política de crimes contra a humanidade. “O fortalecimento da autoridade do Tribunal Penal Internacional pode se transformar em um fantasma a assombrar a Casa Branca, já que a administração Obama mantém a mesma política de desaparecimento forçado de pessoas e tortura do governo Bush”, comenta Boyle em entrevista ao site da Caros Amigos. Confira.

Caros Amigos – Como o senhor avalia o posicionamento dos Estados Unidos em relação aos mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Moammar Gadhafi, Saif Al Islam e Abdullah Al Sanussi?

Francis Boyle – Este é um perigoso precedente para os Estados Unidos. Apoiar a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, quando a estratégia de contra-terrorismo defendida pelo presidente Barack Obama é sinônimo de crime contra a humanidade, pode funcionar como um bomerangue.

Caros Amigos – O que há de errado com a estratégia de contra-terrorismo do atual governo?

FB – Quando assinei os documentos pedindo investigação dos crimes cometidos pelo governo de George W. Bush, eu avisei ao promotor do Tribunal Penal Internacional que a administração Obama continuava promovendo a mesma política de crimes contra a humanidade. Eu disse a ele que a atual gestão segue praticando o desaparecimento forçado de pessoas e tortura. Além disso, há ainda os ataques aéreos de aviões não-tripulados que vitimizam civis inocentes no Paquistão e Afeganistão.

Caros Amigos - Por que o senhor não pediu também a investigação de Barack Obama?

FB – Infelizmente, há pouca evidência sobre estes casos até o momento. Como advogado, eu tenho a obrigação ética de pesquisar e coletar provas e fatos antes de entrar com qualquer ação legal contra Obama. O documento que assinei contra Bush tinha cerca de 90 páginas de pura evidência. De qualquer maneira, é óbvio que os crimes contra a humanidade existem. Por exemplo, David Petraus (atual general do exército norte-americano e futuro chefe da CIA) declarou publicamente ser a favor da prática de tortura. Este é um trabalho que demanda tempo e também uma tarefa muito difícil quando a mídia norte-americana não cumpre seu papel.

Caros Amigos – Onde a mídia norte-americana falha?

FB - De forma geral, a mídia norte-americana é muito pró-Obama, o que dificulta o vazamento de informações contra o governo. Esta falta de jornalismo investigativo torna a coleta de evidências mais complicada. Ainda assim, o jornal The Washington Times publicou um editorial recentemente em que destaca a política de crimes contra a humanidade adotadapela Casa Branca. O texto declara que a prática de desaparecimento forçado e tortura teria inclusive aumentado durante a gestão Obama, de acordo com fontes ouvidas pelo periódico.

Caros Amigos – Mesmo que o senhor consiga reunir este material e entrar com uma ação legal contra o presidente Obama, qual será o efeito prático disto? Os Estados Unidos não assinaram o Estatuto de Roma que rege o TPI…

FB – Este é o ponto. Os Estados Unidos não assinaram o Estatuto de Roma, assim como não o fez a Líbia. Mas a questão é que os Estados Unidos, ao praticarem o desaparecimento forçado de pessoas, levou muitas destas vítimas para serem interrogadas e submetidas a práticas de tortura em países que fazem parte do Estatuto de Roma. Muitos destes países estão inclusive na Europa. O Estatuto de Roma em seu artigo número 13, parágrafos A ou C, deixa claro que o Tribunal Penal Internacional pode exercer sua jurisdição e investigar casos em que crimes contra humanidade cometidos por nações não signatárias tenham acontecido em solo de nacões que ratificaram o Estatuto.

Caros Amigos – O senhor entrou com a ação contra o ex-presidente Geroge W. Bush em janeiro do ano passado e a mesma segue em pendência de análise. Em cerca de seis meses após o estopim das manifestações na Líbia tomarem corpo, o TPI já emitiu mandados de prisão contra Moammar Gadhafi. Gostaria que o senhor comentasse esta diferença de tempo no desenrolar dos casos.

FB – Quando entrei com a ação contra Bush eu avisei ao promotor sobre a importância de uma análise rápida do documento, uma vez que o presidente Obama mantém a mesma política de crimes contra a humanidade, e um posicionamento não demorado do TPI poderia salvar vidas e talvez mudar a mentalidade da atual gestão. Mas, apesar do esforço, sou apenas um advogado. Os mandados de prisão contra Gadhafi, seu filho e o chefe de inteligência líbio foram movidos pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que, óbviamente e compreensivamente, tem um poder político muito maior que eu.

Caros Amigos – O senhor realmente acredita que sua denúncia contra Geroge W. Bush será levada adiante pelo Tribunal?

FB – O que tenho são esperanças. No entanto, realmente creio que o fortalecimento do TPI pode sim voltar como um bomerangue contra a Casa Branca. O preceito legal é o mesmo e não há razão para que Bush não seja julgado pela Corte. O desenrolar do caso vai mostrar.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ex-diretor da CIA acusado de assassinato no Paquistão


Tradução do Coletivo da Vila Vudu

Campanhistas que se opõem ao uso de aviões-robôs tripulados à distância (drones) no Paquistão exigem que o ex-diretor jurídico da CIA seja preso e acusado de assassinato por ter aprovado ataques de aviões-robôs que mataram centenas de civis.

Enquanto cresce em todo o mundo a preocupação pelo uso de aviões-robôs como arma de guerra, advogados e familiares de vítimas trabalham para conseguir um mandado internacional de prisão contra John Rizzo, que até recentemente trabalhava como assessor da CIA.

Os que se opõem ao uso dos aviões-robôs dizem que esse tipo de arma já matou mais de 2.500 paquistaneses em 260 ataques, desde 2004. Funcionários norte-americanos alegam que a maioria seriam “militantes”. Essa semana, 48 pessoas foram mortas em dois ataques nas regiões tribais do Paquistão. Várias campanhas, em todo o mundo, contestam a definição de “militantes” que os norte-americanos divulgam.

A tentativa de obter mandado internacional de prisão contra Rizzo está sendo conduzida conjuntamente pelo advogado britânico Clive Stafford Smith, do grupo Reprieve de Direitos Humanos, e advogados paquistaneses. O grupo Reprieve também trabalha para obter mandados de prisão contra os operadores dos drones, entrevistados e fotografados em entrevistas coletivas de propaganda dos EUA para jornalistas selecionados.

As primeiras notícias divulgadas sobre a campanha informam que o primeiro passo para conseguir que Rizzo seja processado, é formalizar acusação contra ele no Paquistão – o que deverá ser feito no início da próxima semana, numa delegacia de polícia na capital do Paquistão, Islamabad, em nome de parentes de duas vítimas que morreram em ataques de aviões-robô em 2009. Rizzo será acusado também de formação de quadrilha com intenção de matar contra grande número de cidadãos paquistaneses.

Já aposentado, Rizzo, 63, está sendo acusado, depois de ter admitido, em entrevista à revista Newsweek que, desde 2004, autorizou um ataque de aviões-robôs por mês, contra alvos no Paquistão, apesar de os EUA não estarem em guerra contra aquele país.

Rizzo, o qual, segundo suas próprias palavras, também está “até o pescoço” de tantas autorizações que assinou para que a CIA usasse “técnicas avançadas de interrogatório”, disse naquela entrevista que a CIA trabalha com “uma lista de alvos”. E perguntou: “Quantos professores de Direito Internacional algum dia assinaram sentenças de morte?”

Rizzo também admitiu que esteve presente quando os ataques dos aviões-robô pilotados a distância eram lançados do quartel-general da CIA, no estado de Virgínia.

Apesar de os advogados do governo dos EUA alegarem que os ataques à distância são feitos sob proteção de “sólida base legal”, muitos argumentam que os civis que operam os aviões-robôs em território norte-americano devem ser classificados como “combatentes ilegais”.

Os primeiros ataques de aviões-robôs tripulados a distância foram lançados contra o Paquistão por autorização do presidente George Bush, mas o número de ataques aumentou muito no governo de Barack Obama.

Grande parte das informações necessárias para os ataques contra alvos predefinidos são fornecidas ou pelo exército do Paquistão ou pelo controvertido serviço secreto paquistanês, ISI.

Ambos têm impedido o acesso de jornalistas e investigadores de grupos de defesa de direitos humanos às áreas tribais que têm sido atacadas, o que torna impossível precisar o número de mortos e feridos.

Para Stafford Smith do grupo Reprieve, há até agora cerca de 2.500 civis mortos; outros dizem que o número aproxima-se de 1.000. Fontes oficiais dos EUA negam que haja grande número de civis mortos e que teriam morrido apenas “poucas dúzias de não combatentes”.

Matar civis em operações militares não configura crime nos termos da lei internacional, a menos que se comprove que as mortes tenham sido planejadas, desproporcionais ou resultado de negligência. Para Stafford Smith, as características específicas da guerra de drones que os EUA fazem contra as áreas tribais no Paquistão são caso para o qual não há precedente.

“Os EUA têm de obedecer as leis da guerra” – diz ele. “A questão legal aqui é que não há guerra declarada entre EUA e o Paquistão. É praticamente garantido que, dada a atual situação política no Paquistão, conseguiremos o mandato de prisão contra Rizzo. A questão é saber o que acontecerá depois. Pode acontecer de pedirmos a extradição de Rizzo, e de os EUA recusarem-se a entregá-lo. Entendo que a Interpol terá de expedir um mandato para prendê-lo, porque a acusação é legítima.”

O pedido de mandato baseia-se em dois casos. O primeiro foi um incidente dia 7/9/2009, quando um avião-robô atingiu um conjunto de prédios durante o Ramadan. A vítima é um homem de nome Sadaullah, que perdeu as duas pernas e três pessoas da família no ataque. A segunda vítima é Kareem Khan, que perdeu o filho e um irmão em ataque, dia 31/12/2009, na vila de Machi Khel, no Waziristão Norte.

Os dois homens acusam Rizzo de ter autorizado o ataque. A CIA não quis comentar as acusações.

Um processo contra Rizzo complicará ainda mais as já difíceis relações entre EUA e Paquistão, sob tensão depois de anos de ataques de aviões-robôs e da morte de Osama bin Laden em maio. Semana passada, os EUA suspenderam a ajuda militar de 800 milhões de dólares ao Paquistão.

O primeiro ataque com aviões-robôs tripulados a distância contra alvo no Paquistão aconteceu em 2004 e foi o único, naquele ano. Em 2010 foram 118 ataques, depois que Obama expandiu o programa em 2009; até julho de 2011, já foram 42.

O emprego de aviões-robôs tripulados a distância tem sido severamente criticado tanto por paquistaneses como por investigadores internacionais, inclusive pelo relator especial da ONU, Philip Alston, que, no final de 2009, exigiu que os EUA comprovassem que o emprego dos aviões-robôs teria qualquer outro propósito além de programa secreto, sem qualquer transparência, cujos únicos resultados comprováveis seriam o grande número de mortes entre população civil.

domingo, 19 de junho de 2011

[Calendário Histórico] 1953: Os Estados Unidos executam o casal Rosenberg

19/6/2011 3:55,  Por Deutsche Welle

Julius e Ethel Rosenberg

No dia 19 de junho de 1953, o casal Julius e Ethel Rosenberg foi executado na prisão de Sing Sing, em Nova York. Eles eram acusados de ter repassado aos soviéticos informações sobre a bomba atômica.

Para compreender a execução do casal Julius e Ethel Rosenberg, em 1953, é preciso retroceder vários anos. Às 8h do dia 17 de julho de 1950, agentes do FBI bateram à porta do apartamento da família Rosenberg em Manhattan. Julius Rosenberg, 32 anos, nem teve tempo para terminar sua higiene matinal. Foi preso ainda com espuma de barbear no rosto.

Era o desfecho de uma série de episódios, que tiveram início logo no começo da Guerra Fria. Em agosto de 1945, a bomba atômica explodiu em Hiroshima, selando a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Em seguida, começou o conflito Ocidente-Oriente e surgiu a Cortina de Ferro. Os espiões russos e norte-americanos se esforçavam por descobrir os segredos militares e nucleares do adversário.

Paranoia anticomunista

A primeira bomba atômica russa explodiu quatro anos depois de Hiroshima e Nagasaki, em 28 de agosto de 1949. Enquanto a opinião pública se mostrava perplexa diante da demonstração de poder dos russos, a CIA começou a se questionar como os soviéticos haviam tido acesso aos segredos nucleares.

Em fevereiro de 1950 foi preso o cientista britânico Klaus Fuchs, que havia participado do projeto nuclear americano. Ele revelou ter passado dados importantes sobre a produção da bomba a agentes russos. A revelação desencadeou uma série de prisões, até se chegar ao soldado David Greenglass, irmão de Ethel Rosenberg.

Greenglass confessou haver entregue a Julius Rosenberg várias ilustrações das lentes especiais, desenvolvidas para a bomba no laboratório de Los Alamos. A prisão dos Rosenberg aconteceu em plena época de histeria anticomunista nos Estados Unidos. Qualquer pessoa que alguma vez tivesse manifestado qualquer simpatia pelo regime soviético era considerada suspeita.

Assassino de 50 mil soldados

O processo que se seguiu foi marcado por essa histeria. O caso Rosenberg teria de ser exemplar. Julius alegou inocência, mas foi incriminado por uma série de testemunhas. O juiz Irving Kaufman considerou o crime “pior que assassinato” e responsabilizou Rosenberg pelos 50 mil soldados mortos na Guerra da Coreia, eclodida em virtude da ameaça nuclear russa.

Apesar de a União Soviética ter negado qualquer envolvimento com Rosenberg, ele e a esposa foram condenados à cadeira elétrica no dia 5 de abril de 1951. Nos dois anos seguintes, seu advogado tentou de tudo para reverter a sentença. A opinião pública mundial protestou, o papa Pio 12 interveio, tudo em vão.

O casal foi um símbolo tanto para a esquerda como para a direita. Para uns, representou a injustiça capitalista; para outros, a ameaça comunista. No dia 19 de junho de 1953, Ethel e Julius Rosenberg foram executados na cadeira elétrica da prisão de Sing Sing. Só em 1997, Alexander Feklisov, ex-superagente russo e contato de Julius Rosenberg, confirmou que este havia sido espião, mas Ethel nunca soubera de nada.

Para ver mais imagens do casal Rosenberg, clique aqui.

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