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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez, a onça de papel

Depois do derretimento da teoria da globalização e da consolidação de vários governos de centro-esquerda, as oposições sul-americanas e suas mídias (sempre à tira-colo) buscam causas e personagens para manterem-se minimamente palpáveis no cenário. Nem que seja com um figurino ultrapassado…

Yoani Sánchez faz parte deste script. O objetivo central da “turnê” mundial desta ativista anti-castrista vai muito além da “luta pela liberdade” na ilha onde nasceu. É um ataque preventivo do PiG sul-americano contra os movimentos que exigem mais democracia e pluralidade nas comunicações que, aos poucos, vão adquirindo consistência em vários países do nosso continente.

Não queria escrever sobre Yoani Sánchez – essa mulher que a “Imprensa Cachoeira” e as redes sociais evidenciam exageradamente (como planejado por sua trupe, aliás…). Mas é inevitável. Em cartaz há uma semana na mídia, não dá pra não falar.

Desde que surgiu, ecoada por aí, na mídia, Sánchez tenta se encaixar na “programação”. O  problema é que o tempo passa e ela continua sendo uma sucata enferrujada, sobra da guerra fria. Só compra quem nutre o velho ódio tolo a Cuba e vê comedores de criancinhas nos governos de centro-esquerda da América sdo Sul.

Yoani é tão patriota quanto uma mosca. Ainda mocinha, vislumbrou um mercado potencial (se opor ao governo cubano), vendeu seu peixe e se deu bem. Financeiramente, é claro. O resto é folclore: mártir, perseguida por Fidel, blogueira de sucesso, milhões de fãs e seguidores no Twitter, tudo fraudado. É uma onça de papel.

De onde vêm os recursos que a “estrela” do PiG usa para viagens, hospedagens, transporte, alimentação, etc?

Yoani ganha muita grana da SIP (Sociedade Inter-americana de Imprensa – que é a máfia que reúne os donos dos meios de comunicação do nosso continente – além de organizações de ultra-direita espalhadas por vários países do mundo, inclusive no Brasil (Millenium) e escreve alguns artigos para as publicações mais reacionárias do planeta como o El País – aquele jornal que publicou foto falsa de Hugo Chaves como se estivesse com o pé na cova. A cubana inda tem dois guarda-costas: CIA e FBI. (Muito antes de Obama sonhar em ser presidente…)

A “VIP” foi fotografada, gravada, filmada e impressa. Vai servir como bandeira, embora já meio desbotada, da causa da libertinagem de imprensa. Mas não engana muita gente. Me faz lembrar daqueles coitados, popstars de terceira categoria, que vez por outra aparecem em pequenas turnês no Brasil para levantar um troco – já que em seus países não faturam nada. No caso de Yoani, além de financeiro, o troco é político. Sempre contra seu país.

Durante um evento em Feira de Santana, foi-lhe oferecida uma chance de conquistar um bocadinho de credibilidade: Que assinasse um manifesto contra os 50 ANOS de bloqueio econômico dos EUA a Cuba e libertação de 5 conterrâneos seus, presos nos EUA. Previsível e patriota fajuta que é, recusou-se a assinar!

Enquanto Yoani Sánchez e o PiG continuam agarrados ao cadáver da guerra fria, Cuba segue pioneira: acaba de patentear uma vacina contra o câncer de pulmão. Fico pensando… Se essa ilha minúscula, com uma população 100% alfabetizada, sem miséria, com uma das melhores taxas de mortalidade infantil de todo o continente, com a qualidade indiscutível do esporte, da saúde e da educação, promovesse eleições diretas também para presidente, onde certamente a direita seria fragorosamente derrotada, Yoani ficaria satisfeita? Ou teríamos aquele sorriso amarelo de quem perdeu todos os “clientes” que financiavam suas mordomias?

Deixo uma sugestão para a popstar de araque, elevada a “mártir” pela nossa imprensa: por que não continua a greve de não cortar o cabelão enquanto o bisneto de Fulgêncio Batista não for eleito vereador em Havana? Seria engraçado ver como arrastaria a longa cabeleira branca pelo chão antes de virar o pó da história ao qual esta condenada a ser…

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Quem paga o tour de Yoani Sánchez?


Por Michel Blanco

Nada poderia ser mais útil ao projeto que traz a militante cubana Yoani Sánchez ao Brasil do que as demonstrações de intolerância que a recepcionaram em Feira de Santana (BA). Serviu-se ali um prato cheio a quem difunde o discurso de crescente ameaça à liberdade de expressão no país.

Mas força a barra quem vê como uma atitude antidemocrática o protesto de grupos esquerdistas contra a militante cubana, por mais toscos que sejam. Antidemocrático seria impedir a manifestação – exagerada, é verdade – desse povo, capaz de tirar do sério até mesmo Eduardo Suplicy (PT-SP). A blogueira inclusive chegou a considerar o protesto como sinal de liberdade.

O que chama mesmo a atenção é a cobertura do tour nos principais veículos da mídia brasileira. É pouco se disser que há exagero. Sabemos de todos os passos de Yoani, mas nem uma linha sobre quem financia o rolê. Não é uma pergunta trivial para quem foi convertida em porta-estandarte da liberdade de expressão no continente.

Yoani não é uma opositora qualquer da ditadura cubana. Mais conhecida fora do que dentro da ilha, tem salário pago pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), entidade que congrega as principais corporações privadas mídia regional. É correspondente do espanhol El País e, no Brasil, é colunista do “Estadão” e colaboradora do Instituto Millenium, que reúne os grandes da imprensa brasileira em defesa do direito de propriedade e da livre iniciativa.

Criado em 2007, o blog de Yoani Sánchez, o Generación Y, é traduzido em 20 línguas. Desde então, acumula prêmios internacionais que lhe renderam algo perto de 250 mil euros. Yoani é um empreendimento, com missão, visão e valores bem definidos.

Não deixa de ser curioso que na mesma semana em que a mídia brasileira saúda a blogueira cubana, a “Folha de S.Paulo” obteve nova vitória judicial para manter fora do ar o satírico blog “fAlha de S.Paulo”, num caso que põe a propriedade acima da liberdade. O ponto final da turnê de Yoani é a livre expressão comercial.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Yoani, a blogueira "limpinha"


Quem foi que disse que os barões da mídia não gostam de blogueiros? Yoani Sánches, blogueira da CIA e da Sociedade Interamericana de Imprensa (SII) – clube dos donos dos meios de comunicação – é tratada a pão de ló. Ela ajuda a ecoar a campanha anti Cuba em todo o planeta. Sempre a mesma ladainha sobre Direitos Humanos.

Yoani em seu blog “Generación Y” jamais questionou a prisão de Guantánamo. Centro de tortura e experiência sádicas dos Estados Unidos na ilha caribenha. Ela também não explica por que quis voltar da Suíça onde vivia para ser “perseguida” em Cuba. Tampouco fala como sua atuação em prol da liberdade é financiada.

A blogueira já recebeu em forma de prêmios – com um ano de blog – o equivalente a 250 mil euros. Isso equivale a mais de 20 anos de salário mínimo da França, quinta potência mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba. Mais o salário mensal da própria SII de seis mil dólares mensais.

Seu blog é “© 2009 Generación Y - All Rights Reserved”, mas por conta do embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo naquela ilha.

Vale tudo para disseminar o ódio a Cuba. Yoani é mais uma “limpinha” a combater os “mal cheirosos e sujos” nesse mundo. Ela é da mesma turma do Reinaldo Azevedo e sua “doença” anti povo.

Se realmente ela fosse preocupada com ataques à liberdade e aos direitos humanos estaria denunciando a prisão de Guantánamo e as intervenções em governos de toda a América Latina feita pelos EUA e, jamais, jamais, começaria a discutir liberdade de expressão em Cuba num país onde apenas seis famílias determinam quais informações e como elas vão circular.

Vinte e três dos vinte e sete países que votaram e votam sanções contra Cuba por violações dos direitos humanos são violadores muito maiores desses direitos. E conforme constatou o jornalista Lúcio de Casto em seu blog no portal da ESPN, “segundo a Anistia Internacional, que de forma alguma pode ser apontada como conivente com Cuba, (muito pelo contrário), em parecer de abril de 2011, no continente americano, é o país que menos viola os direitos humanos ou que melhor os respeita é Cuba”.

Problemas em Cuba há de toda ordem, mas de longe lá se assemelha ao inferno de Dante como é nas regiões que sofrem intervenção militar das grandes potências mundiais.

Alguém publicou na internet que “existe a Cuba ilha e existe a Cuba pátria”. Nem sempre os filhos da Ilha são filhos da pátria. É o caso de Yoani. Ela sente saudades do tempo que Cuba era um local de veraneio dos poderosos dos EUA, onde imperava a jogatina e a prostituição.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lula, vídeo na íntegra: A revolução nas comunicações está nas redes sociais



“Não existe mais nenhuma razão de se manter o bloqueio [de Cuba] a não ser a teimosia de quem não reconhece que perdeu a guerra, e perdeu a guerra para Cuba”, disse hoje, dia 30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discursar no encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco.

Ele conclamou Obama "ter a mesma ousadia que levou seu povo a votar nele" e mudar os rumos da política externa para Cuba e América Latina.

Lula abriu o seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e fez uma homenagem a Hugo Chavez, que se encontra internado em Havana, em tratamento de saúde.

Com relação aos assuntos do continente, Lula disse que o desafio dos presidentes e líderes não é só promover a qualidade de vida e bem-estar, mas a integração latino-americana.

“Vocês não podem voltar para suas casas e simplesmente colocar isso [a participação no evento] nas suas biografias. É necessário que vocês saiam daqui cúmplices e parceiros de uma coisa maior, de uma vontade de fazer alguma coisa juntos mesmo não estando reunidos [fisicamente]”, afirmou Lula, dizendo que a tecnologia atual permite maior integração.

Lula propôs uma "revolução na comunicação" radicalizando o uso das redes sociais para contrapor a velha mídia do contra. O recado foi: nós não podemos depender dos outros para publicar o que nós mesmos devemos publicar.

“Nem reclamo, porque no Brasil a imprensa gosta muito de mim”, ironizou o ex-presidente. E deu a sua opinião sobre a razão pela qual a mídia tradicional tem resistência a ele: “Eu nasci assim, eu cresci assim e vou continuar assim, e isso os deixa [os órgãos de imprensa] muito nervosos”. O mesmo se aplicaria aos outros governos progressistas da América Latina: “Eles não gostam da esquerda, não gostam de [Hugo] Chávez, não gostam de [Rafael] Correa, não gostam de Mujica, não gostam de Cristina [Kirchner],não gostam de Evo Morales, e não gostam não pelos nossos erros, mas pelos nossos acertos”, disse. Para Lula, as elites não gostam que pobre ande de avião, compre um carro novo ou tenha uma conta bancária.

“Quem imaginava que um índio, com cara de índio, jeito de índio, comportamento de índio, governaria um país e, mais do que isso, seu governo daria certo?”, indagou Lula, referindo-se a Evo Morales, presidente da Bolívia. Ele contou que a direita brasileira queria que ele brigasse com Evo, quando ele estatizou a empresa de gás boliviana, que era de propriedade da Petrobras. “Aí eu pensei: eu não consigo entender como um ex-metalúrgico vai brigar com um índio da Bolívia”, contou o ex-presidente, sob os aplausos da plateia. (Com informações da Telesur e do Instituto Lula).

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Carta do Recife a Barack Obama

Por Urariano Mota

Divulgo um importante manifesto que circula na rede.

A carta a seguir tem sua origem no Encontro do Comitê Pernambucano pela Libertação dos 5 cubanos presos nos Estados Unidos. Eles tiveram um arremedo de julgamento e foram encarcerados sob a falsa acusação de terrorismo no governo Bush. E assim continuam no governo Obama, sob a mais flagrante injustiça.

Carta do Recife ao senhor Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos

Nós, abaixo-assinados, brasileiros, intelectuais, médicos, advogados, artistas, parlamentares, escritores, militantes de direitos humanos, trabalhadores em geral, reivindicamos a libertação dos cidadãos cubanos Antonio, Fernando, Gerardo, Ramón e René, presos em manifesta injustiça nos Estados Unidos, pelo governo Bush desde 1998, e, até a presente data, mantidos privados de liberdade pelo seu governo, Presidente Obama.

Como é do conhecimento e clamor universal, cinco cidadãos cubanos estão arbitrariamente presos nos Estados Unidos, cumprindo elevadas penas. Nenhum deles cometeu um só crime ou atentou contra o governo ou povo dos Estados Unidos. Pelo contrário, eles nada mais fizeram a não ser procurar impedir, em território estadunidense, ações terroristas contra o povo cubano. A prisão desses patriotas é uma injustiça que se comete não somente contra Cuba, mas contra os povos do mundo que se encontram irmanados na preocupação que têm com a sorte de cinco injustiçados.

Senhor Presidente Obama, o que os cubanos ora condenados, à revelia até do devido processo legal dos Estados Unidos, fizeram foi exercer o legítimo direito, consagrado nos costumes de todos os povos civilizados, de impedir ações de terroristas contra uma nação soberana e independente, cujo poder vem da expressa vontade popular.

Julgamos ser incompreensível e inaceitável que uma Nação, que se proclama liderança mundial na luta contra o terrorismo e seguidora dos direitos humanos, mantenha presos cinco patriotas que nada mais ambicionaram que procurar evitar atos terroristas contra o próprio país. Enquanto esses cinco antiterroristas cumprem penas, Senhor Presidente, muitos terroristas que já cometeram inúmeros atentados contra Cuba e são responsáveis por dezenas de mortes, como no caso dos 73 passageiros do avião cubano que explodiu na costa de Barbados em 1976, numa ação terrorista de Luiz Posada Carrilles e outros criminosos, continuam a circular livres nos Estados Unidos.

Acreditamos ser próprio de um detentor do Nobel da Paz a sensibilidade para este clamor de justiça que ora lhe dirigimos. E por não perdermos a esperança na paz e na boa vontade, que devem existir entre todas as pessoas do mundo, subscrevemo-nos.

Recife, 17 de dezembro de 2012.

Se você está interessado em assinar a carta, clique aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Governo Collor seguiu cubano ligado ao PT

Documentos do serviço de inteligência do governo Fernando Collor (1990-1992) revelam que o cubano Sergio Cervantes Padilla, conhecido da cúpula do PT e descrito como "conselheiro político" da Embaixada de Cuba no Brasil, foi seguido e fotografado pelos arapongas nos anos 90.

Os documentos integram um conjunto de 30 mil relatórios liberados anteontem pelo Arquivo Nacional. 

Os arapongas do governo Collor mapearam as relações de Padilla com líderes petistas, incluindo Lula, com quem ele teria jantado em São Bernardo do Campo (SP), e José Dirceu. Em outubro de 1991, Padilla teria passado dez dias hospedado com a família no apartamento de uma assessora de Dirceu, então deputado estadual. Na ocasião, o cubano foi fotografado pelos agentes da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), a sucessora do Serviço Nacional de Informações.

Padilla ficou conhecido em 2005 quando a revista "Veja" o apontou como ligado a uma suposta doação de US$ 3 milhões do governo cubano à campanha de Lula em 2002. A doação - contestada pelo PT - nunca foi comprovada.

No início da década de 90, Padilla tinha encontros frequentes com a cúpula do PT.

José Dirceu informou, por meio da assessoria, que Padilla é "um velho conhecido da esquerda brasileira" e que foi apresentado a ele quando viveu em Cuba, nos anos 60.

O ex-ministro disse que o acompanhamento da SAE foi "indevido", pois Padilla era vinculado ao serviço diplomático. A assessoria de Lula não foi localizada ontem.

Além da cúpula petista, Padilla procurava outros grupos. Em março de 1990, a SAE registrou que ele conversou com o historiador Valério Arcary, então na organização Convergência Socialista (que foi expulsa do PT em 1992), sobre índices sociais de Cuba.

Arcary disse que é "um escândalo" ter sido monitorado num regime democrático, mas que não falou "nada que não pudesse ser dito em público": "Ele estava preocupado com o isolamento de Cuba e procurava acompanhar a esquerda brasileira". 


domingo, 15 de abril de 2012

Em favor de Cuba, Alba peita EUA.

Alba ameaça não participar mais da Cúpula das Américas caso Cuba continue vetada 

Obama, no entanto, afirma que considera Cuba um Estado “antidemocrático e autoritário”

Mesmo sem estar presente na 6ª Cúpula das Américas, devido a uma imposição dos Estados Unidos apoiada apenas pelo Canadá, Cuba foi até o momento o grande assunto do encontro de líderes das Américas. A Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da América), por exemplo, ressaltou que seus países não irão comparecer na próxima edição do evento, caso Cuba continue suspensa.

O grupo divulgou um comunicado neste domingo (15/04) por meio do qual pediu a participação dos cubanos na próxima edição da Cúpula. A Alba é formada por Equador, Antígua e Barbuda, Cuba, Dominica, Venezuela, Bolívia, São Vicente e Granadinas e Nicarágua.

Cuba é o único país da América que não participa do evento, criado em 1994, por conta da oposição dos EUA e do Canadá. Os dois países alegam que o governo cubano não respeita os princípios da democracia necessários para fazer parte da Cúpula.

Cuba retruca e aponta que os motivos para tal proibição são políticos e ideológicos, ligados ao bloqueio de mais de 50 anos impostos pelos norte-americanos sobre a ilha.

“Cuba tem direito incondicional e inquestionável de estar presente e de participar de um plano de igualdade soberana neste fórum”, destacou o comunicado da Alba, referindo-se à sexta edição da Cúpula das Américas, em Cartagena, na Colômbia.

Em protesto pela ausência de Cuba nos eventos, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou semanas antes da Cúpula que não iria participar do encontro de líderes.

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, tomaram a mesma atitude e, no sábado, informaram que não compareceriam ao evento. Oficialmente, no entanto, os motivos alegados para as desistências foram outros.

Ainda no sábado, Chávez seguiu para Cuba, onde continuará seu tratamento de radioterapia. Já a ausência de Ortega foi noticiada pelo vice-chanceler da Nicarágua, Valdrak Jaentschke, durante uma reunião de presidentes e ministros dos países do Sica (Sistema de Integração Centro-Americana), realizada pouco antes do início da Cúpula.

Questionado a respeito da ausência de Cuba do evento, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou à emissora colombiana Caracol Televisión que considera Cuba um Estado “antidemocrático e autoritário”.

Segundo ele, não são os EUA que impedem a participação do país nas Cúpulas da região e sim suas “práticas contrárias aos direitos universais”. “Não podemos fechar os olhos aos abusos que acontecem”, concluiu Obama.

Declaração Final

A expectativa, inclusive, é que a Cúpula termine neste domingo sem uma Declaração Final. Isso porque não se chegou a um acordo em relação à proibição aplicada a Cuba. Tanto Obama quanto o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, não aceitaram discutir a questão. Nem mesmo o embargo norte-americano à ilha foi, de fato, debatido pelos líderes.

“O isolamento, o embargo, a indiferença, o olhar para o outro lado, já demonstraram sua ineficácia. No mundo de hoje não se justifica esse caminho. É um anacronismo que nos mantém ancorados a uma era da Guerra Fria superada já há várias décadas”, afirmou o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Evo Morales seguiu a mesma linha do colombiano e afirmou que “todos os países da América Latina querem a presença de Cuba, mas há uma imposição, uma ditadura que não a aceita”.

*Com informações de Agências


Em favor de Cuba, Evo Morales desmascara os EUA

Morales afirma que existe "rebelião contra os EUA" por veto a Cuba

O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou neste sábado durante a 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena, na Colômbia, que existe "uma rebelião da América Latina contra os Estados Unidos" devido ao "veto" deste país a participação de Cuba no encontro.

"Todos os países da América Latina querem Cuba, mas há uma imposição, uma ditadura que não a aceita", declarou Morales em entrevista coletiva após a primeira reunião de trabalho dos chefes de estado e de governo que estão participando da cúpula.

Morales disse que "não é possível nem democrático" que "um país ou um país e meio" neguem a reivindicação da maioria das nações da América Latina.

Segundo o líder, a presidente Dilma Rousseff, assim como a chefe de estado argentina, Cristina Kirchner, e outros governantes da região, afirmaram que esta seria a última reunião sem a presença de Cuba.

Para Morales, a não participação do presidente do Equador, Rafael Correa, na Cúpula das Américas, é um "protesto justo". Correa não viajou para Cartagena em repúdio ao veto dos EUA a Cuba.

"Quase todos os países do mundo pedem na ONU o fim do bloqueio a Cuba, mas os EUA não respeitam isso", opinou. Morales disse ainda que está decepcionado com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Na última cúpula (em Trinidad e Tobago, em 2009), Obama disse que queria ser nosso parceiro, mas foi tudo ao contrário", declarou. 

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 28 de março de 2012

EUA pressionam o Papa contra Cuba

Embora irmanados nos fins, Vaticano e imperialismo norte-americano seguem por caminhos diferentes a sua cruzada contra Cuba. A experiência política no caminho do retrocesso histórico adquirida pela Igreja durante o papado de João Paulo II, em grande parte do qual as linhas mestras eram já definidas pelo cardeal Ratzinger - o actual Papa - podem levar o Vaticano a não ceder a Washington e Miami. O que não significa que os seus objectivos sejam divergentes…

David Brooks*

Quando o governo estadunidense e os anticastristas de Miami denunciaram a breve detenção de opositores pelas autoridades cubanas, nas vésperas da visita do papa Bento XVI à ilha, não referiram que esses dissidentes, tal como uma ampla gama da oposição política dentro da ilha, são apoiados e em muitos casos financiados – numa violação das leis de Cuba – por Washington e as organizações anticastristas de Miami, cujo propósito anunciado é a mudança de regime.

Por isso, as expressões provenientes de Washington e de Miami sobre a visita do pontífice a Cuba, 26 e 27 de Março, têm um fio cortante mais perigoso do que à primeira vista parece.

Miami quer sempre um conflito entre a Igreja católica e o Estado cubano. Não convém à linha dura de Miami que o menor grau de relações harmoniosas entre a Igreja e o Estado, comentou o embaixador Wayne Smith, perito em relações bilaterais entre os Estados Unidos e Cuba, em entrevista ao jornal La Jornada.

Smith, que foi chefe da Secção de Interesses do governo estadunidense em Havana na presidência de Jimmy Carter, e presentemente é analista do Centro de Políticas Internacionais em Washington, comentou que o governo dos Estados Unidos também queria que a Igreja tivesse uma linha mais dura contra o regime de Cuba, que houvesse uma maior confrontação, mas a Igreja não o fará.

As relações de cooperação desenvolvidas entre a Igreja católica, encabeçada pelo cardeal Jaime Ortega, e o regime cubano não agradam às forças mais conservadoras de Miami, tal como em alguns sectores de Washington, a começar pela oposição oficial da Igreja cubana contra o epicentro da política estadunidense: o embargo norte-americano à ilha.

Esta semana, o Vaticano reiterou que a sua posição sobre o bloqueio não é um mistério, e isso foi expresso pelo papa João Paulo II durante a sua histórica viagem a Cuba em 1998, e não surpreenderá que o actual pontífice, Bento XVI, o repita, juntamente com os apelos a maior liberdade religiosa, antecipou o Catholic News Service.

Por isso, figuras influentes do exílio como a deputada Ros Lehtinen – agora presidenta do Comité de Assuntos Externos –, o senador Marco Rubio e outros legisladores e políticos cubano-estadunidenses opuseram-se inicialmente à viagem, afirmando que a visita do Papa só serve os propósitos do regime de Havana, e criticaram a conciliação da Igreja com o regime cubano. Como o Vaticano não lhes ligou, pressionam para que a visita seja utilizada para denunciar o regime.

Um par de incidentes recentes em que as autoridades cubanas detiveram membros de grupos dissidentes foi utilizado por figuras anticastristas de Miami e políticos de Washington para repetirem as suas condenações (apesar de num dos casos, ter sido a própria Igreja católica quem pediu a expulsão de um grupo do templo, com o arcebispo a afirmar que ninguém tem o direito de converter os templos em barricadas políticas e afectar a celebração da chegada do Papa).

Ros-Lehtinen declarou a semana passada na Câmara dos Representantes que «pouco se disse sobre a escalada de violência contra a oposição interna de Cuba… mas há uma oportunidade de corrigir isto, denunciando-a e apelando a Bento XVI que apoie publicamente as aspirações do povo cubano, escravizado e impedido de exercer os seus direitos outorgados por Deus».

Em Miami, Ninoska Pérez, directora do Conselho de Liberdade Cubana e voz proeminente do anticastrismo, afirmou que esperava mais protestos antes e durante a visita do papa a Cuba.

Em Washington, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca declarou aos media que «a detenção de membros das Damas de Branco… nas vésperas da visita do papa Bento XVI mostrava o desdém das autoridades cubanas pelos direitos universais do povo cubano».

Por seu lado, o Departamento de Estado denunciou que a detenção era uma violação repreensível, e incitou o Papa a abordar o tema dos direitos humanos nas suas conversações com o governo cubano.

O New York Times, em editorial, defendeu que o Papa deve pressionar o líder cubano para acabar com a perseguição aos dissidentes, e dizer-lhe que o mundo não se esqueceu do anseio de liberdade do povo cubano.

Mas, como quase sempre acontece e quase nunca se diz, é que estes grupos dissidentes recebem apoio dos Estados Unidos. No ano passado, o Departamento de Estado atribuiu o seu Prémio de Defensores dos Direitos Humanos às Damas de Branco, enquanto funcionários da sua Secção de Interesses se reuniram com elas. Milhões de dólares foram canalizados para os grupos que procuram uma mudança de regime.

É quase impossível saber quais são os grupos que na ilha caribenha recebem dinheiro, devido à falta de transparência no envio de fundos e outras ajudas estadunidenses a diversas organizações em Cuba, com a maior parte deles canalizada, entre outras, para Organizações de Miami.

A Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) distribui a maior parte dos fundos estadunidenses de apoio às organizações anticastristas dentro e fora da ilha caribenha, e explicitamente afirma que ao chegar à comunidade dissidente, o programa da agência internacional contribui para o desenvolvimento de grupos independentes da sociedade civil que, finalmente, podem contribuir significativamente a nível local e nacional.

Para os anos fiscais de 2009 e 2010 o Congresso atribuiu 35 milhões de dólares para programas relacionados com Cuba (23 milhões foram através da USAID).

Para os chamados programas de promoção da democracia estabelecidos pela Lei Hermes Burton, o governo dos Estados Unidos distribuiu mais de 150 milhões de dólares, afirma o Cuba Money Project, que se dedica a monitorizar essa assistência oficial.

Naturalmente, toda a assistência económica estrangeira para os grupos dissidentes dentro da ilha, como toda e qualquer operação estrangeira que intervém em assuntos internos, viola as leis nacionais de Cuba.

Julia Sweig, directora de estudos latino-americanos do influente Conselho de Relações Externas, comentou recentemente que os chamados programas de democracia para Cuba do governo estadunidense são uma provocação extraordinária, já que continuam com o mesmo objectivo herdado do governo anterior (o do republicano George W. Bush): a concepção de mudança do regime permanece em grande medida intacta sob o presidente Obama.

Explicou que os programas são ocultados ao público estadunidense; não há informação pública sobre os subcontratados privados para estes programas nos Estados Unidos e em muito outro lado, e que até muitas vezes alguns grupos ou indivíduos que vivem em Cuba, por vezes não sabem que fazem parte dos programas estadunidenses.

Os programas de democracia para Cuba têm sido deliberadamente politizados para provocar, e têm tido êxito na provocação, acrescentou Julia Sweig.

Na conjuntura da visita papal a Cuba, tudo indica que o objectivo de Washington e Miami é precisamente esse: provocar.

* Correspondente do prestigiado diário mexicano La Jornada



Este texto foi publicado em: www.jornada.unam.mx/2012/03/24/mundo/023n1mun



Tradução de José Paulo Gascão

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dotô Mervá Perêra da ABL e os "alhos com bugalhos"


Por DiAfonso

Desde o dia em que li o artigo Alhos com bugalhos [transcrito abaixo] do Merval Pereira, o "Imortá da ABêEle", venho arrumando um tempinho para tecer algumas considerações. Eis que agora o tempo surgiu. 

Na verdade, são dois tipos de considerações: a primeira diz respeito ao discurso do "sinhô Mervá imortá"; a segunda se refere a alguns aspectos da estrutura do texto do "Sinhô Dotô Mervá Imortá Perêra" [Não costumo discutir ideias focando nos "erros" que sinalizam para o "mau uso" da variante da língua portuguesa dita padrão. Com Mervá, no entanto, tenho uma certa "sastisfação". É o meu protesto contra uma ABL que perdeu o norte de seus propósitos. É a minha solidariedade ao escritor Antônio Torres cuja vaga foi vergonhosamente usurpada pelo ordinário "escritor" que é o Mervá.]. 

"Apois" bem, "vamu lá!":

O raciocínio "mervaliano" - sobre o raciocínio da presidentA Dilma - apresenta, de início, um equívoco - o próprio Merval tratará de escancarar o equívoco. Escreve ele, o Mervá, que a forma como a presidentA Dilma vê a questão dos direitos humanos, de um modo amplo, 

"[...] faria até sentido se ele [o raciocínio de Dilma] comparasse regimes políticos semelhantes.". 

["Ô, misera!"] Quando a presidentA Dilma fala de direitos humanos - considerando todo e qualquer regime de governo -, ela o faz na perspectiva de que o respeito aos direitos humanos deva ser imperativo em qualquer forma de governo e, sobretudo, naquela forma dita democrática, caso dos EUA. 

Mas esse não parece ser um preceito a ser seguido pela infame potência mundial. Basta passar um pano rápido nas investidas estadunidenses mundo afora para constatar que clamar por direitos humanos é uma conveniente bandeira... quando se trata dos interesses do governo de Washington.

Se Cuba, cujo sistema governamental ganha "publicidade jornalística" como "ditadura" - concordo, em tese, com essa denominação -, não respeita os direitos humanos, as democracias - como a estadunidense - deveriam, imperativamente, respeitá-los. Não é o que se vê.

Mais adiante, o Mervá tenta iludir, com seu "raciocínio" pouco consistente, o leitor. Escreve ele que o sistema judiciário das democracias [Faz alusão, especificamente, aos EUA, pois, no Brasil, a coisa não é tão eficaz assim. Mervá deveria dizer por qual motivo isso ocorre, mas, covardemente, não diz.] funciona e pune os que mostram desvio de conduta no quesito direitos humanos. 

O poder judiciário da "democracia" estadunidense pune os transgressores, mas o Estado continua impune. Vale ressaltar ainda, Mervá, que as punições servem de lenitivo, de "prestação de contas" ao mundo e se dão no âmbito interno desta sociedade. Lá fora [Iraque, Afeganistão, Paquistão...], as atrocidades não só continuam a acontecer, como são estimuladas pelo belicismo dos EUA.

De fato, Mervá, não dá para comparar regimes autoritários com sistemas democráticos de governo, mormente, quando, nestes últimos, os direitos humanos são relegados a um discurso de conveniência. E, aqui, parece-me que quem está misturando alho com bugalhos é o "Sinhô, Dotô Mervá", porquanto não atentou para a amplitude da fala da presidentA e a implícita crítica que ela faz ao comportamento "democrático" de alguns países, incluindo todos aqueles que se alinham às diretrizes estadunidenses.

Um dado interessante no texto do Mervá é a referência sutil a ações governamentais que desrespeitam - quer por ação efetiva, quer por omissão - os direitos humanos. Ele cita a realidade das prisões brasileiras e as intervenções arbitrárias em comunidades pobres, mas não nomeia quem capitaneou recentemente - em conluio com o judiciário - o flagrante desrespeito aos direitos humanos em Pinheirinho. Fosse um prefeito ou um governador do PT, seus nomes apareceriam em letras garrafais. Como é Geraldo Alckmin e um prefeito do PSDB, nada a declarar... apenas vagas alusões.

Já quanto à estrutura do texto, só me resta dizer que sinto vergonha. Vergonha em saber que um eleito para a ABL apresenta dificuldades enormes em engendrar algumas linhas. Parece faltar ao "Sinhô Dotô Mervá" a habilidade estilística na construção de períodos articulados. O enxame de conjunções aditivas [E a imprensa internacional... / E geralmente... / ...e mancharam o nome do país... / ...e sistema judiciário costuma atuar com rigor. / ...e onde dissidentes morrem de fome...] ferroam o leitor. Mervá, a eliminação de algumas dessas conjunções daria mais leveza ao texto, hômi! Vêji isso lá com os doutô da ABL. E o relativo "onde"? Ele aparece três vezes! ["Ô, mininu danado esse Mervá!"].

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Alhos com bugalhos

O raciocínio da presidente Dilma sobre os direitos humanos faria até sentido se ele comparasse regimes políticos semelhantes. Mas ela simplesmente está misturando alhos e bugalhos. Uma democracia como a brasileira tem que ser criticada, e frequentemente o é, pelas falhas nos direitos humanos nas suas prisões, por exemplo, que são vergonhosas, ou nas comunidades pobres. Ou os Estados Unidos, como a própria Presidente brasileira lembrou, quando abusam dos direitos dos prisioneiros de Guantánamo. E a imprensa internacional não se cansa de denunciar esses abusos, lá e em outras regiões do mundo onde os Estados Unidos, através de seus agentes, cometem qualquer tipo de barbaridade. E geralmente, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos – mais lá do que aqui, temos que admitir – os agentes públicos que abusaram de seu poder e mancharam o nome do país são punidos, e sistema judiciário costuma atuar com rigor. O mesmo não se pode dizer de Cuba, onde o abuso dos direitos humanos é uma política de Estado, e onde dissidentes morrem de fome por falta de um mínimo de atuação do estado, que é uma ditadura de mais de 50 anos, sem Parlamento livre nem liberdade de imprensa e, portanto, não pode ser comparada com outros países democráticos que falham na proteção dos direitos humanos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma visita impecável


Por Mair Pena Neto

A presidente Dilma Rousseff completou uma viagem de 48 horas a Cuba, comportando-se como verdadeira estadista, reforçando as relações entre os dois países e evitando os ardis plantados para que agisse como porta-voz dos Estados Unidos, reproduzindo as ladainhas provenientes de Miami e da Casa Branca. Dilma foi a Cuba em visita oficial para estreitar os laços com um país que precisa de mais investimento e de mais produtividade para avançar economicamente e manter suas conquistas sociais.

Assim como aconteceu com Lula, foi cobrado de Dilma que se manifestasse sobre a situação dos direitos humanos em Cuba. O que os responsáveis pelas cobranças desejavam, no fundo, era que ela sequer fosse lá, como todos os presidentes brasileiros desde a revolução de 1959 até Lula. Mas já que Dilma, assim como Lula, não se rende à agenda ditada de Washington, que se manifestasse publicamente contra as restrições políticas na ilha.

É curioso como a questão dos direitos humanos em Cuba “sensibiliza” tanto certas pessoas. Não se vê a mesma indignação em relação a qualquer outro país. Ninguém pediria que Dilma, em viagem aos Estados Unidos, se posicionasse publicamente pelo fechamento de Guantánamo, em pleno território cubano, mesmo com a cobrança recente feita pela alta-comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Navi Pillay, que apontou a base como local de constante violação destes direitos.

Dilma se recusou a tratar a questão dos direitos humanos como arma de combate político ideológico, e frisou que desrespeitos acontecem em todos os países, inclusive no Brasil. Não seria nada agradável para nós recebermos a visita de um chefe de Estado estrangeiro e ouvir comentários sobre a violência da ação de despejo dos moradores do Pinheirinho ou sobre a desumanidade da maior parte dos nossos presídios.

O Brasil é um país que aposta nas relações multilaterais como forma de pressão e de resolução de conflitos. Ele não vai fazer o papel de juiz do mundo e sair por aí condenando outros países, até porque tem suas próprias mazelas. Isso não significa omissão, pois o Brasil ganhou recente relevância no cenário internacional justamente por sua ação diplomática independente e soberana, que o leva a ser convocado a atuar nas mais complexas questões mundiais. Temas delicados, como direitos humanos, não se tratam com bravatas unilaterais, principalmente quando envolvem nações em situações extraordinárias, como a cubana, vítima de um bloqueio implacável há meio século.

Diria que a visita da presidente do Brasil a Cuba transcorreu de forma impecável e com acentuado caráter político. No trabalho prévio às 48 horas que ela passou na ilha, o chanceler brasileiro Antonio Patriota conversou com autoridades cubanas sobre questões relativas aos direitos humanos, e o Brasil concedeu visto de turista à blogueira Yoani Sánchez, que deseja vir ao país. Ao mesmo tempo, Patriota não aceitou o discurso fácil da condenação e, assim como Dilma faria em solo cubano, ressaltou que uma questão mais urgente e multilateral seria o fim da base de Guantánamo.

Com o crescimento de sua economia e a capacidade financeira de que dispõe atualmente, o Brasil tem muito mais a contribuir com Cuba ajudando no seu desenvolvimento, com implicação direta no bem estar das pessoas. As relações comerciais cresceram 31% de 2010 para 2011, e o Brasil é o segundo parceiro comercial de Cuba na América Latina, depois da Venezuela. Existem oportunidades para empresas brasileiras em Cuba, como provam as obras de ampliação e modernização do porto de Mariel, com a participação da Odebrecht.

Cuba precisa melhorar sua agricultura e recuperar seu parque produtivo, e o Brasil pretende participar deste esforço com a tecnologia e os processos desenvolvidos pela Embrapa, e, sobretudo, com um olhar mais solidário em relação aos vizinhos latino-americanos. Sentimento este, por sinal, muito inspirado por Cuba e seu internacionalismo, sempre manifestado pela presença de médicos e professores, onde for necessário, e não pelas armas ou posturas imperialistas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Direitos Humanos e a cavilosidade do jornalista Cláudio Humberto

Por DiAfonso

Foi-se o tempo em que certos jornalistas, por meio de uma imperceptível parcialidade diante dos fatos, seduziam legiões de incautos. Eles - os certos jornalistas - perderam o poder de "convencer" os leitores das falácias e cavilosidades jornalísticas. 

É sabido que a presença de tais "entes" é maciça nas grandes corporações midiático-golpistas que tentam, por razões não mais obscuras, desestabilizar um governo eleito democraticamente. Esse processo de desestabiização e desgaste, com factoides e tais e quais, deu-se mais intensamente no governo Lula e finca raízes no governo Dilma.

Os sofismáticos jornalistas são, a cada dia e cada vez mais, desmascarados em sua ânsia de construir uma verdade inexistente ou meias verdades e passar para o público-leitor um recorte capenga da realidade. Muitos são os casos. Recentemente, a Veja e o jornalista de esgoto, Reinaldo Azevedo, foram flagrados na mentira [aqui]. Agora, é o jornalista Cláudio Humberto que, ironicamente, esforça-se em distorcer os fatos. Vejam o que foi publicado em sua coluna de hoje:


Partindo da premissa de que, em Cuba, não há observância aos direitos humanos e de que ministros responsáveis pela pasta de Direitos Humanos não devam, institucionalmente, relacionar-se com qualquer outro país onde não exista respeito a esses direitos, a ministra Maria do Rosário estaria impedida de pôr os pés nos Estados Unidos. 

Isso deveria ficar claro para Cláudio Humberto, a menos que ele desconheça o Campo de Detenção da Baía de Guantánamo ou, ainda, os horrores perpetrados por soldados estadunidenses no Afeganistão, no Iraque e no Paquistão - só para citar alguns exemplos.

Maria do Rosário também não poderá visitar Israel, certo, Cláudio Humberto?!

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Leia também: O equívoco de um jornalista na abordagem do "plural" e da "concordância" de Lula. Ou, se desejar, pesquise o que já se publicou no Terra Brasilis sobre Cláudio Humberto [palavra-chave na caixa de pesquisa: Cláudio Humberto].

Em Cuba, Dilma sorri com a pergunta idiota de um jornalista idiota


A presidente Dilma desarmou as armadilhas dos jornalistas, na entrevista coletiva, em Cuba, e chegou a rir da falta de noção de uma pergunta (que só pode ter vindo de alguém do PIG).  

Primeiro a Presidenta não entrou no campo da negação de que Cuba tenha seus problemas com direitos humanos, mas disse, nas entrelinhas, que se recusava a usar o tema com intuito apenas de desestabilizar governos, conforme interesses escusos de países imperialistas. E que todos os países tem que se comprometerem em conjunto sobre o tema, e não cada um que tem "telhado de vidro", só jogar pedra no telhado do outro.  

Um jornalista perguntou o que significava a visita a Cuba logo após participar do Fórum Social Mundial em Porto Alegre (certamente insinuando insatisfação com a Presidenta estar dando atenção a setores à esquerda).  

A Presidenta riu e disse ficar estarrecida com a forma como a mídia analisa seus atos. Disse que visitou vários países, os mais diversos, o ano passado, e como é que interpretaria estas outras visitas? O Brasil mantém boas relações com todos os países, porque dialoga com todos os países, resolvendo diferenças no diálogo, nestas viagens.  

E sobrou uma citação que acabou atingindo Alckmin, o exterminador do Pinheirinho. A presidenta disse que dialoga com os movimentos sociais (referindo-se ao Fórum Social Mundial), e recorrer à violência é injustificável. Disse ser contra guerras e confrontos, e dialoga com todos, sem nenhum preconceito.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Direitos humanos não devem ser usados como arma política, diz Dilma em Cuba

Para a presidente, a questão deve ser tratada de uma forma mais abrangente

Em visita diplomática a Cuba, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (31/01) que os direitos humanos não devem ser usados como arma política. Para a chefe de Estado brasileira, a questão deve ser tratada de uma forma mais abrangente. A declaração de Dilma acontece no momento em que grupos anticastristas pressionaram a presidente brasileira a se manifestar sobre o tema.

Durante discurso em frente ao Memorial José Martí, em Havana, Dilma mencionou a prisão de segurança máxima de Guantánamo, em Cuba e controlada pelos Estados Unidos, para exemplificar a maneira como a discussão sobre os direitos humanos não é linear.

Presidente brasileira participou de cerimônia no tradicional Memorial José Martí [Roberto Stuckert Filho/PR - Divulgação]

Para a presidente, a existência da prisão, localizada em uma base naval norte-americana, precisa ser revista. “Nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui chamada de Guantánamo. [É preciso falar de] direitos humanos em todos os lugares”, afirmou.

Os EUA são criticados por manterem na prisão dezenas de suspeitos de terrorismo há mais de 10 anos, sem julgamento. Denúncias de organizações que lutam por direitos humanos criticam o tratamento dado aos presos.

“Prefiro falar de outra coisa. Prefiro falar de algo muito importante que é o fato de que o mundo precisa se comprometer, em geral. Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político ideológico”, declarou a presidente, que voltou a falar sobre o aspecto brasileiro do tema.

Dilma se encontrou com o presidente cubano, Raúl Castro, para discutir acordos [Roberto Stuckert Filho/PR - Divulgação]

“O mundo precisa se convencer de que [os direitos humanos] é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso. Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós, no Brasil, temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Acho que esse é o compromisso de todos os povos civilizados”, completou.

Dilma Rousseff chegou na noite desta segunda-feira (30/01) à Havana onde assinará vários acordos bilaterais para a ampliação das parcerias entre os dois países. Os contratos devem abranger as áreas da saúde, agricultura, ciências e setor aéreo.



Dilma chega a Cuba e é destaque de primeira página do Granma

Jornal oficial do Partido Comunista de Cuba noticia presença de Dilma Rousseff na ilha para encontro com Raúl Castro e traz biografia dela. Presidenta chega a Havana sem dar declarações, para agenda nesta terça (31). Trajeto aeroporto-hotel é repleto de propaganda nacionalista e ideológica, característica do regime.  


André Barrocal

Havana – A visita oficial da presidenta Dilma Rousseff a Cuba foi destaque na primeira página da edição desta segunda-feira (30) do jornal Granma, órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Referindo-se a ela como “presidenta”, no feminino, como Dilma quer ser chamada mas não costuma sê-lo pela imprensa brasileira, o Granma noticiou o encontro que a presidenta terá com o “General de Exército Raúl Castro Ruz”, líder do governo cubano.

Numa página interna, traz a biografia de Dilma, com registro para a participação dela no combate à ditadura militar, os três anos em que esteve presa - sem menção a torturas - e os cargos que ocupou na prefeitura de Porto Alegre, no governo gaúcho e na gestão Lula, até ser eleita a primeira mulher presidenta do Brasil.

Dilma chegou por volta das 17h desta segunda-feira (30) a Havana, cidade que está três horas atrás do fuso oficial brasileiro (hora de Brasília). Ela pousou no aeroporto internacional que leva o nome de um grandes heróis da independência cubana, José Martí, cujo memorial Dilma visitará nesta terça-feira (31), no primeiro compromisso oficial em Cuba.

Do aeroporto até o hotel em que está hospedada com ministros e assessores, a presidenta viu pelo caminho uma série de demonstrações do nacionalismo e da propaganda ideológica que caracterizam o regime castrista, que entra no ano 54.

Próximo à saída do aeroporto, um outdoor traz uma mensagem de Raúl Castro sobre a crise econômica global: “Ante a crise econômica capitalista, não temos outra opção que não nos unirmos para enfrentá-la”.

Mais à frente, um outro outdoor diz que “as ideias são essenciais nas lutas da humanidade”, como a anunciar o jorro de ideias que se verá no caminho até a região central de Havana. “Tudo pela revolução”, diz um cartaz, apontando “estudo, trabalho e fuzil” como instrumentos do seria o “tudo”. “Pela sua pátria, devem trabalhar todos os homens”, diz um cartaz a reproduzir uma frase de José Martí. “Mulheres unidas pela pátria”, afirma um outro outdoor.

O histórico inimigo norte-americano também é alvejado durante o trajeto pelo qual se veem casas coloridas e pequenas, geralmente de dois andares, estudantes voltando para a casa com mochilas às costas, trabalhadores a esperar por ônibus antigos, como em geral é a frota automobilística cubana.

“Liberdade não se pode bloquear. Aqui não há medo”, diz um velho cartaz, a pregar contra o “plano Bush”, presumivelmente uma referência aos ataques norte-americanos no Iraque e no Afeganistão.

“Cinco heróis prisioneiros do império voltarão”, lê-se na parede de um restaurante, aludindo aos cubanos presos e condenados nos EUA por ajudarem a impedir ataques terroristas contra Cuba, mas que para os norte-americanos estavam espionando e preparando atentados.

A história dos “cinco heróis” está contada em português num livro lançado em 2011 pelo escritor Fernando Morais, amigo da revolução cubana. O livro será publicado ainda este ano em Cuba, nos EUA e em alguns outros países para, de acordo com o escritor, contar às pessoas “essa indecência”.

O hotel de Dilma fica próximo à embaixada americana em Havana, e os cubanos também dedicam “homenagens” à repartição diplomática do “inimigo”. Em frente ao prédio, há dezenas de mastros nos quais tremulam bandeiras cubanas.

Na chegada ao hotel, Dilma cumprimentou os jornalistas brasileiros que a esperavam no saguão, mas não deu entrevistas. Estava acompanhada dos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Alexandre Padilha (Saúde) e pelo assessor de assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

A ida da presidenta a Cuba neste momento faz parte de um plano dela de se aproximar um pouco da esquerda, segundo Carta Maior apurou. Não por acaso, a viagem foi incluída praticamente na sequência da ida dela ao Fórum Social Mundial.

No Fórum, Dilma teve uma reunião como movimentos sociais sobre a Rio+20 que, na verdade, serviu para distensionar um pouco o clima dela com aquelas entidades, ainda hoje saudosas da era Lula, quando tinham mais acesso aos ouvidos presidenciais para externas seus pontos de vista.

Fotos: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

domingo, 15 de janeiro de 2012

Cuba 2012


Mário Augusto Jakobskind

Cuba é realmente uma caixa de surpresas. Nestes dias renovando as baterias fiquei distante cerca de 180 quilômetros do Eliakim. Eu em Havana (foto),  Eliakim no sul da Flórida estávamos a 25 minutos de avião. Mas se por acaso o Eliakim quiser ir a Cuba não poderá fazê-lo desta forma, porque o governo dos Estados Unidos proíbe residentes e de nacionalidade norte-americana de viajar para Cuba. Eliakim, portanto sofreria represálias e pagaria multa. É uma das facetas do bloqueio. Barack Obama só permite que familiares visitem Cuba quantas vezes quiserem por ano e levando a quantidade de dólares que acharem necessário. O hediondo W. Bush filho tinha restringido esse deslocamento.

Cuba vive há mais de 50 anos sob um bloqueio sem precedentes na história contemporânea. Os prejuízos totalizavam 975 bilhões de dólares em fins de 2010, segundo o governo cubano. Raúl Castro, que a mídia de mercado se refere apenas como o “irmão de Fidel”, como se ele não tivesse vida própria e ocupasse o cargo de presidente em função dos laços familiares, está conduzindo o processo revolucionário cubano, que na fase atual tenta se inserir no mercado mundial. Segundo analistas, Cuba se adapta ao mundo e não como era antes, quando Cuba queria que o mundo se adaptasse a Cuba.

Independente do bloqueio de mais de 50 anos, hoje Cuba enfrenta também outro perigo, tão ruim ou pior, nas palavras do Presidente Raúl Castro, do que o criminoso bloqueio estadunidense.

Raul Castro está preocupado com a corrupção do tipo colarinho branco, que provoca grandes danos ao Estado, consequentemente ao povo cubano. Burocratas de colarinho branco agem de forma perniciosa e acumulam grana em detrimento do povo. O próprio Fidel Castro, que continua a acompanhar os acontecimentos em Cuba e no mundo com suas reflexões, mesmo não ocupando mais a Presidência, já havia advertido em discurso para estudantes em 2005 que fenômenos internos negativos ameaçam a revolução socialista cubana.

Agora, ao discursar no encerramento do VIII Período Ordinário de Sessões da Assembleia Popular, no último dia 23 de dezembro, Raul Castro foi incisivo e não deixou dúvidas ao afirmar que “estou convencido que a corrupção é hoje um dos principais inimigos da revolução, muito mais perniciosa do que a atividade subversiva e de ingerência do governo dos Estados Unidos e seus aliados dentro e fora do país”.

Nesse sentido, vale lembrar o que se passou em determinado momento no Vietnã, quando dirigentes socialistas advertiam sobre os malefícios que a corrupção provocava ao povo. Indignados com o que acontecia nessa matéria alertavam que se os vietnamitas tinham conseguido derrotar militarmente o imperialismo da potência hegemônica estadunidense, não poderiam perder a batalha contra a corrupção praticada até mesmo por alguns “companheiros” colocados em postos importantes.

No discurso de fim de ano, Raul Castro citou o exemplo das “fraudes nos produtos agropecuários nos mercados da capital, que não existiram, nem se cultivaram, gerando um desfalque de mais de 12 milhões de pesos devido à atuação de diretores, funcionários e outros trabalhadores de empresas estatais que praticam o comércio, bem como de pequenos agricultores que se prestaram como testas de ferro”. E a todos eles, acrescentou Raúl Castro, “serão exigidos responsabilidades administrativas e penais, de acordo com a gravidade dos fatos”.

Cuba, em suma, não é nenhum paraíso, como entendem os áulicos e acríticos da revolução socialista. Não é nenhum inferno como dizem os setores radicais de direita cubano-americana. É apenas um país da face da terra com qualidades e defeitos. Quando a chamada mídia de mercado ataca o regime cubano,  o motivo de um modo geral é mais pelas qualidades do regime do que por seus defeitos.

A ilha caribenha tem um grande capital que nos dias de hoje vale muito mais do que qualquer cotação na bolsa de Wall Street. É a questão da segurança. Ao contrário do que acontece no México, no Brasil, na Venezuela e agora mesmo em países europeus que enfrentam grave crise, em Cuba o visitante circula com a maior tranquilidade, mesmo por ruas pouco iluminadas. Não corre riscos como nos países mencionados.

À noite, nas ruas pouco iluminadas de Havana,  o visitante pode ter a certeza que nada lhe acontecerá em matéria de assalto à mão armada ou sem arma. Pode até tropeçar ou cair numa falha do asfalto imperceptível no escuro. E só. Dirigindo automóvel pode parar em sinal a qualquer hora, pois estará certo que nada lhe acontecerá. E isso hoje em dia na América Latina é de grande valor.

As reformas estão presentes e merecem análise mais aprofundada. Para muitos os resultados não tardarão. E tudo está sendo feito com a máxima cautela, para evitar que amanhã ou depois Cuba se veja atropelada pelos fatos.

Muita coisa que era proibida em décadas anteriores, hoje é absolutamente legal. Por exemplo, cubanos possuírem moedas estrangeiras e assim sucessivamente. Recentemente, o governo cubano permitiu a compra e venda de moradias e veículos. O número de trabalhadores por conta própria já supera os 350 mil, sendo que 80% deles optaram por se associarem a Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC).

Assim, em síntese, caminha a ilha caribenha nesta nova fase de adaptação ao mundo atual. A direita golpista e terrorista em vários quadrantes continua furiosa e utilizando os valores da época da Guerra Fria quando diziam que Cuba era satélite da URSS. Como a URSS já era, a direita velhaca passou a utilizar outros adjetivos, que tentam induzir a opinião pública a repudiar o regime cubano.  Querem Cuba como nos velhos tempos de prostíbulo do Caribe. Este tempo acabou em 1 de janeiro de 1959.

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