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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Nem descalço, nem de joelhos [Marco Aurélio Garcia X corvos e abutres]

Garcia, durante entrevista em julho passado. Foto: José Cruz/ABr

Por Leandro Fortes

Toda essa movimentação de corvos e abutres em torno da saúde de Marco Aurélio Garcia, inclusive a denúncia (!) da Folha de S.Paulo dando conta de que ele foi operado com recursos dos SUS, esconde um recalque dolorido em relação ao assessor internacional da Presidência da República.

Garcia, chamado de MAG pelos amigos (dele, eu não o conheço), é um dos principais articuladores do Foro de São Paulo, o movimento contra-hegemônico das esquerdas latino-americanas à política de submissão da região aos interesses dos Estados Unidos e das corporações capitalistas do Velho Mundo.

Nos anos 1990, foi a iniciativa de Marco Aurélio Garcia que alimentou nosso sentimento de soberania e autodeterminação quando tudo o mais era ditado pelo Consenso de Washington e pelo FMI, cartilhas às quais o governo brasileiro, da ditadura militar aos anos FHC, seguiu como um cordeirinho adestrado.

Eleito Luiz Inácio Lula da Silva, coube a Garcia, ao lado dos embaixadores Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, reorientar a diplomacia brasileira de modo a tirar o Brasil, uma imensa nação potencialmente rica e poderosa, de sua condição subalterna e levá-lá a um protagonismo inédito e, de certa forma, perturbador dentro da ordem mundial.

Ao fazer isso, Garcia fez o mundo lembrar o ponto de degradação a que tínhamos chegado: em 2002, o embaixador Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores, chanceler do Brasil no segundo governo FHC, foi obrigado a tirar os sapatos no aeroporto de Miami, por ordem de um zelador da alfândega dos EUA.

Em vez de dar meia volta e fazer uma reclamação formal à Casa Branca, Lafer botou o pezinho para fora e o rabo entre as pernas. Foi o auge da política dos pés descalços e da diplomacia de joelhos.

Então, essas pessoas que, hoje, sem um argumento melhor, ficam pateticamente perguntando se Marco Aurélio Garcia ao menos entrou na fila do SUS, estão, na verdade, naquela empreitada envergonhada, pessoal e impublicável dos que torciam secretamente pelo avanço dos tumores que um dia atormentaram a vida e o futuro político de Lula e Dilma Rousseff.

Sem voto, sem popularidade e despidos de humanidade, jogam todas as fichas no câncer – ou na fraqueza do coração – alheio.

domingo, 24 de junho de 2012

Brasil condena ruptura democrática no Paraguai

Foto: Edição/247 


O presidente Federico Franco fez de tudo para convencer o Brasil de que pode ser mais “barato” do que Fernando Lugo, falando em pagar dívidas de Itaipu e em proteger os brasiguaios; no entanto, no seu primeiro teste internacional, Dilma agiu bem ao rejeitar o suborno e mostrar que, na diplomacia, princípios pesam mais do que interesses

Nas primeiras entrevistas que concedeu como presidente do Paraguai, Federico Franco tentou subornar o Brasil. Simples assim. Logo depois de ser empossado, ele sinalizou que pagaria dívidas de Itaipu, que protegeria os 6 mil fazendeiros brasileiros no Paraguai, conhecidos como brasiguaios, diante dos camponeses locais e fez de tudo para demonstrar que, na relação bilateral, poderia ser mais “barato” para o país do que seu antecessor Fernando Lugo.

Ocorre que, na diplomacia, não existem apenas interesses econômicos. Há também princípios. E estes devem vir na frente. Foi exatamente isso o que a presidente Dilma Rousseff demonstrou na nota divulgada na noite deste sábado, após uma reunião de emergência que contou com a participação do chanceler Antônio Patriota, do ministro Celso Amorim, da Defesa, de Edison Lobão, de Minas e Energia, e do presidente de Itaipu, Jorge Samek. Na prática, o Brasil condenou a ruptura da ordem democrática no Paraguai e convocou para consultas em Brasília o embaixador brasileiro em Assunção. É o primeiro passo para a imposição de sanções econômicas e diplomáticas ao Paraguai.

Como gigante regional, o Brasil também fortaleceu o processo de integração sul-americana ao enfatizar que a decisão brasileira será tomada em conjunto com os demais países da Unasul, a União de Nações Sul-Americanas. Leia, abaixo, a nota do Itamaraty:

"O governo brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do Paraguai, decidido em 22 de junho último, em que não foi adequadamente assegurado o amplo direito de defesa. Medidas a serem aplicadas em decorrência da ruptura da ordem democrática no Paraguai estão sendo avaliadas com os parceiros do Mercosul e da Unasul".

Crise diplomática: Brasil convoca embaixador que serve no Paraguai

Brasil condena impeachment de Lugo e convoca embaixador 

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/situacao-no-paraguai

Em nota oficial emitida no início da noite de sábado, o governo do Brasil condenou o impeachment do ex-presidente Lugo, do Paraguai. O texto afirma que rito sumário do processo comprometeu a democracia e a integração sul-americana.

O embaixador do Brasil que serve no Paraguai, foi chamado à Brasília, o que sinaliza crise diplomática entre os dos países.

No sábado a presidenta Dilma reuniu-se com os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa) e Edison Lobão (Minas e Energia) e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia para avaliar a situação no país vizinho.

Cristina Kirchner, também no sábado, retirou seu embaixador do país:


Praticamente todos os países latino-americanos condenam o golpe.

Quem destoou foi a Alemanha. O ministro de Cooperação Econômica e de Desenvolvimento da Alemanha, Dirk Niebel foi, talvez, a primeira autoridade estrangeira a encontrar Federico Franco, que tomou o lugar de Lugo, e declarou, já que o ex-presidente Lugo acatou o julgamento.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

A visita do Rei Caçador e a Aliança do Pacífico

Combalida política e economicamente, por uma crise que se aprofunda a cada dia, também do ponto de vista social - e pela erosão de sua credibilidade internacional - a Espanha e sua diplomacia parecem não ter aprendido nada com as dolorosas lições dos últimos anos.  

De passagem por Brasília, aonde vem oferecer, segundo a imprensa ibérica, onze anos depois de sua última visita ao nosso país, uma “aliança política e econômica sem precedentes”, o Rei Juan Carlos tem como destino final na América do Sul, o observatório chileno de Cerro Paranal, a fim de agregar-se, como “observador”, no dia 6 de junho, à cúpula presidencial da Aliança do Pacífico.  

Essa, para quem não conhece, é uma organização patrocinada pelo México e pela Espanha, que nasce com o claro objetivo de se contrapor à ampliação da presença brasileira na América do Sul, e que reúne, além do México, o Chile, o Peru e a Colômbia.  

Com a Aliança do Pacífico, a Espanha, que não pode participar de reuniões do Mercosul, da UNASUL e da CELAC, nem mesmo como observadora, contaria – depois do rotundo fracasso de suas cúpulas “ibero-americanas”- com novo instrumento para imiscuir-se nos assuntos do nosso continente.  

O outro aliado com que contam os espanhóis nesse processo de tentar promover a divisão sul-americana, é o Paraguai, país tradicionalmente pendular em suas relações externas, que joga para beneficiar-se da ajuda ora do Brasil, ora da Argentina, ora da Espanha, dependendo do momento e das circunstâncias.  

Não foi por outro motivo que o Paraguai aceitou promover a fracassada cúpula “ibero-americana” de Assunção, em novembro do ano passado, que terminou com a ausência dos países mais importantes da região, mas contou com a presença justamente do México e do Chile, co-patrocinadores da “Aliança do Pacífico”.  

É também importante registrar, nesse contexto, a posição do parlamento paraguaio que impede, há anos, a expansão do Mercosul, ao não ratificar a entrada da República da Venezuela no Tratado, já aprovada pelos outros membros do bloco.  

A diplomacia brasileira, com a chegada do Rei Juan Carlos a Brasília nesta segunda-feira – data em que ocorrerá, em Madri, reunião “técnica” para discutir a questão da expulsão de brasileiros dos aeroportos espanhóis nos últimos anos - tem excelente oportunidade para deixar claro que não concorda com a interferência externa no espaço sul-americano.  

Com relação ao Paraguai, qualquer concessão do grupo, no futuro, poderia ser negociada – em todas as instâncias, incluída a parlamentar - de forma a obter rápida aprovação à entrada da República da Venezuela no Tratado do Mercosul. Enquanto isso, nada impede que o Uruguai, a Argentina e o Brasil possam negociar acordos bilaterais de livre comércio com Caracas.  

É difícil, tendo em vista a formação histórica de nossos países, que a tentativa de divisionismo entre o Brasil e os países ocidentais do continente tenha êxito. O México sempre foi uma realidade à parte, menos durante o governo nacionalista de Cárdenas, quando seus atos o incluíam na mesma ordem de pensamento de Getúlio Vargas. Como se recorda, Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938, sem que os Estados Unidos, já em preparação para a guerra, tomasse qualquer medida de retaliação. Nos últimos trinta anos, no entanto, os governos do México têm sido fiéis vassalos dos Estados Unidos e é, sem dúvida, a serviço de Washington, que sua diplomacia atua ao lado do Chile e de Madri.  

Há razões ainda mais antigas que tornam difícil essa aliança da Costa do Pacífico. O povo peruano não se esquece, até hoje, da ocupação de Lima pelas forças chilenas, em janeiro de 1881, na Guerra do Pacífico, que lhe custou a amputação de parte de seu território (a Província de Tacna) por 50 anos, só recuperada depois de imensos sacrifícios e desgastantes negociações diplomáticas.  

A Bolívia sofreu ainda mais com os chilenos: todo o litoral do Pacífico que lhe pertencia (a rica e extensa província de Antofagasta) foi anexado, e La Paz perdeu seu acesso ao oceano. Esse conflito – provocado pelos interesses ingleses e norte-americanos – não foi completamente superado, e é uma lição de como os estranhos, com suas intrigas, causam as tragédias ao fomentar as guerras entre vizinhos.  

Essa mesma interferência estrangeira – no caso, das empresas petrolíferas americanas e inglesas – provocou a carnificina da Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, nos anos 30 do século passado.  

O México rompeu relações com a Espanha e dela esteve distanciado até o fim do franquismo. Hoje, apesar da submissão de sua política externa aos Estados Unidos, grande parte da opinião pública mexicana rejeita aproximação maior com Madri.  

Não há qualquer razão para que a Espanha de Juan Carlos, que vem sacrificando seu grande povo, em favor dos exploradores de sempre (hoje reunidos na globalização do neoliberalismo), venha a se meter no encontro de Cerro Paranal.  

Isso só se explica pela desesperada busca de apoio internacional, no momento em que sua economia e suas instituições (sobretudo a monarquia) entram em acelerado declínio de credibilidade interna.  

Com suas grandes empresas e bancos endividados (só a Telefónica, que atua no Brasil com a marca Vivo, deve mais de 100 bilhões de dólares), reduz-se o prestígio internacional do governo e da monarquia espanhola. O Rei – é o que se diz na imprensa espanhola – vem nos propor “relações políticas e econômicas sem precedentes”. Em lugar de relações novas e excepcionais, os brasileiros querem, no mínimo, ser tratados com respeito em território espanhol, quando viajarem à Europa.  

A cortesia diplomática recomenda que recebamos bem o Rei – em nome do respeito ao povo espanhol – mas os nossos interesses no mundo recomendam que não nos comprometamos com um governo que está arrochando seu povo com medidas econômicas draconianas, enquanto os ricos continuam saqueando os trabalhadores e retirando seus capitais do país.  

A queda da popularidade de Piñera no Chile, a aproximação crescente do Brasil com a Colômbia, e a iminência de um governo de esquerda no México, retiram da monarquia espanhola espaço para suas manobras diplomáticas em nossa região.  

Será melhor que o Brasil, como agiu quando da reunião anterior, no Paraguai, se ausente do próximo encontro de Chefes de Estado dos paises “ibero-americanos”, previsto para realizar-se na cidade de Cadiz, na Espanha, em novembro deste ano. Para discutir o futuro dos nossos países contamos com a UNASUL e o Conselho de Defesa Sul-americano, e, no contexto do espaço ampliado da América Latina, com a CELAC. Nós, e nossos vizinhos, não temos nada a fazer do outro lado do Atlântico, assim como a elite neocolonial de nossas antigas metrópoles não têm nada a fazer, institucionalmente, do lado de cá do oceano.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Exército reforça fronteira com a Bolívia depois que exército boliviano entrou em município brasileiro

Exército reforça fronteira com a Bolívia 

Por Francisco Nixon Frota  

De Agência Notícias do Acre 

Após a incursão do Exército Boliviano ao município de Capixaba, região de fronteira entre Brasil e Bolívia, o governo brasileiro acionou o Exército, a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores. Foi enviado para a região o ministro da embaixada brasileira em La Paz, Eduardo Sabóia.

Em ação complementar, o governo federal, por meio do 4ª Batalhão de Infantaria de Selva (4º BIS), unidade militar sob o Comando Militar da Amazônia, reforçou a presença do Brasil na região, em uma solenidade realizada no último fim de semana no lado brasileiro do vilarejo Maporro. Foi fixado um mastro com as bandeiras do Brasil, do Estado do Acre e do município Capixaba.

O comandante do 4º BIS, tenente-coronel Danilo Mota Alencar, o secretário de Segurança Pública do Acre, Ildor Reni Graebner (representando o governador Tião Viana), e o prefeito de Capixaba, Joais dos Santos, hastearam os pavilhões das respectivas unidades federadas que representam.

O tenente-coronel Danilo Mota esclareceu: “Estamos cumprindo o papel constitucional do Exército Brasileiro, que é garantir a segurança dos cidadãos assim como a nossa soberania”. O comandante militar afirmou ainda: “Esta não é uma missão de retaliação. Seguimos os princípios éticos que norteiam nosso código de conduta, que é manter a paz e o diálogo com nossos co-irmãos latino-americanos, especialmente com aqueles que dividimos nossas fronteiras”.

O secretário de Segurança Pública disse que o governador Tião Viana agiu como todo grande estadista, “acionando as autoridades afins, quando a segurança da população e nossa soberania se sentiram ameaçadas”. Graebner disse ainda que “um eventual excesso cometido por um oficial do Exército Boliviano não representa o sentimento daquela nação, com a qual vivemos em clima de harmonia há muitos anos. A orientação do governador é a de cautela”

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Espanhóis serão tratados no Brasil como os brasileiros são tratados na Espanha

Espanhóis terão, ao entrar no Brasil, o mesmo tratamento que os brasileiros recebem na Espanha

Brasília - A partir do dia 2 de abril, o Brasil passará a tratar os viajantes espanhóis da mesma forma que o serviço de imigração da Espanha trata os brasileiros que tentam entrar no país europeu. De acordo com a decisão do Ministério das Relações Exteriores, serão exigidos dos espanhóis, além do passaporte válido por pelo menos seis meses, passagem de volta com data marcada, comprovação de reserva em hotel ou alojamento e dinheiro suficiente para se manter no país pelo período declarado.

Caso o turista fique na casa de parente ou amigo, terá que apresentar uma carta de quem o convidou informando quantos dias o visitante permanecerá no Brasil. A carta terá que ser assinada pelo anfitrião com assinatura reconhecida em cartório.

Com relação ao dinheiro, o valor mínimo exigido pelo governo brasileiro é R$ 170 por dia de permanência no país.

Os cidadãos brasileiros não precisam de visto para entrar na Espanha, caso a permanência naquele país não exceda 90 dias. Contudo, os critérios para admissão de estrangeiros não foram definidos pelo governo espanhol, mas sim, pelos países signatários do Acordo Schengen, que estabelece requisitos em comum de imigração, informa a Embaixada da Espanha.

Para entrar no país, as autoridades espanholas podem exigir passaporte com validade mínima de seis meses; passagem de avião nominal, intransferível e com data marcada de retorno; comprovante de que o viajante tem recursos financeiros para se manter no país equivalentes a R$ 147 reais por pessoa por dia de permanência ou, no mínimo, R$ 1,3 mil para período de estadia entre um e nove dias.  

Até agosto do ano passado,  1.005 brasileiros foram impedidos de entrar na Espanha. Em 2010, o Serviço de Imigração barrou o ingresso de 1.695 brasileiros na Espanha, uma das principais portas de entrada na Europa.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dilma aprova regularização de 2,4 mil haitianos ilegais no Brasil

Haitianos que já estão no Brasil receberão um visto de cinco anos com direito a trabalhar

Swoan Parker/Reuters
Haitianos ingressaram no Brasil pelos estados do Acre e do Amazonas

BRASÍLIA - A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, autorizou a regularização da situação de 2,4 mil imigrantes haitianos que ingressaram no país pela região amazônica, informaram fontes oficiais.

A decisão, segundo um comunicado da Presidência, foi tomada por Dilma após uma reunião com quatro de seus ministros, sob a liderança pelo chanceler Antonio Patriota.

De acordo com a informação, os haitianos que já estão no Brasil receberão um visto de permanência de cinco anos com direito a exercer atividade laboral remunerada.

Os haitianos ingressaram no Brasil pelos estados do Acre e do Amazonas, e o Governo pretende que o Conselho Nacional de Imigração, órgão subordinado ao Ministério do Trabalho, regulamente a entrada de mais cidadãos desse país.

A iniciativa prevê que a embaixada do Brasil no Haiti conceda 100 vistos de trabalho por mês, condicionados a uma atividade trabalhista "segura" em território brasileiro.

"O governo brasileiro não ficará indiferente à situação de vulnerabilidade econômica dos haitianos. Mas quem não tiver visto não poderá entrar no Brasil", alertou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Segundo dados do Ministério da Justiça, o Brasil concedeu no ano passado vistos para viver e trabalhar a cerca de 1,6 mil haitianos dos aproximadamente 4 mil que chegaram em busca de melhores condições de vida depois do terremoto que afetou seu país em janeiro de 2010.

O fluxo de imigrantes ilegais haitianos aumentou significativamente nos últimos dias diante dos rumores, negados pelo Governo, de que o Brasil pode fechar suas fronteiras este ano.

Nos últimos três dias de 2011, cerca de 500 haitianos imigrantes ilegais chegaram à cidade brasileira de Brasileia, na fronteira com a Bolívia, e se somaram a outros 700 que vivem em alojamentos improvisados nesta localidade amazônica de 20 mil habitantes.

Uma situação similar ocorreu em Tabatinga, na fronteira com Peru e Colômbia, onde 208 imigrantes haitianos se juntaram aos 1.041 que já aguardavam a regularização de sua situação na cidade.

O Governo concedeu a esses imigrantes um visto de residência "humanitária" que lhes permite viver e trabalhar no Brasil, já que não podem ser considerados asilados nem refugiados políticos.

Essa situação será analisada em 1º de fevereiro, durante a visita oficial que Dilma fará a Porto Príncipe, a capital haitiana.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Brasil e os Estados Unidos: relações globais e bilaterais

Novo documento elaborado por uma força tarefa do "Council on Foreign Relations" voltou a gerar, em parte do debate nacional brasileiro, principalmente nas esferas mais próximas às políticas de alinhamento com os EUA, elevado otimismo. O texto considera que os norte-americanos precisam aprofundar ainda mais os laços com o Brasil, baseado em uma visão histórica de prévias alianças, mas, principalmente, de necessidades futuras dos EUA, seja em termos de engajamento do poder brasileiro, como de sua contenção e dos demais emergentes. 

Cristina Soreanu Pecequilo

Nos últimos meses, o Brasil e outros países emergentes como a China e a Índia foram foco de investidas norte-americanas, criticando sua projeção de poder e ações autônomas no sistema internacional. Contraposta à premissa da multipolaridade, a do domínio hegemônico ocidental foi reafirmada em inúmeras oportunidades pelo Presidente Obama e a Secretária de Estado Hillary Clinton, refutando as teses de declínio. Da mesma forma, nações africanas foram “alertadas” pelos Estados Unidos (EUA) sobre o “novo colonialismo” praticado por estes emergentes.

Paralelamente, no embate interno, a administração democrata enfrenta forte campanha midiática neoconservadora sobre a sua futura derrota eleitoral em 2012, não importando a ausência de um candidato republicando definido, e as pressões estruturais de uma economia em crise quase que permanente, vide o recente debate sobre a elevação do teto da dívida norte-americana. Diante deste cenário, prevalece a imagem, e realidade, de uma sociedade fragmentada, pressionada por grupos de interesse e dividida entre projetos polarizados.

Em meio a isso, porém, novo documento elaborado por uma força tarefa do Council on Foreign Relations (CFR) intitulado “Global Brazil and US-Brazil Relations” (disponível em http://www.cfr.org/brazil/global-brazil-us-brazil-relations/p25407) voltou a gerar, em parte do debate nacional brasileiro, principalmente nas esferas mais próximas às políticas de alinhamento com os EUA, elevado otimismo. Similar à expectativa causada pela visita do Presidente Obama em março de 2011 ao país, inclusive por abordar de forma “positiva e aberta” o reconhecimento do poder global do Brasil no atual quadro das Relações Internacionais, o texto lançado neste mês de Julho de 2011, já vem sendo muito comentado.

Todavia, estas manifestações, mais uma vez parecem descoladas da própria contextualização do relatório, um estudo sustentado nos desenvolvimentos dos últimos dez anos, e não uma reação imediatista norte-americana à nova administração Dilma Rousseff que assumiu em Janeiro de 2011. Novamente, no debate brasileiro, o arco que engloba os dois últimos anos da administração Fernando Henrique Cardoso (1999/2002) e a totalidade do governo Luis Inácio Lula da Silva (2003/2010), como sustentáculos desta transformação, principalmente a fase Lula-Celso Amorim, está obscurecida.

Igualmente, ignora-se, que este é um relatório específico, de um think tank relevante, mas, também específico. Ligado a uma parcela do establishment, o CFR é uma entidade altamente reconhecida dentro do debate político norte-americano, tradicional na realização da ponte entre setores acadêmicos, empresariais e governamentais de formulação de política externa e tomada de decisão, que, contudo, não representa consenso ou prevalece com tranqüilidade dentro da Casa Branca, do Departamento de Estado ou de Defesa. Assim, recomendações como a de que os EUA devem incluir o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU) como membro permanente, representam visões deste grupo, e não necessariamente a totalidade das visões que competem politicamente nos EUA.

Esta questão específica do assento no CSONU é inserida em uma proposta abrangente de fortalecimento e amadurecimento da relação, em termos discursivos e práticos, como a instalação de novas formas de contato entre as diplomacias, e uma percepção norte-americana mais ampla sobre o papel do Brasil, na região, no mundo e no sistema multilateral em geral e não só na ONU. Ou seja, apesar das boas relações que os EUA têm com o Brasil hoje, o texto considera que os norte-americanos precisam aprofundar ainda mais estes laços, baseado em uma visão histórica de prévias alianças, mas, principalmente, de necessidades futuras dos EUA, seja em termos de engajamento do poder brasileiro, como de sua contenção e dos demais emergentes.

Trata-se de um relatório bastante completo, no qual o Brasil é examinado em sua dimensão nacional, suas ações globais e regionais, e o que isso significa para as relações bilaterais. Não cabe aqui adentrar nos pormenores do relatório uma vez que o mesmo é extenso, mas é interessante destacar, por capítulo o que os EUA identificaram como pertinente no que se refere ao país. No capítulo “A Economia Brasileira: Mecanismos e Obstáculos” menciona-se a necessidade de ajustes macroeconômicos (juros, crescimento e inflação), o impacto das ações dos EUA no país (muito brevemente), e a relação comercial com a China. Nesta parte, indica-se que seria interessante que Brasil-EUA tivessem posições conjuntas para reduzir o impacto chinês em seus mercados. O capítulo se encerra com uma discussão extensa sobre os potenciais domésticos e os inúmeros pontos de estrangulamento do Brasil: infraestrutura, educação, agricultura, mineração e metalurgia, crescimento da classe média e inovação.

No segundo capítulo “A Agenda Energética Brasileira e as Mudanças Climáticas”, destaca-se o papel positivo do Brasil no uso de uma matriz variada de energia e a preocupação com o desenvolvimento sustentável. Espaço significativo é reservado à discussão das reservas do pré-sal brasileiro, assim como ao gás e ao etanol. Petróleo e etanol, porém, são o foco. Em termos de agenda climática, controle de emissões, desmatamento, Amazônia, biodiversidade são abordados, com os EUA mantendo suas posições tradicionais de ressaltar a relevância do engajamento do Brasil no tema, sua liderança no setor.

Na sequência, o capítulo “Brasil como um Diplomata Regional e Global” dá grande destaque às alianças globais do Brasil como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), IBAS (Índia, Brasil, África do Sul), o papel na Missão de Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e retoma o tema do assento permanente no CSONU. Temas sensíveis como Irã, Direitos Humanos, abstenções brasileiras em votações do CSONU não apoiando a posição dos EUA são discutidas, ressaltando a importância dos norte-americanos compreenderem “o porquê das posições diferentes do Brasil”, estendendo-se ao comércio multilateral e a estrutura econômico-financeira global. Segundo o relatório, os EUA não devem esperar consenso pleno do Brasil por conta de suas alianças com outras nações e sua visão de autonomia (e que isso faria parte de uma tentativa de provar independência e distanciamento dos EUA, mesmo quando o Brasil concordasse com este país). Como se percebe, uma visão norte-americana das motivações brasileiras.

No que se refere à região sul-americana, considera-se que a liderança brasileira da integração é positiva para os EUA, devido ao papel mediador e estabilizador brasileiro, em termos políticos e financeiros. Aborda-se, igualmente, a política africana do Brasil, continente no qual os norte-americanos perderam espaço para o país, a China e a Índia nos últimos anos.

O último capítulo é dedicado especificamente a “Brasil e Estados Unidos”, indicando a boa vontade mútua. Adentrando inicialmente os temas Irã e Segurança Nuclear, o capitulo segue para comércio e investimento, para voltar a temas de segurança como imigração e tráfico de drogas, saúde, biocombustíveis, mudança climática. A conclusão segue parâmetro similar, com foco em três pilares: interesses comuns, parceria madura e aproveitar o momento. Segundo o relatório, este é o tempo para avançar as relações bilaterais, alcançando benefícios mútuos.

Finalmente, não se pode negar que o documento é, realmente, um marco para as relações bilaterais Brasil-EUA, independente das ressalvas aqui colocadas. Apesar do longo histórico de relacionamento, do auge dos estudos de brasilianistas nos anos 1960 e 1970, o intercâmbio sempre foi visto por um prisma regional. Tal prisma, estruturalmente, localizava a importância do Brasil para os EUA na América Latina. Em algumas circunstâncias históricas norte-americanas nem mesmo este viés prevalecia, com a predominância de uma visão generalista da política externa dos EUA sobre o país inserido em “pacotes prontos” para o hemisfério, vide as discussões da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e propostas anteriores.

Assim como a Estratégia de Segurança Nacional de maio de 2010, publicada pelo Presidente Obama, trata-se de um documento progressista e que revela as limitações dos EUA e a sua capacidade de renovação estratégica para lidar com parceiros na dinâmica do “engajar para conter” (i.e, de reinventar a hegemonia). Ao mesmo tempo, uma renovação que disputa espaço com o declínio e o tradicionalismo, o isolacionismo, o intervencionismo e o unipolarismo, gerando as reações e contrareações hegemônicas já abordadas em artigo para Carta Maior. Reações e contrareações que não se resumem a determinados grupos, mas possuem ressonância em Washington, assim como este próprio relatório também terá. Assim, no debate nacional não podemos nos esquecer que este é um texto norte-americano, produzido e direcionado, para o público norte-americano, e que terá o apoio de uma parte desta sociedade, como visto na p.3:

As conclusões da Força Tarefa e suas recomendações são direcionadas não somente as formuladores de políticas que lidam com as Américas, mas também aqueles que nos EUA e em outras instâncias, são responsáveis por decisões em questões estratégicas globais, temas econômicos e mecanismos multilaterais nos quais a voz e a ação do Brasil são relevantes. As conclusões e recomendações deste relatório fornecem uma estrutura para políticas bipartidárias- globais, regionais e bilaterais- que levem em conta as oportunidades e desafios da ascensão brasileira, no momento em que os Estados Unidos e o Brasil enfrentam as grandes questões internacionais do século XXI.

Portanto, são conclusões e recomendações para os EUA sobre o Brasil, mas que devemos obrigatoriamente compreender sob nosso ponto de vista, dentro de um projeto nacional de reposicionamento interno e global. Mais ainda, como um poder global hoje, demonstra-nos a necessidade de melhor estudar, e compreender, nossos parceiros mais próximos, sejam eles os EUA, a China, a Índia, a África do Sul, as nações sul-americanas, os continentes africano e asiático. Somente a partir deste olhar, poderemos elaborar nossas conclusões e recomendações sobre nossos pares, para nós mesmos.

(*) Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Brasil não pode concordar com o vale-tudo internacional

A diplomacia brasileira não pode, nem de maneira indireta, avalizar o caminho das violações do Direito internacional. A conseqüência pode ser um enorme retrocesso na política externa “ativa e altiva” iniciada por Celso Amorim. Através dela, o Brasil ganhou relevância inédita na geopolítica mundial.  

Gilberto Maringoni

O ministro de Relações Internacionais, embaixador Antonio Patriota, classificou como “positiva” a morte do terrorista Osama Bin Laden, ocorrida na noite de domingo. A avaliação embute um endosso indireto do Brasil à operação desfechada pela CIA para eliminar aquele que foi classificado por todas as mídias como o “homem mais procurado do mundo”.

Estamos diante de algo muito sério. Não se trata apenas de uma mudança na condução da política externa brasileira. Se a aprovação oficial se confirmar, haverá aqui uma mudança de qualidade.

É necessário atentar para a natureza dos fatos ocorridos em Abbottabad, na periferia de Islamabad, Paquistão, há poucos dias. Façamos duas ressalvas iniciais.

Primeiro – Osama Bin Laden é um terrorista. O atentado às torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, foi um assassinato coletivo e deve merecer a repulsa de qualquer pessoa de bom senso.

Segundo – Como dirigente principal da ação, Bin Laden deveria ser capturado e julgado por uma corte internacional, tendo garantidos todos os ritos e procedimentos do Direito internacional.

Não foi o que aconteceu. Bin Laden e, ao que parece, sua esposa e um filho, foram executados por um comando militar estadunidense, sem possibilidade de reação ou defesa.

Aqui valem três perguntas.

Como a informação sobre a localização do terrorista foi obtida?

Através da tortura de um membro da Al Qaeda, preso sem julgamento em Guantánamo. A informação é do diretor da CIA, Leon Panetta, em entrevista à revista Time.

Como a operação foi planejada?

Na mesma entrevista, Panetta revela: “Foi decidido que qualquer tentativa de trabalhar com os paquistaneses poderia colocar a missão em risco. Eles poderiam alertar os alvos”. Mais adiante, o chefe da CIA declara que o governo paquistanês "nunca soube nada sobre a missão", classificada pelos EUA como "unilateral".

Ou seja, a tarefa envolveu uma invasão territorial.

Como se deu a ação?

O diretor da CIA conta que as determinações do presidente Barack Obama exigiam a morte de Bin Laden, e não apenas sua captura. Assim se deu. O líder da Al Qaeda foi fuzilado junto com quem estava na casa.

São três as violações do Direito internacional: obtenção de informação sob tortura, invasão de território de um outro país e execução sumária.

Apesar dos ânimos exaltados dos estadunidenses que foram às ruas e do comportamento ufanista da mídia brasileira, não se fez “justiça” alguma. O que houve foi a vingança de um ato bárbaro com outro ato bárbaro. Olho por olho, dente por dente, como dos filmes de caubói.

Se a lógica for mantida, acaba qualquer legalidade ou civilidade nas relações internacionais. A pistolagem high-tech será a métrica da resolução de problemas nas próximas décadas. Já há uma caçada em curso visando Muamar Kadafi, apesar da resolução 1973 da ONU não autorizar medida desse tipo.

A diplomacia brasileira não pode, nem de maneira indireta, avalizar tal caminho. A conseqüência pode ser um enorme retrocesso na política externa “ativa e altiva” iniciada por Celso Amorim. Através dela, o Brasil ganhou relevância inédita na geopolítica mundial.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O ensurdecedor silêncio dos seletivos


Tomada inicial: Barack Obama ao telefone tentando sensibilizar chefes de estado dos países que compõem o conselho de segurança a não apoiar resolução do próprio conselho condenando a expansão dos assentamentos israelenses nos territórios ocupados.
Corta para a tomada seguinte: O representante dos EUA no Conselho de Segurança quebra a unanimidade para a aprovação da resolução e usa o poder de veto, que lhe é garantido por regras esdrúxulas, para barrar a vontade da maioria.
Tomada de flashback com efeitos especiais de imagem nublada: personagem abre jornais no dia seguinte ao Brasil se abster em resolução americana para punir o Irã pelos mesmos critérios furados que foram usados como argumento para invadir o iraque, e se depara com ataques raivosos por parte de analistas de política internacional e editoriais contra a diplomacia brasileira, sugerindo que a decisão iria deixar o país isolado no cenário internacional.
Tomada volta para os tempos atuais: Personagem volta a abrir os jornais no dia seguinte à última votação do Conselho de Segurança esperando encontrar coerência suficiente nos analistas de política internacional para criticar da mesma forma a decisão americana e só encontra informações protocolares pelo episódio. Analistas se calam de vergonha.
O final desse filme você já conhece, e o personagem termina frustrado de ter perdido tempo com a seletividade dessa gente incoerente que não respeita a inteligência dos seus leitores. Infelizmente esse é um daqueles filmes que são repetidos diariamente e que ninguém aguenta mais. Virou “modus operandis” de determinados jornalistas.
É sui generis que os principais veículos de comunicação do país tenham colocado judeus para comentar sobre política externa (Gutterman, Feuerwerker, etc..). Não que eu tenha algo contra a religião, sou isento de preconceitos independente do alvo, mas com a fidelidade cega que eles nutrem pelo sionismo seria impossível ver um desses analistas atacando uma decisão israelense ou americana beneficiando Israel, revelando, portanto, que os jornais que os empregam jamais vão ter uma opinião honesta para apresentar sobre esse assunto.
Determinadas atitudes silenciosas às vezes fazem mais barulho do que a grita unanime de todos os veículos de imprensa juntos. Em tempo de cada vez maior força da internet, comprovada nas últimas eleições, é inútil ignorar fatos acreditando que ainda seja possível escondê-los, isso apenas fragiliza quem tenta esconder. Até quando os leitores desses veículos ainda vão continuar se deixando enganar?
Fonte da imagem http://www.juniao.com.br/weblog/ Cartunista: Junião

terça-feira, 15 de junho de 2010

CELSO AMORIM: PAZ NO MUNDO DEPENDE DE NEGOCIAÇÃO E DIÁLOGO

Ao participar nesta segunda-feira (14) da 99ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra, na Suíça, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou a necessidade de buscar o fim dos conflitos por meio do diálogo. O chanceler fez a afirmação cinco dias depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar sanções ao Irã sem considerar o acordo nuclear negociado com Brasil e Turquia.

 “A paz tem custos. Todos devem se envolver nos esforços para a sua construção e manutenção. O Brasil, de sua parte, escolheu o diálogo, as soluções negociadas e a diplomacia como forma de resolver os conflitos. Paz, cooperação solidária e comércio justo serão o novo nome do desenvolvimento”, disse Amorim, sem citar nominalmente o Irã.


Para Amorim, a aprovação das sanções ao Irã foi um retrocesso. No entanto, países liderados pelos Estados Unidos pressionam o Irã utilizando o pretexto de que o país procura fabricar armas atômicas com seu programa nuclear. Porém, o governo do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, reafirma o caráter pacífico do programa.


Para o Secretário Nacional de Comunicação do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, o apoio brasileiro a uma solução pacífica para a questão engrandeceu "a estatura geopolítica do Brasil, do presidente Lula, do chanceler Celso Amorim".


"Num mundo cada vez mais conturbado, a decisão da ONU, que contraria seus próprios princípios, por imposição dos Estados Unidos, revela que não se pode nem se deve nutrir a menor ilusão com o imperialismo e seus manejos, evidenciados também durante a Conferência sobre a Segurança Nuclear e a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, na qual somente a boa fé dos ingênuos enxergou vitórias. A realidade é mais dura. Exige vigilância, luta e visão ampla, donde resulta a alta valorização de posições como a do Brasil" observa Carvalho.

 
Estado frágil


Paralelamente, Amorim apelou para que houvesse um esforço global para acabar com as ideias preconcebidas em torno da suposta fragilidade que envolve os países em desenvolvimento. “As crenças que preconizam um Estado frágil e pouco ativo sofrem de um mal de origem: apostam que o bem-estar social pode ser confiado à mão invisível do mercado”.


Em seguida, Amorim afirmou que “os países em desenvolvimento sabem o quão visível é o preço dessa superstição. Estado forte não se confunde com Estado autoritário. O Estado forte que queremos pressupõe controle democrático de todas as instituições políticas”.

O ministro pediu que fosse aberto um espaço na OIT para a discussão de alternativas para as questões econômicas globais. “Sempre entendemos que emprego e proteção dos trabalhadores não são apenas promotores da justiça social, mas também instrumentos de correção dos desequilíbrios da globalização”.

 
Programas


Citando uma série de programas e ações implementadas no país nos últimos anos, como o Bolsa Família, e afirmano que o Brasil conseguiu reduzir o número de crianças que trabalham, Amorim também expôs os benefícios criados pelos programas sociais do Brasil, que priorizaram o fortalecimento da economia e a justiça social.


"Esse compromisso com a erradicação do trabalho infantil transcende as fronteiras: o governo brasileiro tem estabelecido parcerias para o combate a esse flagelo com países da América Latina, África e Ásia", afirmou.

 
Aposentadoria


Em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional, Celso Amorim descartou o aumento da idade mínima para a aposentadoria no Brasil, tema que vem agitando a Europa. “O Brasil vai continuar a crescer de maneira sustentável nos próximos anos e não há perigo de nós diminuirmos os direitos sociais”, garantiu o chanceler.


Para ele, o sucesso da economia brasileira, que deve cresce 7% este ano, se deve aos programas de transferência de renda, ao aumento do salário mínimo e outros programas sociais de apoio à agricultura familiar que contribuíram para que o país enfrentasse a crise e criasse empregos durante a recessão mundial.


Da Suíça, o chanceler segue para mais seis países – França, Estônia, Polônia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia e Áustria. Ele participa de debates sobre desarmamento e também de reuniões bilaterais. O ministro retorna ao Brasil no dia 21.

 
Da redação, com agências
Fonte: Portal Vermelho

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A VOTAÇÃO DA ONU E A NOVA REALIDADE INTERNACIONAL

Em época de Copa do Mundo, os críticos da política externa do governo Lula vibraram com o placar da votação das sanções contra o Irã na ONU: 12 votos favoráveis, dois votos contrários – Brasil e Turquia – e uma abstenção do Líbano. Mas é interessante notar que essa avaliação é única e destoa da imprensa internacional e de analistas internacionais renomados que, em sua maioria, consideraram o episódio com uma derrota dos EUA. As sanções definidas na Resolução 1929 foram tão modestas que mesmo o porta voz da Casa Branca parecia desconfortável no anuncio de sua anúncio de sua “vitória”. O artigo é de Reginaldo Nasser.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou durante essa semana a resolução 1929 anexando novas sanções ao Irã por execução de programas nucleares de enriquecimento de urânio considerados suspeitos pela Agência Internacional de Energia Atômica. Em época de Copa do Mundo, os críticos da política externa do governo Lula vibraram com o placar da votação: 12 votos favoráveis, dois votos contrários – Brasil e Turquia – e uma abstenção do Líbano. Mas é interessante notar que essa avaliação é única e destoa da imprensa internacional e de analistas internacionais renomados que, em sua grande maioria, consideraram o episódio com uma derrota dos EUA. As sanções definidas na Resolução 1929 foram tão modestas que mesmo o porta voz da Casa Branca parecia desconfortável no anúncio de sua “vitória”.

Não poderia ser diferente. Após dezesseis meses de intensos esforços, os EUA obtiveram menos apoio internacional do que a administração Bush que conseguiu passar outras sanções na ONU por unanimidade. Como apontamos aqui na Carta Maior (Os dilemas da aplicação das sanções 21/05/2010) era preciso analisar com cuidado as relações econômicas e políticas que a Rússia e a China possuem como Irã, o que fez com que, nas negociações com os EUA, o alcance das medidas fosse consideravelmente limitado. De acordo com Rolf Mowatt Larssen, que rastreou os programas nucleares em todo o mundo para a CIA e atualmente é pesquisador em Harvard, é provável que, tal como as anteriores, as novas sanções não ofereçam nenhuma indicação que poderão provocar impacto suficiente para mudar o comportamento iraniano. Mas, o mais espantoso disso tudo é que, de acordo com o bem informado colunista do New York Times, David Sanger, nem mesmo a Casa Branca acredita que essa nova rodada de sanções vai forçar Teerã a suspender seu programa nuclear.

E é justamente nesse momento, em que o governo parece não ter nenhuma estratégia, que é fundamental que fiquemos atentos no que pode acontecer. Pois, o efeito insignificante das novas sanções da ONU poderia estimular o poder executivo e o Congresso a “preencher lacunas” da resolução do Conselho de Segurança, aplicando sanções unilaterais sobre as exportações iranianas de petróleo (76% das receitas do regime)

David Sanger informa ainda que, embora o governo não admita publicamente, há rumores sobre a existência de vários planos alternativos que abrangem todo o Golfo Pérsico e que incluem, desde ações de contenção militar até operações da CIA para minar a infra-estrutura do Irã para a produção de armas nucleares. O secretário de Defesa Robert M. Gates enviou um memorando secreto à Casa Branca em janeiro, em que ele colocava perguntas sobre possíveis táticas e estratégias, pressupondo que a quarta rodada de sanções seria insuficiente. Embora Gates tenha explicado que o memorando era um esforço de rotina, alguns membros do governo interpretaram como uma tentativa de forçar um debate sobre “questões mais difíceis” como as opções militares que relatei em artigo anterior (A dupla face de Obama 25/09/2010)

De outro lado, os congressistas norte-americanos concordaram com Obama em dar ao governo mais tempo às negociações na ONU e viram a aprovação da resolução mais como um sinal verde para que eles pudessem avançar com suas próprias sanções que prometem ser muito mais duras e esperam “aprofundar o isolamento do Irã”.

O fato é que diferentemente da explicação da direita norte-americana que insiste em apontar que todos esses problemas decorrem apenas da fraqueza de Obama é preciso constatar que as várias tentativas de isolamento das chamadas “nações párias”, desde o governo de Bill Clinton, passando por Bush, e reiteradas por Obama, não tem surtido efeito e a novidade no momento é que líderes regionais como Brasil e Turquia se despontam como atores globais relevantes. Além disso, indica da forma mais clara possível, o contraste existente entre o eterno discurso norte-americano que coloca uma confiança sem limites nas instituições internacionais de um lado, e realidade de sua vontade nacional de outro. Muito provavelmente, a legitimidade da ONU sairá arranhada mais uma vez.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP

Fonte: Carta Maior

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CELSO AMORIM E A POSIÇÃO DO BRASIL NO CENÁRIO INTERNACIONAL

Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim

...ficar apenas dizendo 'sim' para uma potência hegemônica também não tem sentido, sinceramente...

Rodrigo Rotzsch  [Editor do caderno Mundo, do jornal Folha de S. Paulo] - Ministro, na esteira desse acordo, a Secretária de Estado americano Hillary Clinton [...] disse que os Estados Unidos e o Brasil têm discordâncias muito sérias em relação à abordagem da questão do programa nuclear iraniano e que esse acordo torna o mundo mais perigosos ao esvaziar a unanimidade internacional que haveria para condenar o programa nuclear do Irã. Como o sr. vê essa manifestação americana?

Celso Amorim - Primeiro que o Brasil não tem poder de veto. Nem o Brasil, nem a Turquia.  Então não é o Brasil ou a Turquia que vão impedir que se adote uma resolução. Segundo que nós achamos que o que torna o mundo mais perigoso é o uso e o abuso de sanções [...] medidas coercitiva e o isolamento. Isolamento é o que torna os países que são objeto de isolamento mais radicais; é isso que dá força aos grupos mais duros dentro desses países; é isso que prejudica a possibilidade de paz. Então nós achamos que o diálogo... E nós provamos que o diálogo é possível... Porque quando todos nos disseram... Veja bem, antes de nós irmos para o Irã... Eu digo "nós" porque eu fui com o presidente Lula, eu fui várias vezes antes, mas antes de nós irmos para o Irã o que que nos diziam... Ninguém dizia: "Ah, mas o enrequecimento a 20% e o estoque acumulado...?" Não era essa a pergunta: "Mas vocês vão lá, mas vocês não acreditam que vão conseguir nada". Mas como nós conseguimos, o parâmetro passou a ser outro. [...] 

Roberto Lameirinhas [Editor de internacional, do jornal Folha de S. Paulo] - Ministro, só pra gente não perder essa esteira das divergências aqui, o sr. acha que essas divergências com Washington... Elas podem comprometer o projeto da diplomacia brasileira de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU?

Celso Amorim - Eu acho essa pergunta muito interessante porque até pouco tempo a mídia brasileira, sobretudo... Acho que até o jornal no qual você está sempre dizia que querer um lugar pernamente no Conselho de Segurança era uma obsessão do Itamarati ou era uma obsessão do Lula... Aliás, injusto até com outros presidentes, porque isso também ocorreu durante outras presidências... Mas que era uma obsessão da diplomacia brasileira. Agora que você está discutindo a questão do Irã [...] essa questão que era uma obsessão e que não devia ser levada em conta passa a ser um objetivo. É claro que continua a ser um objetivo do Brasil reformar o Conselho de Segurança, torná-lo mais representativo e levar nossa voz também... Agora, veja bem: só vale a pena você estar presente lá se você pode dar sua opinião, se você pode usar o seu julgamento. Se você vai para lá para ficar apenas dizendo "sim" a uma potência hegemônica também não tem sentido, sinceramente...

*Trechos da entrevista do Ministro Celso Amorim para o Roda Viva (07.junho.2010). Transcrição de áudio da editoria-geral do Terra Brasilis.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O "FAROL DE ALEXANDRIA" ABRE A BOCA... PARA FALAR BESTEIRA DE NOVO!


FHC elogia a si e ataca Lula sobre a 'celeuma' do Irã

Em outro de seus inefáveis artigos mensais no Estado de S. Paulo e outros jornais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma neste domingo (6) que, "se há setor no qual o Brasil ganhou credibilidade e, portanto, o respeito internacional foi no das relações exteriores". Não, internauta, não se assuste. Não é um elogio ao governo Lula, mas a... FHC. E se conclui com um pequeno serviço à diplomacia americana, contra a brasileira, sobre a crise iraniana.

Por Bernardo Joffily

Reproduzo abaixo o novo artigo do ex-presidente, Política externa responsável. Assim, o internauta poderá verificar pessoalmente a entusiástica admiração do autor pelo governo FHC. E também sua ojeriza às "bazófias" e à "demagogia presidencial", que "não passa de surto de ego deslumbrado" – ainda que, pelo andar das pesquisas, vá eleger sua sucessora.

Além de elogiar a si próprio, FHC constata que "temos credenciais de sobra para exercer uma ação mais efetiva na condução dos negócios do mundo" e "é natural que o Brasil insista em sentar-se à mesa dos tomadores de decisões globais". Mas trabalha contra a diplomacia brasileira ao abordar "a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro".

O veneno do ex-presidente, como o do escorpião, está na cauda. No derradeiro parágrafo, FHC sai-se com esta:

"O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro, passando a impressão de que havíamos dado um drible nas "grandes potências", digno de Copa do Mundo, reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o "outro lado". E em política internacional, mais do que em geral, cosi è (se vi pare) ['assim é, se assim parece']."

De que 'lado' está o Brasil

É de fato uma dádiva para o Brasil contar desde 2003 com um presidente cujo "bordão" é que "hoje não nos agachamos mais". E é uma lástima ter tido um presidente que, oito anos depois de deixar o Planalto, continua a se agachar.

Que história é essa de se bandear para o outro lado? De que "lado" está o Brasil? E FHC?

Em um artigo que flerta com a crítica ao unilateralismo (a pretenção dos Estados Unidos pós-Guerra Fria de decidir sozinho os rumos do planeta), essa conclusão deixa entrever o apêndice caudal venenoso de um defensor do alinhamento automático com a grande potência do norte.

O Brasil, o presidente Lula e o Itamaraty deixaram cristalinamente claro de que "lado" estão na crise iraniana. Perfilam do lado da paz, no mundo e no Oriente Médio, do direito das nações ao uso da energia nuclear com fins pacíficos, da condenação dos arsenais atômicos, da busca de uma solução negociada para o contencioso entre o programa nuclear do Irã e as renitentes desconfianças do bloco de países polarizado pelos EUA. Não perfilam com os que desejam o Irã confinado em um leprosário. Foram a Teerã e, com a inestimável contribuição da Turquia, firmaram com o governo iraniano um acordo que persegue estes valores e objetivos.

As voltas que a crise deu

Em um primeiro momento, a reação desfavorável de Washington, com a secretária de Estado Hillary Clinton à frente, pareceu fechar as portas abertas pelo Brasil e a Turquia. No dia seguinte ao Acordo de Teerã, os EUA arrastaram os demais membros-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Reino Unido, França, Rússia e China) na apresentação de um pedido de sanções – embora mitigadas – contra a nação persa.

Porém o mundo continuou a dar voltas, e na segunda-feira passada (31) os incondicionais porém sôfregos aliados israelenses dos EUA no Oriente Médio (possuidores de 100 a 400 ogivas nucleares, no que é um segredo de Polichinelo) entornaram o caldo. Atacaram com sua marinha de guerra uma pacífica flotilha do Movimento Gaza Livre, assassinando pelo menos nove ativistas desarmados, sob a alegação de que eram "apoiadores do terrorismo" desejosos de transformar a faixa de Gaza em "uma base do Irã".

Com sua agressão gratuita e estúpida, Israel jogou por terra a maior parte dos esforços de Hillary. E retonificou as esperanças no futuro do Acordo de Teerã, sem sanções, improcedentes e improdutivas, e visando fazer de toda a região um território livre de armas atômicas.

Quanto a FHC, prefere ficar onde sempre esteve nos seus oito anos de governo: do 'lado' do imperialismo americano e seus pitbull israelense, contra os governos e povos amantes da paz. Problema dele. Para a alegria geral, sua influência parece hoje confinada ao exercício de fel que pratica nos seus artigos mensais.

Tendo estômago, veja o que diz o artigo do FHC aqui

No Blog "Brasil, mostra a tua cara!"

terça-feira, 1 de junho de 2010

CELSO AMORIM: LIBERAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL PARA IARA LEE

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim disse, no fim da tarde desta terça-feira (1º), acreditar na “imediata” e “incondicional" liberação da cineasta brasileira, Iara Lee, que estava em uma das embarcações do comboio de ajuda humanitária atacado por Israel a caminho de Gaza. Israel já anunciou que vai deportar centenas de pessoas que foram presas por integrar o combio.

Depois de ser localizada, a brasileira foi encaminhada para uma prisão, onde aguarda a deportação.

Segundo o chanceler, a cineasta está bem e deve ser liberada logo, depois da manifestação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para que todos sejam soltos.

“Não é só porque é uma cidadã brasileira e totalmente pacífica e pacifista, mas também porque é uma exigência do Conselho de Segurança da ONU, porque faz parte do proposto pelo presidente do Conselho de Segurança da ONU que todos aqueles que foram presos devem ser liberados imediatamente. E a nossa expectativa é de que ela seja liberada pronta e incondicionalmente”, afirmou.

Amorim chamou de “absurda” a alegação israelense sobre a motivação da prisão dos ativistas que estavam nos navios do comboio de que eles “estariam entrando irregularmente” em Israel. O ataque causou a morte de até nove pessoas e feriu dezenas.

O ministro reforçou que a diplomacia brasileira respondeu rapidamente à demanda de libertar a brasileira, ao enviar um agente de negociação nesta segunda-feira (31), que conseguiu contato com ela por meio de um agente penitenciário.

Fonte: UOL

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