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| Garcia, durante entrevista em julho passado. Foto: José Cruz/ABr |
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Nem descalço, nem de joelhos [Marco Aurélio Garcia X corvos e abutres]
domingo, 24 de junho de 2012
Brasil condena ruptura democrática no Paraguai
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| Foto: Edição/247 |
O presidente Federico Franco fez de tudo para convencer o Brasil de que pode ser mais “barato” do que Fernando Lugo, falando em pagar dívidas de Itaipu e em proteger os brasiguaios; no entanto, no seu primeiro teste internacional, Dilma agiu bem ao rejeitar o suborno e mostrar que, na diplomacia, princípios pesam mais do que interesses
Crise diplomática: Brasil convoca embaixador que serve no Paraguai
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| http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/situacao-no-paraguai |
segunda-feira, 4 de junho de 2012
A visita do Rei Caçador e a Aliança do Pacífico
terça-feira, 8 de maio de 2012
Exército reforça fronteira com a Bolívia depois que exército boliviano entrou em município brasileiro
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Espanhóis serão tratados no Brasil como os brasileiros são tratados na Espanha
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Dilma aprova regularização de 2,4 mil haitianos ilegais no Brasil
Haitianos que já estão no Brasil receberão um visto de cinco anos com direito a trabalhar
Swoan Parker/Reuters
Haitianos ingressaram no Brasil pelos estados do Acre e do Amazonas
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
O Brasil e os Estados Unidos: relações globais e bilaterais
Paralelamente, no embate interno, a administração democrata enfrenta forte campanha midiática neoconservadora sobre a sua futura derrota eleitoral em 2012, não importando a ausência de um candidato republicando definido, e as pressões estruturais de uma economia em crise quase que permanente, vide o recente debate sobre a elevação do teto da dívida norte-americana. Diante deste cenário, prevalece a imagem, e realidade, de uma sociedade fragmentada, pressionada por grupos de interesse e dividida entre projetos polarizados.
Em meio a isso, porém, novo documento elaborado por uma força tarefa do Council on Foreign Relations (CFR) intitulado “Global Brazil and US-Brazil Relations” (disponível em http://www.cfr.org/brazil/global-brazil-us-brazil-relations/p25407) voltou a gerar, em parte do debate nacional brasileiro, principalmente nas esferas mais próximas às políticas de alinhamento com os EUA, elevado otimismo. Similar à expectativa causada pela visita do Presidente Obama em março de 2011 ao país, inclusive por abordar de forma “positiva e aberta” o reconhecimento do poder global do Brasil no atual quadro das Relações Internacionais, o texto lançado neste mês de Julho de 2011, já vem sendo muito comentado.
Todavia, estas manifestações, mais uma vez parecem descoladas da própria contextualização do relatório, um estudo sustentado nos desenvolvimentos dos últimos dez anos, e não uma reação imediatista norte-americana à nova administração Dilma Rousseff que assumiu em Janeiro de 2011. Novamente, no debate brasileiro, o arco que engloba os dois últimos anos da administração Fernando Henrique Cardoso (1999/2002) e a totalidade do governo Luis Inácio Lula da Silva (2003/2010), como sustentáculos desta transformação, principalmente a fase Lula-Celso Amorim, está obscurecida.
Igualmente, ignora-se, que este é um relatório específico, de um think tank relevante, mas, também específico. Ligado a uma parcela do establishment, o CFR é uma entidade altamente reconhecida dentro do debate político norte-americano, tradicional na realização da ponte entre setores acadêmicos, empresariais e governamentais de formulação de política externa e tomada de decisão, que, contudo, não representa consenso ou prevalece com tranqüilidade dentro da Casa Branca, do Departamento de Estado ou de Defesa. Assim, recomendações como a de que os EUA devem incluir o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU) como membro permanente, representam visões deste grupo, e não necessariamente a totalidade das visões que competem politicamente nos EUA.
Esta questão específica do assento no CSONU é inserida em uma proposta abrangente de fortalecimento e amadurecimento da relação, em termos discursivos e práticos, como a instalação de novas formas de contato entre as diplomacias, e uma percepção norte-americana mais ampla sobre o papel do Brasil, na região, no mundo e no sistema multilateral em geral e não só na ONU. Ou seja, apesar das boas relações que os EUA têm com o Brasil hoje, o texto considera que os norte-americanos precisam aprofundar ainda mais estes laços, baseado em uma visão histórica de prévias alianças, mas, principalmente, de necessidades futuras dos EUA, seja em termos de engajamento do poder brasileiro, como de sua contenção e dos demais emergentes.
Trata-se de um relatório bastante completo, no qual o Brasil é examinado em sua dimensão nacional, suas ações globais e regionais, e o que isso significa para as relações bilaterais. Não cabe aqui adentrar nos pormenores do relatório uma vez que o mesmo é extenso, mas é interessante destacar, por capítulo o que os EUA identificaram como pertinente no que se refere ao país. No capítulo “A Economia Brasileira: Mecanismos e Obstáculos” menciona-se a necessidade de ajustes macroeconômicos (juros, crescimento e inflação), o impacto das ações dos EUA no país (muito brevemente), e a relação comercial com a China. Nesta parte, indica-se que seria interessante que Brasil-EUA tivessem posições conjuntas para reduzir o impacto chinês em seus mercados. O capítulo se encerra com uma discussão extensa sobre os potenciais domésticos e os inúmeros pontos de estrangulamento do Brasil: infraestrutura, educação, agricultura, mineração e metalurgia, crescimento da classe média e inovação.
No segundo capítulo “A Agenda Energética Brasileira e as Mudanças Climáticas”, destaca-se o papel positivo do Brasil no uso de uma matriz variada de energia e a preocupação com o desenvolvimento sustentável. Espaço significativo é reservado à discussão das reservas do pré-sal brasileiro, assim como ao gás e ao etanol. Petróleo e etanol, porém, são o foco. Em termos de agenda climática, controle de emissões, desmatamento, Amazônia, biodiversidade são abordados, com os EUA mantendo suas posições tradicionais de ressaltar a relevância do engajamento do Brasil no tema, sua liderança no setor.
Na sequência, o capítulo “Brasil como um Diplomata Regional e Global” dá grande destaque às alianças globais do Brasil como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), IBAS (Índia, Brasil, África do Sul), o papel na Missão de Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e retoma o tema do assento permanente no CSONU. Temas sensíveis como Irã, Direitos Humanos, abstenções brasileiras em votações do CSONU não apoiando a posição dos EUA são discutidas, ressaltando a importância dos norte-americanos compreenderem “o porquê das posições diferentes do Brasil”, estendendo-se ao comércio multilateral e a estrutura econômico-financeira global. Segundo o relatório, os EUA não devem esperar consenso pleno do Brasil por conta de suas alianças com outras nações e sua visão de autonomia (e que isso faria parte de uma tentativa de provar independência e distanciamento dos EUA, mesmo quando o Brasil concordasse com este país). Como se percebe, uma visão norte-americana das motivações brasileiras.
No que se refere à região sul-americana, considera-se que a liderança brasileira da integração é positiva para os EUA, devido ao papel mediador e estabilizador brasileiro, em termos políticos e financeiros. Aborda-se, igualmente, a política africana do Brasil, continente no qual os norte-americanos perderam espaço para o país, a China e a Índia nos últimos anos.
O último capítulo é dedicado especificamente a “Brasil e Estados Unidos”, indicando a boa vontade mútua. Adentrando inicialmente os temas Irã e Segurança Nuclear, o capitulo segue para comércio e investimento, para voltar a temas de segurança como imigração e tráfico de drogas, saúde, biocombustíveis, mudança climática. A conclusão segue parâmetro similar, com foco em três pilares: interesses comuns, parceria madura e aproveitar o momento. Segundo o relatório, este é o tempo para avançar as relações bilaterais, alcançando benefícios mútuos.
Finalmente, não se pode negar que o documento é, realmente, um marco para as relações bilaterais Brasil-EUA, independente das ressalvas aqui colocadas. Apesar do longo histórico de relacionamento, do auge dos estudos de brasilianistas nos anos 1960 e 1970, o intercâmbio sempre foi visto por um prisma regional. Tal prisma, estruturalmente, localizava a importância do Brasil para os EUA na América Latina. Em algumas circunstâncias históricas norte-americanas nem mesmo este viés prevalecia, com a predominância de uma visão generalista da política externa dos EUA sobre o país inserido em “pacotes prontos” para o hemisfério, vide as discussões da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e propostas anteriores.
Assim como a Estratégia de Segurança Nacional de maio de 2010, publicada pelo Presidente Obama, trata-se de um documento progressista e que revela as limitações dos EUA e a sua capacidade de renovação estratégica para lidar com parceiros na dinâmica do “engajar para conter” (i.e, de reinventar a hegemonia). Ao mesmo tempo, uma renovação que disputa espaço com o declínio e o tradicionalismo, o isolacionismo, o intervencionismo e o unipolarismo, gerando as reações e contrareações hegemônicas já abordadas em artigo para Carta Maior. Reações e contrareações que não se resumem a determinados grupos, mas possuem ressonância em Washington, assim como este próprio relatório também terá. Assim, no debate nacional não podemos nos esquecer que este é um texto norte-americano, produzido e direcionado, para o público norte-americano, e que terá o apoio de uma parte desta sociedade, como visto na p.3:
As conclusões da Força Tarefa e suas recomendações são direcionadas não somente as formuladores de políticas que lidam com as Américas, mas também aqueles que nos EUA e em outras instâncias, são responsáveis por decisões em questões estratégicas globais, temas econômicos e mecanismos multilaterais nos quais a voz e a ação do Brasil são relevantes. As conclusões e recomendações deste relatório fornecem uma estrutura para políticas bipartidárias- globais, regionais e bilaterais- que levem em conta as oportunidades e desafios da ascensão brasileira, no momento em que os Estados Unidos e o Brasil enfrentam as grandes questões internacionais do século XXI.
Portanto, são conclusões e recomendações para os EUA sobre o Brasil, mas que devemos obrigatoriamente compreender sob nosso ponto de vista, dentro de um projeto nacional de reposicionamento interno e global. Mais ainda, como um poder global hoje, demonstra-nos a necessidade de melhor estudar, e compreender, nossos parceiros mais próximos, sejam eles os EUA, a China, a Índia, a África do Sul, as nações sul-americanas, os continentes africano e asiático. Somente a partir deste olhar, poderemos elaborar nossas conclusões e recomendações sobre nossos pares, para nós mesmos.
(*) Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
quarta-feira, 4 de maio de 2011
O Brasil não pode concordar com o vale-tudo internacional
Gilberto Maringoni
O ministro de Relações Internacionais, embaixador Antonio Patriota, classificou como “positiva” a morte do terrorista Osama Bin Laden, ocorrida na noite de domingo. A avaliação embute um endosso indireto do Brasil à operação desfechada pela CIA para eliminar aquele que foi classificado por todas as mídias como o “homem mais procurado do mundo”.
Estamos diante de algo muito sério. Não se trata apenas de uma mudança na condução da política externa brasileira. Se a aprovação oficial se confirmar, haverá aqui uma mudança de qualidade.
É necessário atentar para a natureza dos fatos ocorridos em Abbottabad, na periferia de Islamabad, Paquistão, há poucos dias. Façamos duas ressalvas iniciais.
Primeiro – Osama Bin Laden é um terrorista. O atentado às torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, foi um assassinato coletivo e deve merecer a repulsa de qualquer pessoa de bom senso.
Segundo – Como dirigente principal da ação, Bin Laden deveria ser capturado e julgado por uma corte internacional, tendo garantidos todos os ritos e procedimentos do Direito internacional.
Não foi o que aconteceu. Bin Laden e, ao que parece, sua esposa e um filho, foram executados por um comando militar estadunidense, sem possibilidade de reação ou defesa.
Aqui valem três perguntas.
Como a informação sobre a localização do terrorista foi obtida?
Através da tortura de um membro da Al Qaeda, preso sem julgamento em Guantánamo. A informação é do diretor da CIA, Leon Panetta, em entrevista à revista Time.
Como a operação foi planejada?
Na mesma entrevista, Panetta revela: “Foi decidido que qualquer tentativa de trabalhar com os paquistaneses poderia colocar a missão em risco. Eles poderiam alertar os alvos”. Mais adiante, o chefe da CIA declara que o governo paquistanês "nunca soube nada sobre a missão", classificada pelos EUA como "unilateral".
Ou seja, a tarefa envolveu uma invasão territorial.
Como se deu a ação?
O diretor da CIA conta que as determinações do presidente Barack Obama exigiam a morte de Bin Laden, e não apenas sua captura. Assim se deu. O líder da Al Qaeda foi fuzilado junto com quem estava na casa.
São três as violações do Direito internacional: obtenção de informação sob tortura, invasão de território de um outro país e execução sumária.
Apesar dos ânimos exaltados dos estadunidenses que foram às ruas e do comportamento ufanista da mídia brasileira, não se fez “justiça” alguma. O que houve foi a vingança de um ato bárbaro com outro ato bárbaro. Olho por olho, dente por dente, como dos filmes de caubói.
Se a lógica for mantida, acaba qualquer legalidade ou civilidade nas relações internacionais. A pistolagem high-tech será a métrica da resolução de problemas nas próximas décadas. Já há uma caçada em curso visando Muamar Kadafi, apesar da resolução 1973 da ONU não autorizar medida desse tipo.
A diplomacia brasileira não pode, nem de maneira indireta, avalizar tal caminho. A conseqüência pode ser um enorme retrocesso na política externa “ativa e altiva” iniciada por Celso Amorim. Através dela, o Brasil ganhou relevância inédita na geopolítica mundial.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
O ensurdecedor silêncio dos seletivos
terça-feira, 15 de junho de 2010
CELSO AMORIM: PAZ NO MUNDO DEPENDE DE NEGOCIAÇÃO E DIÁLOGO
Ao participar nesta segunda-feira (14) da 99ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra, na Suíça, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou a necessidade de buscar o fim dos conflitos por meio do diálogo. O chanceler fez a afirmação cinco dias depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar sanções ao Irã sem considerar o acordo nuclear negociado com Brasil e Turquia.
Para Amorim, a aprovação das sanções ao Irã foi um retrocesso. No entanto, países liderados pelos Estados Unidos pressionam o Irã utilizando o pretexto de que o país procura fabricar armas atômicas com seu programa nuclear. Porém, o governo do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, reafirma o caráter pacífico do programa.
Para o Secretário Nacional de Comunicação do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, o apoio brasileiro a uma solução pacífica para a questão engrandeceu "a estatura geopolítica do Brasil, do presidente Lula, do chanceler Celso Amorim".
"Num mundo cada vez mais conturbado, a decisão da ONU, que contraria seus próprios princípios, por imposição dos Estados Unidos, revela que não se pode nem se deve nutrir a menor ilusão com o imperialismo e seus manejos, evidenciados também durante a Conferência sobre a Segurança Nuclear e a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, na qual somente a boa fé dos ingênuos enxergou vitórias. A realidade é mais dura. Exige vigilância, luta e visão ampla, donde resulta a alta valorização de posições como a do Brasil" observa Carvalho.
Estado frágil
Paralelamente, Amorim apelou para que houvesse um esforço global para acabar com as ideias preconcebidas em torno da suposta fragilidade que envolve os países em desenvolvimento. “As crenças que preconizam um Estado frágil e pouco ativo sofrem de um mal de origem: apostam que o bem-estar social pode ser confiado à mão invisível do mercado”.
Em seguida, Amorim afirmou que “os países em desenvolvimento sabem o quão visível é o preço dessa superstição. Estado forte não se confunde com Estado autoritário. O Estado forte que queremos pressupõe controle democrático de todas as instituições políticas”.
O ministro pediu que fosse aberto um espaço na OIT para a discussão de alternativas para as questões econômicas globais. “Sempre entendemos que emprego e proteção dos trabalhadores não são apenas promotores da justiça social, mas também instrumentos de correção dos desequilíbrios da globalização”.
Programas
Citando uma série de programas e ações implementadas no país nos últimos anos, como o Bolsa Família, e afirmano que o Brasil conseguiu reduzir o número de crianças que trabalham, Amorim também expôs os benefícios criados pelos programas sociais do Brasil, que priorizaram o fortalecimento da economia e a justiça social.
"Esse compromisso com a erradicação do trabalho infantil transcende as fronteiras: o governo brasileiro tem estabelecido parcerias para o combate a esse flagelo com países da América Latina, África e Ásia", afirmou.
Aposentadoria
Em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional, Celso Amorim descartou o aumento da idade mínima para a aposentadoria no Brasil, tema que vem agitando a Europa. “O Brasil vai continuar a crescer de maneira sustentável nos próximos anos e não há perigo de nós diminuirmos os direitos sociais”, garantiu o chanceler.
Para ele, o sucesso da economia brasileira, que deve cresce 7% este ano, se deve aos programas de transferência de renda, ao aumento do salário mínimo e outros programas sociais de apoio à agricultura familiar que contribuíram para que o país enfrentasse a crise e criasse empregos durante a recessão mundial.
Da Suíça, o chanceler segue para mais seis países – França, Estônia, Polônia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia e Áustria. Ele participa de debates sobre desarmamento e também de reuniões bilaterais. O ministro retorna ao Brasil no dia 21.
Da redação, com agências
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A VOTAÇÃO DA ONU E A NOVA REALIDADE INTERNACIONAL
E é justamente nesse momento, em que o governo parece não ter nenhuma estratégia, que é fundamental que fiquemos atentos no que pode acontecer. Pois, o efeito insignificante das novas sanções da ONU poderia estimular o poder executivo e o Congresso a “preencher lacunas” da resolução do Conselho de Segurança, aplicando sanções unilaterais sobre as exportações iranianas de petróleo (76% das receitas do regime)
David Sanger informa ainda que, embora o governo não admita publicamente, há rumores sobre a existência de vários planos alternativos que abrangem todo o Golfo Pérsico e que incluem, desde ações de contenção militar até operações da CIA para minar a infra-estrutura do Irã para a produção de armas nucleares. O secretário de Defesa Robert M. Gates enviou um memorando secreto à Casa Branca em janeiro, em que ele colocava perguntas sobre possíveis táticas e estratégias, pressupondo que a quarta rodada de sanções seria insuficiente. Embora Gates tenha explicado que o memorando era um esforço de rotina, alguns membros do governo interpretaram como uma tentativa de forçar um debate sobre “questões mais difíceis” como as opções militares que relatei em artigo anterior (A dupla face de Obama 25/09/2010)
De outro lado, os congressistas norte-americanos concordaram com Obama em dar ao governo mais tempo às negociações na ONU e viram a aprovação da resolução mais como um sinal verde para que eles pudessem avançar com suas próprias sanções que prometem ser muito mais duras e esperam “aprofundar o isolamento do Irã”.
O fato é que diferentemente da explicação da direita norte-americana que insiste em apontar que todos esses problemas decorrem apenas da fraqueza de Obama é preciso constatar que as várias tentativas de isolamento das chamadas “nações párias”, desde o governo de Bill Clinton, passando por Bush, e reiteradas por Obama, não tem surtido efeito e a novidade no momento é que líderes regionais como Brasil e Turquia se despontam como atores globais relevantes. Além disso, indica da forma mais clara possível, o contraste existente entre o eterno discurso norte-americano que coloca uma confiança sem limites nas instituições internacionais de um lado, e realidade de sua vontade nacional de outro. Muito provavelmente, a legitimidade da ONU sairá arranhada mais uma vez.
(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP
Fonte: Carta Maior
sexta-feira, 11 de junho de 2010
CELSO AMORIM E A POSIÇÃO DO BRASIL NO CENÁRIO INTERNACIONAL
...ficar apenas dizendo 'sim' para uma potência hegemônica também não tem sentido, sinceramente...
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O "FAROL DE ALEXANDRIA" ABRE A BOCA... PARA FALAR BESTEIRA DE NOVO!
Por Bernardo Joffily
Reproduzo abaixo o novo artigo do ex-presidente, Política externa responsável. Assim, o internauta poderá verificar pessoalmente a entusiástica admiração do autor pelo governo FHC. E também sua ojeriza às "bazófias" e à "demagogia presidencial", que "não passa de surto de ego deslumbrado" – ainda que, pelo andar das pesquisas, vá eleger sua sucessora.
Além de elogiar a si próprio, FHC constata que "temos credenciais de sobra para exercer uma ação mais efetiva na condução dos negócios do mundo" e "é natural que o Brasil insista em sentar-se à mesa dos tomadores de decisões globais". Mas trabalha contra a diplomacia brasileira ao abordar "a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro".
O veneno do ex-presidente, como o do escorpião, está na cauda. No derradeiro parágrafo, FHC sai-se com esta:
"O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro, passando a impressão de que havíamos dado um drible nas "grandes potências", digno de Copa do Mundo, reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o "outro lado". E em política internacional, mais do que em geral, cosi è (se vi pare) ['assim é, se assim parece']."
De que 'lado' está o Brasil
É de fato uma dádiva para o Brasil contar desde 2003 com um presidente cujo "bordão" é que "hoje não nos agachamos mais". E é uma lástima ter tido um presidente que, oito anos depois de deixar o Planalto, continua a se agachar.
Que história é essa de se bandear para o outro lado? De que "lado" está o Brasil? E FHC?
Em um artigo que flerta com a crítica ao unilateralismo (a pretenção dos Estados Unidos pós-Guerra Fria de decidir sozinho os rumos do planeta), essa conclusão deixa entrever o apêndice caudal venenoso de um defensor do alinhamento automático com a grande potência do norte.
O Brasil, o presidente Lula e o Itamaraty deixaram cristalinamente claro de que "lado" estão na crise iraniana. Perfilam do lado da paz, no mundo e no Oriente Médio, do direito das nações ao uso da energia nuclear com fins pacíficos, da condenação dos arsenais atômicos, da busca de uma solução negociada para o contencioso entre o programa nuclear do Irã e as renitentes desconfianças do bloco de países polarizado pelos EUA. Não perfilam com os que desejam o Irã confinado em um leprosário. Foram a Teerã e, com a inestimável contribuição da Turquia, firmaram com o governo iraniano um acordo que persegue estes valores e objetivos.
As voltas que a crise deu
Em um primeiro momento, a reação desfavorável de Washington, com a secretária de Estado Hillary Clinton à frente, pareceu fechar as portas abertas pelo Brasil e a Turquia. No dia seguinte ao Acordo de Teerã, os EUA arrastaram os demais membros-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Reino Unido, França, Rússia e China) na apresentação de um pedido de sanções – embora mitigadas – contra a nação persa.
Porém o mundo continuou a dar voltas, e na segunda-feira passada (31) os incondicionais porém sôfregos aliados israelenses dos EUA no Oriente Médio (possuidores de 100 a 400 ogivas nucleares, no que é um segredo de Polichinelo) entornaram o caldo. Atacaram com sua marinha de guerra uma pacífica flotilha do Movimento Gaza Livre, assassinando pelo menos nove ativistas desarmados, sob a alegação de que eram "apoiadores do terrorismo" desejosos de transformar a faixa de Gaza em "uma base do Irã".
Com sua agressão gratuita e estúpida, Israel jogou por terra a maior parte dos esforços de Hillary. E retonificou as esperanças no futuro do Acordo de Teerã, sem sanções, improcedentes e improdutivas, e visando fazer de toda a região um território livre de armas atômicas.
Quanto a FHC, prefere ficar onde sempre esteve nos seus oito anos de governo: do 'lado' do imperialismo americano e seus pitbull israelense, contra os governos e povos amantes da paz. Problema dele. Para a alegria geral, sua influência parece hoje confinada ao exercício de fel que pratica nos seus artigos mensais.
Tendo estômago, veja o que diz o artigo do FHC aqui
No Blog "Brasil, mostra a tua cara!"
quinta-feira, 3 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
CELSO AMORIM: LIBERAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL PARA IARA LEE
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim disse, no fim da tarde desta terça-feira (1º), acreditar na “imediata” e “incondicional" liberação da cineasta brasileira, Iara Lee, que estava em uma das embarcações do comboio de ajuda humanitária atacado por Israel a caminho de Gaza. Israel já anunciou que vai deportar centenas de pessoas que foram presas por integrar o combio. Depois de ser localizada, a brasileira foi encaminhada para uma prisão, onde aguarda a deportação.
Segundo o chanceler, a cineasta está bem e deve ser liberada logo, depois da manifestação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para que todos sejam soltos.
“Não é só porque é uma cidadã brasileira e totalmente pacífica e pacifista, mas também porque é uma exigência do Conselho de Segurança da ONU, porque faz parte do proposto pelo presidente do Conselho de Segurança da ONU que todos aqueles que foram presos devem ser liberados imediatamente. E a nossa expectativa é de que ela seja liberada pronta e incondicionalmente”, afirmou.
Amorim chamou de “absurda” a alegação israelense sobre a motivação da prisão dos ativistas que estavam nos navios do comboio de que eles “estariam entrando irregularmente” em Israel. O ataque causou a morte de até nove pessoas e feriu dezenas.
O ministro reforçou que a diplomacia brasileira respondeu rapidamente à demanda de libertar a brasileira, ao enviar um agente de negociação nesta segunda-feira (31), que conseguiu contato com ela por meio de um agente penitenciário.
Fonte: UOL











